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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O INÍCIO DO FIM, OU O INÍCIO DE UMA NOVA ERA!!!

Ao longo dos últimos anos, o Candomblé vem passando por uma longa trajetória de mudanças, aqui mesmo nesse espaço já abordei algumas. Mas, em 2011, surpreendeu-me alguns marcos que me levaram a refletir se a milenar Religião dos Òrìsàs, está chegando ao seu fim ou na melhor das hipóteses, no início de uma nova era.

Na incessante busca de alguns em cercear-nos de praticar nossos costumes e rituais, temas como o Sacrifício Animal, jamais foram abordados de forma tão contundente, como nesse ano. Mas esse movimento de membros dos ditos “poderes nacional”, em parte, fora desencadeado por adeptos do Candomblé, que indiscriminadamente, não se furtam em profanar o sacro, pulverizando imagens e vídeos que, deveriam permanecer na clausura dos Terreiros de Candomblé. E, por favor, não excetue da leitura o “em parte”. Mas, fato é que, há dessa forma, uma incoerência brutal do povo do santo que, impede alguns de seus filhos de presenciarem determinados rituais, a depender do tempo de iniciação, posto, etc., mas não priva a sociedade dos mesmos rituais, expondo-os, nas redes sociais e youtube, por meio de fotos e vídeos de sacrifício, iniciação, etc.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo, Um Sacerdote que Edifica Sua Religião

Quando iniciei esse Blog, o mote principal era dissertar sobre as histórias dos Grandes Mestres do Atabaque, bem como a música nas Sociedades Ketu-Nago. No entanto, ao longo do tempo, observei a necessidade de falar sobre outros temas, pessoas e casas. Desta forma, além do proposto inicial (que não será descontinuado e que abordará também os Grandes Mestres de SP e RJ), vou escrever sobre temas e pessoas em geral, relacionadas ao Candomblé. Nessa nova etapa, resolvi falar um pouco sobre alguns Sacerdotes e suas respectivas Casas de Asè, mas não aquilo que todo mundo já sabe, algo novo, algo de diferente.  Nesse primeiro “Perfil Sacerdotal”, não poderia falar de outra pessoa senão, o Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo (meu Pai Carnal) e sua Casa, a Sociedade Ilé Alákátu Asè Ibùalámo. Foto: O Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo Diante do Oparere de Ibùalámo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O Candomblé Precisa Evoluir?!

Há algum tempo, me deparo com vertentes da nossa Religião, afirmando de forma contundente que o Candomblé deve evoluir. Que as roupas devem ser mais luxuosas, que o tempo de recolhimento deve ser diminuído, que as pessoas não precisam se curvar ante aos mais velhos, que não precisa haver tanta hierarquia, etc. Particularmente, eu discordo dessas ditas “evoluções” ou quase todas, considerando-as na verdade como “involuções”, ou seja, o “Processo inverso ao da evolução”.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

I Encontro dos Grandes Mestres Ògáns de São Paulo

É com grande satisfação que hoje vou postar algumas fotos do “I Encontro dos Grandes Mestres Ògáns de São Paulo”, ocorrido no último dia 11 de novembro.
Inicialmente, quero registrar o meu agradecimento ao meu Pai, O Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo, pela iniciativa única em reconhecer os Grandes Mestres Ògáns, ao CONE (Coordenadoria dos Assuntos da População Negra) e Prefeitura da Cidade de São Paulo, pelo apoio cultural.
Agradeço, outrossim, às pessoas que mesmo em véspera de feriado prolongado e após uma torrencial chuva, compareceram para prestigiar esse primeiro de muitos eventos que ocorrerão, com certeza.

