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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Um Desabafo sobre a Roupa dos Òrìsàs...


Nesse blog, vou procurar abordar todos os temas que envolvem o mundo dos Ogans, mesmo aqueles assuntos que, num primeiro momento, parecem não nos ser inerentes, como é o caso da postagem de hoje.

Há algum tempo, eu tinha mais facilidade em identificar um Òrìsà quando ia “dar hun” ao mesmo, hoje, entretanto, cada vez mais, tenho dificuldade em saber qual Òrìsà está na sala. Explico:

Quando adolescente, olhava os Òrìsàs manifestados no barracão e isso bastava para saber à qual Divindade deveria cantar, tocar, etc.

Não era nada absurdo descobrir, afinal olhava para uma ayaba que estava “atracada” com um Ojá para frente, ou para trás, com ou sem camisú e pronto, já sabíamos qual era a Ayaba.

Hoje, em algumas ocasiões, olho para as Divindades, buscando identificar quais são, somente pelo modo que estão vestidas e, confesso que tenho bastante dificuldade...

Diante disso, pergunto para alguém ao meu lado, que Òrìsà está manifestado naquela pessoa? Pois preciso cantar para ela e não sei qual é. Já aconteceu de me responderem: Pelo modo que está vestida é Osun, camisú, etc...mas vou perguntar: A pessoa perguntou ao Òrìsà e esse respondeu: Yansan....

Achei estranho, mas enfim, cantei para Yansan e ela dançou...

Houve outra ocasião, mas nessa eu passei vergonha, foi quando fui cantar para uma Divindade, manifestada em um homem. Ele estava de camisú, sem saia, com um ade dourado, com pedrarias, penca e uma espada dourada na mão.

Bom, ante a vestimenta daquele Òrìsà, eu comecei a cantar para Osun, no entanto, para a minha surpresa, era o Òrìsà que me rege, o intempestivo Ogun..... Pensei, poxa, meu Òrìsà chegou em Ire matou uma cidade inteira e agora se veste como ayaba?

Após esse dia, nunca mais cantei sem perguntar: Qual é o Òrìsà?

Olho no barracão e busco um Mariwo em Ogun, um Alada (mais alada mesmo, não alfanje), procuro um abebe em Osun, um Ofá em Òsóòsì, um Ibiri em Nana.......

Obviamente, tenho que entender e respeitar algumas particularidades entre casas, sendo que em algumas Oya não usa camisú, já em outras usam....aí é particularidade do Asè, mas onde chegamos? O que são hoje nossos Òrìsàs? Como identifica-los?

Porque isso interessa aos Ogans? Ninguém é computador, ninguém é tão sábio que tem um repertório pronto para todos os Òrìsàs à ponto da língua de bate e pronto.

Digo por mim, não tenho dificuldade em cantar para nenhum Òrìsà, mas quando estou por exemplo, cantando para Ògún e, vejo no barracão que há Òsóòsì, Omolu, Yewa etc... Já estou pensando na primeira e última cantiga de cada um desses Òrìsàs, afinal, o Candomblé tem começo, meio e fim....

Mas se estou cantando para Ogun e quando canto para esse partir, já com o primeiro agere na ponta da língua para cantar para Osoosi, me falam que na verdade é Osogiyan e não Òsóòsì, a coisa começa a complicar..... isso pode implicar no Òrìsà ficar 1 minuto esperando eu lembrar “Ajaguna Bawa-o”.....

Mas enfim, nem tudo está perdido, há um santo que ainda canto sem ter que perguntar qual é. Omolu, pelo menos esse ainda usa palha, mas até quando????

Sem Mais,
Opotun Vinicius

7 comentários:

  1. olá Pai Vinicius, concordo em todos os posts que o sr ponhe no blog,tenho tambem essas duvidas quando eu canto candomblé,e sou taxado de antiquario por manter tradições em minha casa de orisá ,muita pessoas vãos as festas em homenagens em minha casa ,só que lá eu canto de galo e mantenho a seriedade do que aprendi e ainda estou aprendendo pois não sei nada dentro do culto e hoje essas simples detalhes estão deixando-nos sem saber muitas coisas ,homens de orisá iyagbá usa saias? oyá usa camisú ,ayrá veste colorido,ogun veste dourado,iyemonjá veste rosa ,ja não sei mais nada se o sr achar interesante coloque informações das cores que pra mim ainda mantenho as mesma que aprendi a 20 anos atrás um grande abraço e parabens pelos enssinamentos que nos dá a cada informações neste blog

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  2. Olá meu velho, é um prazer ter sua participação nesse espaço. Olhe, eu também sou taxado de antiquado, ortodoxo e chato, mas fazer o que né? aprendi isso com meu pai carnal e vou morrer com esses ensinamentos, mesmo que grande parte do mundo seja contrário... De fato, as cores merece um post a parte, que o farei conforme sua sugestão.

    Abs.,
    Vinicius

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Primeiramente sua Benção Pai Vinícius!