domingo, 30 de outubro de 2011

Erenilton Bispo dos Santos - O Mestre da Bahia

Sem dúvidas, esse é um texto especial para mim, haja vista que vou tentar discorrer um pouco sobre a história do Ògán que mais admiro na religião a qual pertenço, a dos Òrìsàs. Por outro lado, falar de Erenilton Bispo dos Santos é algo sobremaneira difícil, sendo que ele não é somente o meu ídolo, que aprendi a respeitar desde a minha infância, mas sim, o ícone admirado e querido por boa parte dos membros das Comunidades Kétu-Nàgó, da Bahia e do Brasil. Foto: Erenilton Bispo dos Santos, 2011.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Toque de Guerra e o Toque de Caça

Hoje quero chamar atenção para esses dois importantes toques do Tradicional Candomblé Nago-Ketu, o Toque de Guerra e o Toque de Caça, que são amplamente confundidos ou fundidos. Nas minhas andanças e mesmo em alguns vídeos do youtube, observo que há uma falta de entendimento sobre esses toques, mais usualmente utilizados para as Divindades Ogun e Òsóòsì, respectivamente (no entanto, não somente para esses Òrìsàs).

domingo, 28 de agosto de 2011

Quem Começa Termina!?

O Candomblé é uma religião onde tudo há começo, meio e fim. Nessa ótica, há algumas regras, que não tiveram seu advento na minha jovem mente criativa, mas sim, na tradição dos antigos. Antigos Alagbés, Antigas Ìyálòrìsás, antigos Babalòrìsàs, etc.

Uma dessas regras, basilares, é a de “Quem Começa Termina”. Vejamos. No Ritual do Àsèsè, por exemplo, quem inicia (abre) é quem termina (fecha). Ou seja, aqueles Ogans que estão tocando no início, ainda que, cedam aos demais durante a cerimônia, deverão regressar para findar a mesma. O mesmo, aplica-se à quem canta para dar início, que deverá, outrossim, cantar o fechamento.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Ao Cantar, Você Evoca o Òrìsa ou Faz Insultos e Desencadeia a Cólera? Os Cânticos no Candomblé Ketu-Nago.

Para os Ogans, esse é sem dúvidas um tema muito importante, sendo que, em grande parte dos Terreiros de Candomblé, são os Ogans os responsáveis pela condução musical das cerimônias religiosas. O universo musical sacro do Candomblé é infindo, complexo e almejado por muitos, prova disso é o “comércio negro” de fitas de Candomblé, sem falar, nas centenas de pessoas que gravam à escondida, as cerimônias religiosas como Festas/Asese/Oros, etc. Isso mostra-nos como os “Cânticos do Candomblé” são valiosos.

Mas ao cantar, o que você faz? Louva/Evoca? Faz Insultos? Desencadeia a Cólera do Òrìsà? Conscientemente ou não, podemos fazer tudo isso por meio dos cânticos dos Òrìsàs. Inicialmente, muito embora de uma abrangência singular, vou procurar dividir o que cantamos no chamado Tradicional Candomblé Ketu-Nago, da seguinte forma:

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ijesa de Logun Ede, Não é o Mesmo Ijesa de Òsun?

Hoje vou comentar um pouco sobre esse que é, sem dúvidas, o toque mais popular do Candomblé, o Ijesa. Digo mais, esse toque extrapolou os limites da religião africana, tomando espaço também no cenário musical brasileiro. Prova disso, são os chamados Grupos Carnavalescos de Afoxé, que possuem em sua estrutura rítmica o Ijesa (Filhos de Gandhi, Korin Efan, etc.).


Ademais, há ainda, diversas músicas de conhecimento público cuja base é o Ijesa, como exemplo, menciono o quase hino “É D’Oxum” de Gerônimo (imortalizado por Gal Costa, Jauperi e, tantos outros) e “Muito Obrigado Axé”, interpretada por Ivete Sangalo e Maria Bethânia. Sobre a última, é importante frisar que, a marcação rítmica do Ijesa realizada por Márcio Brasil, percussionista de Ivete é primorosa, invejando a muitos Ogans (vejam vídeo abaixo e comprovem um verdadeiro Ijesa Nago).


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Você vai à Uma Festa Para Sentar ao lado dos Atabaques ou Para Receber o Abraço dos Òrìsàs?

Recentemente li no perfil do Facebook do amigo Anderson, uma frase que convida-nos à uma importante reflexão. A saber: “Algumas pessoas ficam chateadas por conta de um Sèré, de um lugar mais próximo dos atabaques...quando vamos à visita de alguma casa de Asè, ficamos felizes em apenas o Òrìsà nos abraçar”.

Em verdade, não sei à quem a frase se destina ou o que exatamente a impulsionou, mas achei um ótimo mote para essa postagem.



quinta-feira, 28 de julho de 2011

Gamo da Paz, a História do Maestro dos Atabaques

É com grande satisfação que, hoje vou discorrer um pouco sobre o maior Dobrador de Hun da atualidade, o virtuosíssimo Evilásio Manoel da Paz, popularmente conhecido como Gamo da Paz. Mas, como veremos adiante, o perfeccionismo à frente dos atabaques, não é única atribuição singular deste que, considero um dos maiores exemplos a ser seguido, não somente pelos Ogans, mas também pelos Sacerdotes e adeptos do Candomblé de modo geral.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Gabi Guedes, O Agidavi de Ouro da Bahia

Hoje vou falar um pouco, sobre a história de mais um dos grandes Mestres dos Atabaques, o Agidavi de Ouro da Bahia, Gabi Guedes.

Foi em 1.962, no Alto da Federação, bairro que abarca em seu seio, o Terreiro de Mãe Menininha do Gantois e que é circundado por diversas das mais respeitadas Casas de Candomblé, que nasceu Gabriel Guedes dos Santos.

Sua história com a música do Candomblé iniciou-se muito cedo, mas precisamente no quintal de sua casa, de onde ouvia o virtuosismo do aclamado Euvaldo Freitas dos Santos, o grande Vadinho Boca de Ferramenta, que no Gantois, tocava o chamado “Busca Longe”, e que de fato, tinha o poder de buscar o menino Gabriel para aquele Terreiro.

sábado, 9 de julho de 2011

Mestre Robson, O Homem Que Revolucionou o Atabaque de São Paulo

Hoje vou falar daquele que é considerado o maior dobrador de Hun de SP, Robson de Òsóòsì, o meu Mestre dos Atabaques.

Robson Costa Pinto, filho do saudoso Babalòrìsà Waldomiro Costa Pinto (Waldomiro Baiano) teve e ainda tem um papel de suma importância para a história da tradição musical do Candomblé em SP. Mas antes, vou falar como conheci aquele que tornar-se-ia o meu Grande Mestre.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Desmistificando os Toques: Bravun, Sató e Savalú

Hoje vou falar um pouco, sobre três importantes toques da cultura Nago-Ketu, que são amplamente confundidos, seja nas variações rítmicas do Hun, seja nas variações de suas danças.

Os nomes desses toques variam entre casas, mas vou escrever e nomeá-los da forma que aprendi, ou seja: Bravun, Sató e Savalú. Esses, são três importantes toques usualmente executados que, por assim dizer “pegamos emprestados” da tradição Jeje, englobando-os em nossa cultura Nago-Ketu.

terça-feira, 7 de junho de 2011

As Èkèjí nas Comunidades Nàgó

Nesta oportunidade, não vou falar dos grandes nomes do atabaque ou dos importantes toques do Candomblé. Hoje, vou discorrer um pouco sobre uma figura que tanto respeito e de importância singular dentro das “Comunidades Nàgó, as Èkèjí (leia-se Ekede).

Vou escrever sobre esse tema (que em verdade não me pertence), pelo fato de algumas Èkèjí e mesmo Ogans, terem me pedido para elucidar minha opinião sobre o assunto, ainda que como Ogan.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Os Toques do Candomblé Nàgó Ketu

Amigos,

Retorno nesta postagem, para comentar desta feita, acerca dos toques de Candomblé. Ater-me-ei, somente àqueles executados nos ritos das chamadas “Comunidades Nago-Ketu”, incluindo desta forma alguns toques de origem Fongbe (Jeje), Ijesa e o Barra-Vento, muito provavelmente de origem Kongo-Angola.