    Sou da mesma opinião que o senhor posso até não ter muito peso em conhecimento assim como o seu pela minha pouca experiência também pouco tempo de iniciação, mas pelo pouco que tenho visto não tenho ficado feliz me lembro sempre de uma frase sua enquanto estava recolhido: "Olhem bem isso daqui, essa é a nossa cultura essa é nossa religião e devemos lutar para que ela se mantenha dessa forma, pois é isso que eu acredito e amo e espero que seja assim para vocês também, pois serão feito por vocês o futuro dessa tão rica e maravilhosa religião", e ver tanta coisa acontecendo tanta fantasia tanto carnaval que se passa por entres algumas casas Orisás como se tivessem em um desfile com tantas plumas e tudo mais que de energia e de Orisá não tem NADA e ainda isso é tido como Lindo, será, aprendi que Orisá vem descalço para nos mostrar que ele sendo maior de tudo no candomblé é simples humilde para que enfeites e adereços que nos fazem perder a singularidade de cada um dele.
    Porém ficam umas perguntas no ar. Será que esses carnavalescos que fazem determinada vestimentas(fantasias) ou paramentas e pior ainda os que as usam tem noção da singularidade de cada Orisá? Saber realmente o que pode usar e como usar? Enfim se preocuparam antes de tudo aprender sobre o real candomblé para depois dizer por ai e fazer por ai tais Maluquices?

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  5. Caro e estimado irmão, entendo seu comentário e concordo plenamente e digo ainda que alem de não reconhecermos os orisas pelas vestimentas tradicionais ao qual se distingue um orisa de outro, estamos perdendo suas essências, pois, nada em nossa religião fica sem explicação, desde uma determinada conta (que hoje mais se parecem colares para uso do cotidiano), como o sentido das vestimentas. todas as cores tem suas representações especificas para tal orisa, assim como suas paramentas, pois, me recordo de quando entrei para fazer meu santo, a hoje nossa Iya Egbe Danielle, me ensinava a dançar, ela me explicava os gestos das mãos e dos pés de cada passo me informando o porque de cada detalhe, isto é tão importante quanto as cores e estilos de vestirmos nossos orisas. Mas a evolução da tecnologia não foi tão benéfica neste sentido para nossa religião, pois, hj vemos orisas com temas cinematográfico, ou seja, se tal orisa pega por exemplo buzios, hj ele sai vestido parecendo um personagem do filme piratas do caribe. E as Osuns de hoje saem estilo baile de mascara medieval, pois, quanto maior o ade maior a auto-afirmação da criatura. Meu querido irmão, não podemos nos esquecer que somos da decada de 90 e os da era de 2000, na verdade não estão à frente e sim ficando para traz no quesito essencia de orisa. Eu preservo as origem dos nossos ancestrais da forma mais tradicional possivel e abomino aos que querem destruir a reigião em sua mais pura originalidade, e so sou contra a sua menção sobre nosso Omolu, pois, hj ja tive a infelicidade de ve-lo de mascaras, e acredite ja vi ate azem feito de plastico no lugar das palhas, mas talvez o cavalo tivesse alergia. Parabens pela sua iniciativa em fazer com que os mais novos saibam que isso que se ve hj em dia não é a tradição do candomblé, e talvez amanha tenha o direito de argumentar o seu (sua) zeladora, a vontade de vestir seu orisa e não uma fantasia sem sentido.

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  6. Meu irmão, motumbá!
    Após ler seu post devo lhe dizer que isso não se dá só com os ogans, mas eu enquanto ekede passo por cada situação na hora de vestir um orisa que vc talvez nem imagine. Sei que muitas da vezes a coisa vem de que está lá dentro do sabagi vestindo os orisas e exagera, mas a coisa piora muito quando o orixa escolhe o que vai vestir e vc vê que aquilo não condiz com seu arquétipo. Digo isso porque se vc tem certeza que está cantando pra omolu e obaluaie por causa da palha devo lhe alertar que nem sempre será assim. Já estive em uma situação que pensei esta diante de esu ou osumaré e até ouvir uma cantiga omulu eu não acreditei estar diante de um orisa tão sério e delicado, vestido de forma totalmente diferente, sem aze e se peneirando mais do que Yansa dançando pra ogun. Emfim, estou certa de que a realidade é outra e que hoje em dia a careta sou eu que procuro dar aos meus filhos um ensinamento arcaico e tradicional, pois assim terei a certeza de estar sendo fiel aos ensinamentos passados a mim pelos mais antigos.
    Um abraço,
    Ekede Vera

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  7. Ekeji Vera, mutunbase, motunba?

    Que bom ver sua participação aqui. Eu imagino, quão constrangedor deve ser para as Ekeji terem que vivenciar isso. A questão é, é Òrìsà? Olha, depois que escrevi essa postagem, muitas pessoas me falaram sobre algumas novidades sobre as vestimentas de Omolu. Graças à meu pai Ògún, jamais tive o descontentamento de presenciar algo assim e, espero jamais ver. Você está certa, tem que plantar a semente nas crianças. Hoje, eu só penso dessa forma, pois meu Pai José Carlos de Ibualamo, desde sempre ensinou à mim e à minha irmã, as regras do tradicional Candomblé.

    Abs.,
    Vinicius

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