Quero com essa pequena postagem, somente chamar atenção aos Ogans, para o grande número de toques que temos e, que, infelizmente, estão sendo esquecidos pela maioria.

Afirmo isso, pois sou procurado por Ogans para ministrar aulas e, quando os indago sobre seu maior interesse rítmico, em suma, a resposta concentra-se em poucos toques, geralmente a Hamunya (as sonhadas 17 passagens de Iroko), o Adahun (Toque com poder sobremaneira evocativo que, nós Nago, absorvemos dos Fongbe) e, mais recentemente, o toque de Nana, da cantiga “Toke Dajuwá”.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Um Desabafo sobre a Roupa dos Òrìsàs....(Continuação)

Diante do Comentário de Minha Irmã Luciane de Yewa, no post anterior, achei por bem, respondê-la e complementar alguns pontos em um posta separado, em aditamento ao anterior.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Um Desabafo sobre a Roupa dos Òrìsàs...


Nesse blog, vou procurar abordar todos os temas que envolvem o mundo dos Ogans, mesmo aqueles assuntos que, num primeiro momento, parecem não nos ser inerentes, como é o caso da postagem de hoje.

Há algum tempo, eu tinha mais facilidade em identificar um Òrìsà quando ia “dar hun” ao mesmo, hoje, entretanto, cada vez mais, tenho dificuldade em saber qual Òrìsà está na sala. Explico:

terça-feira, 17 de maio de 2011

Ogan Pai ou Ogan Estrela? A Degradação do Sacerdócio dos Ogans

Hoje observo, sobretudo no Sudeste, um acentuado processo de degradação no que concerne a história e importância dos Ogans, nas Sociedades Religiosas. Após ter criado esse Blog, muitas pessoas me pedem para falar um pouco sobre postura dos Ogans e o verdadeiro papel dos mesmos. Quando os indago a razão desse interesse, em sua maioria afirmam estarem descontentes com seus próprios Ogans, com a forma a qual se manifestam nas Sociedades Religiosas.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Qual a Importância do Toque “Vasi”, na Música do Candomblé de Ketu?

Recentemente, conversando com o irmão Carlos de Aracajú, me dei conta da fundamental importância do “Vasi” na estrutura musical dos toques do Candomblé da tradição Ketu-Nago, razão pela qual, escolhi esse tema para abordar aqui no Blog.

Vejamos; no tradicional Candomblé de Ketu, há mais de 50 toques específicos de Hun, no entanto, a base (Hunpi e Hunlé) da maioria, essencialmente é o “Vasi”. Exemplifico:

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Miguel Santana, o Fidalgo Ògán do Opo Afonjá

Em continuidade as histórias dos Grandes Ogans, hoje falo sobre aquele que foi considerado fidalgo entre os membros da Comunidade Nàgó, o Oba Are do Ilé Asè Opo Afonjá e Oje Orepe do culto à Egúngún, Miguel Santana.


Nascido na região do Pelourinho, aos vinte e nove dias do mês de setembro de mil oitocentos e noventa e oito, Miguel Arcanjo Barradas Santiago de Santana, fora confirmado no Candomblé da Casa Branca do Engenho Velho, mas ganhou notoriedade e respeito no Ilé Asè Opo Afonjá, de Mãe Aninha, onde recebeu o título de Oba Are.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Maktub - Minha Avó, Percília Araújo

Maktub, Embora seja Candomblecista desde que nasci, valho-me desta expressão islâmica (Maktub) a qual diz que inevitavelmente, tudo o que acontece no universo está previsto pela vontade Divina. E, foi por vontade divina, que minha avó paterna, Dona Percília Araújo, partiu para o Orun em 12 de abril de 2011.


À luz da concepção religiosa dos Yorùbás, minha Avó cumpriu sua missão no Aye por completo, afinal, deixou-nos Agbalagba (anciã). Cumpriu todas as etapas de sua vida, nasceu, cresceu, teve filhos, netos e bisnetos e se foi quase que centenária.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cipriano, o Alagbé do Ilé Asè Ìyá Naso Oka

Em seqüência as postagem dos Grandes Ogans da História, abaixo, falamos um pouco sobre o famoso Cipriano Alagbé do Candomblé da Casa Branca.

Aproveito, outrossim, para agradecer as muitas mensagens de incentivo que recebi, bem como, as críticas de muitos que me questionaram porque estou levantando temas polêmicos como “Se Existe Ogan Raspado”. Concernente à isso, estou tranqüilo (e muito por sinal), pois em momento algum não fui verdadeiro com o que aprendi. Lembro, ainda, que o tema pode parecer polêmico aqui em SP, conquanto, em Salvador, a terra onde o Candomblé nasceu (Pois o Culto aos Òrìsàs nasceu na África, mas o Candomblé, esse é soteropolitano) esse tema não é tabu algum.
 
Por oportuno, reitero aqui, o mote maior desse Blog que, nada mais é que, relembrar a História dos Maiores Ogans do Brasil, da Cultura dos Ogans e do Atabaque.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Agabi não é Agabi? Adahun não é Adahun? – Os Nomes dos Toques No Candomblé!

Nos últimos anos, uma grande quantidade de Ogans me indaga sobre a nomenclatura dos toques de Atabaque. Em sua maioria, desejam saber o nome do toque de Obá, Yewa e, por aí vai. Desde criança vou à Salvador, até chegar à idade adulta, no mínimo mais de duas vezes por ano.

 Em todas as minhas viagens, ou quase todas, eu aproveitava para visitar uma casa de Candomblé ao lado do meu pai. Nessas visitas, prestava muita atenção aos antigos Ogans, quando eles diziam: “Toque Agere para Osoosi”, “Alujá Para Sango”, “Awo”, etc. Quando chegava a São Paulo, atentava da mesma forma os Ogans solicitando os toques pelos nomes.

quinta-feira, 31 de março de 2011

As Escolas de Atabaques e a Importância do Mestre no Processo de Aprendizagem

(Ao lado, eu e alguns de meus alunos)


Hoje, com o avanço da internet e o advento de comunidades específicas para Ogans e atabaques, observo um interesse muito grande de pessoas em aprenderem a arte musical dos Òrìsàs.


No Youtube, por exemplo, há diversos vídeos com toques de atabaque, sendo que alguns até ensina passo à passo, como “tocar”. Há também, uma profusão de CDs de Candomblé que muitos os utilizam como meio para aprender. Em parte, isso é benéfico, pois possibilita o acesso à informação que alguns não tinham até então, por outro lado, pode causar grandes embaraços.

terça-feira, 29 de março de 2011

Ògán Dança???

OGAN DANÇA?


Recentemente, observei essa pergunta em ao menos quatro comunidades do Orkut. Confesso que, a princípio, esse não seria um tema abordado por mim nesse blog, pelo simples fato de não me apetecer à escrita. Todavia, frente alguns devaneios que li, resolvi postar algo breve, porém elucidativo que espero contribuir para àqueles que ainda, encontram-se em dúvidas.


Inicialmente, achei a pergunta bastante aberta, levando por vezes a ambigüidade e, por conseqüência, ao erro no que concerne sua resposta. Nasci e criei-me meio às Comunidades Religiosas do Candomblé Tradicional, mas quando fiz uma primeira leitura sobre a pergunta, iria incidir no erro de dizer que: NÃO! OGAN NÃO DANÇA!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Existe Ogan Raspado? Ìyáwò Pode Tocar Atabaques?

Para responder essas perguntas, precisamos discorrer um pouco sobre o que é Ìyáwò e o que seria Ogan.

Há uma grande polêmica acerca do tema em título. Hoje, sobretudo no Sudeste, há uma grande discussão em relação se aqueles que foram iniciados na Religião dos Òrìsàs, Raspados, “Adoxados”, contudo não são manifestados por Òrìsà (rodantes), seriam ou não Ogans. Nesse aspecto, afirmo de forma indubitável, com toda a segurança que não, ou seja, Ogans Não São Raspados! Face ao exposto, surge a indagação: Àqueles que são raspados, “adoxados”, entretanto não são manifestados por Òrìsà, seriam o que, então? Respondo categoricamente: Ìyàwó – Iniciado na Religião do Culto aos Òrìsàs!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Atabaque, a Arte Sagrada

Antes de iniciar as postagens relacionadas aos toques do Candomblé de Ketu, vou comentar um pouco acerca dos instrumentos sagrados. Digo sagrados, pois à exemplo das Divindades que nos regem, nossos instrumentos musicais recebem oferendas e são vestidos, como um Òrìsà. Hoje, com o avanço da internet, muito vejo se comentar acerca de “Ayan”, que seria o Òrìsà do Atabaque. Particularmente, discordo dessa teoria, a qual aplica-se ao tambor “Bata” do culto à Sàngó, que não é utilizado maciçamente aqui no Brasil. Isso é corroborado, ainda, pelo fato dos grandes mestres da Bahia desconhecerem Ayan como responsável pelo culto ao atabaque.

quarta-feira, 9 de março de 2011

A História dos Grandes Mestres (Vadinho)

A História dos Grandos Mestres (Vadinho)
Não poderia iniciar essa série de postagens sobre a história dos Grandes Ogans, se não fosse para discorrer sobre Vadinho.
Vadinho nasceu Euvaldo Freitas dos Santos, em Salvador. Há duas versões distintas sobre a origem da alcunha “Boca de Ferramenta”. Alguns afirmam que Vadinho recebeu esse apelido em função da sua profissão (Ferreiro - também foi Estivador). Outros, por outro lado, dizem que o apelido surgiu em função da formação da sua arcada dentária. Vadinho, era filho de Obaluwaiye, iniciado na religião dos Deuses Africanos, pela aclamada Ìyálòrìsà, Mãe Menininha do Gantois. Na casa de Candomblé do Alto da Federação, Vadinho era o Grande Maestro dos Òrìsàs!

terça-feira, 8 de março de 2011

Sobre Mim e Sobre Meu Processo de Aprendizagem

OPOTUN VINICIUS, O INÍCIO DE TUDO:

Antes de tudo, acredito ser importante que as pessoas saibam um pouco sobre mim, sobre as minhas escolas, meus mestres, etc. Dessa forma, o diálogo com aqueles que visitarem o meu Blog, tornar-se-á mais fácil. Assim sendo, inicialmente esclareço que o nome do blog “Opotun Vinicius” faz alusão ao título religioso, que possuo em um dos Terreiros de Candomblé mais Tradicionais de São Paulo, o Ilé Alákétu Asè Ibùalámo, casa fundada pelo meu Pai, José Carlos de Ibùalámo. “OPOTUN” é o primeiro nome de um título, em que uma das funções é apoiar o Sacerdote em importantes tomadas de decisões (não confundir com Apa Otun – “O Braço Direito”). Alguns podem me perguntar por que não usar o nome “Ogan Vinicius”, sobre isso, certamente esse tema será objeto de alguma postagem minha, mas essencialmente, não utilizo o nome “Ogan”, simplesmente pelo fato de eu não ser Ogan e sim Adosu (iniciado na religião dos Òrìsàs, aquele que carregou o Osù). Digo que farei uma postagem sobre esse tema, haja vista muitos acreditarem que, somente pelo fato de um iniciado homem, não ser manifestado pelo Òrìsà, ele seja Ogan, o que é uma grande inverdade.