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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Um Desabafo sobre a Roupa dos Òrìsàs....(Continuação)

Diante do Comentário de Minha Irmã Luciane de Yewa, no post anterior, achei por bem, respondê-la e complementar alguns pontos em um posta separado, em aditamento ao anterior.

Abaixo, os comentários na íntegra da minha irmã:


Caro e estimado irmão, entendo seu comentário e concordo plenamente e digo ainda que alem de não reconhecermos os orisas pelas vestimentas tradicionais ao qual se distingue um orisa de outro, estamos perdendo suas essências, pois, nada em nossa religião fica sem explicação, desde uma determinada conta (que hoje mais se parecem colares para uso do cotidiano), como o sentido das vestimentas. todas as cores tem suas representações especificas para tal orisa, assim como suas paramentas, pois, me recordo de quando entrei para fazer meu santo, a hoje nossa Iya Egbe Danielle, me ensinava a dançar, ela me explicava os gestos das mãos e dos pés de cada passo me informando o porque de cada detalhe, isto é tão importante quanto as cores e estilos de vestirmos nossos orisas. Mas a evolução da tecnologia não foi tão benéfica neste sentido para nossa religião, pois, hoje vemos orisas com temas cinematográfico, ou seja, se tal orisa pega por exemplo búzios, hj ele sai vestido parecendo um personagem do filme piratas do caribe. E as Osuns de hoje saem estilo baile de mascara medieval, pois, quanto maior o ade maior a auto-afirmação da criatura. Meu querido irmão, não podemos nos esquecer que somos da década de 90 e os da era de 2000, na verdade não estão à frente e sim ficando para traz no quesito essência de orisa. Eu preservo as origem dos nossos ancestrais da forma mais tradicional possível e abomino aos que querem destruir a religião em sua mais pura originalidade, e só sou contra a sua menção sobre nosso Omolu, pois, hj ja tive a infelicidade de ve-lo de mascaras, e acredite ja vi ate azem feito de plástico no lugar das palhas, mas talvez o cavalo tivesse alergia. Parabéns pela sua iniciativa em fazer com que os mais novos saibam que isso que se vê hoje em dia não é a tradição do candomblé, e talvez amanha tenha o direito de argumentar o seu (sua) zeladora, a vontade de vestir seu orisa e não uma fantasia sem sentido.


Minha queria irmã Luciane, não poderia esperar algo diferente de você, quantas lembranças tenho da época em que fizemos santos, separados pelo período de apenas um mês, das apresentações, da labuta na roça...sua bênção. Você tocou em muitos pontos de suma importância que faço questão de comentar, pela ordem:


  “...Estamos perdendo suas essências”: Realmente, ainda no que concerne as roupas, fico lastimado quando alguém me diz que comprou um Sàsàrá ou um Ibiri. Ora, esses dois epítetos, são das representações máxima, dos seus respectivos donos; Omolu e Nana. Vale salientar, ainda, que os mesmos são a própria hierofania desses Deuses. Isto posto, como posso comprar algo que deve ser confeccionado a partir dos elementos mágicos? Nesse momento, deixa-se de lado o sacro para cultuar o profano....


  “...Todas as cores tem suas representações específicas para tal Òrìsà”: Sim, isso é corroborado pelos diversos Itans de Ifá, que discorrem das predileções e interditos no que tange algumas cores para determinados Deuses, mas nesse sentido, em verdade, vale a realização do ego do filho, em detrimento da vontade e cultura do seu Deus...


   “...ela me explicava os gestos das mãos e dos pés de cada passo me informando o porque de cada detalhe, isto é tão importante quanto as cores e estilos de vestirmos nossos Orisas...”: Sim, isso é outro ponto fundamental, mas esses dias conversávamos eu e meu estimado amigo Sasara, seu marido, justamente sobre isso. A cada dia, há o advento de novos passos (anomalias), que emergem da cabeça de alguns, deixando de lado as centenas (sim, centenas) de passos deixados pelos antigos. Quando o fazem, por repetição e simplesmente por repetição, não importam-se em saber o porque daquilo. Utilizo-me, aqui, de uma das dezenas danças de Iroko como exemplo. Na vinda de mãe Cidália à São Paulo, recordo-me de quando Gamo da Paz, entoou três cantigas de Iroko, até então, desconhecidas aqui. Mãe Cidália, levantou-se, dançou e explicou o significado de uma, e das outras duas somente dançou. Hoje, as outras duas cantigas (que não vou escrever o seu significado aqui, mas que você conhece de forma par), são entoadas e dançadas (de forma parecida, mas distinta daquela forma que eu tive a oportunidade de ver), sem ao menos saberem o que estão dizendo, quiçá, a razão daquela dança.... Ou seja, quando alguns fazem (ou tentam fazer), faltam-lhes a humildade de ir “Lese Òrìsà”, junto aos que sabem, para terem o correto entendimento (ensinamento) sobre aquilo. Mas fazer o que? se hoje não aprende-se Lese Orisa, (não generalizo, pois há ainda casas e pessoas sérias, mas a maioria aprende a dançar pelo youtube mesmo).


  “...hoje vemos Orisas com temas cinematográfico, ou seja, se tal Orisa pega por exemplo búzios, hoje ele sai vestido parecendo um personagem do filme piratas do caribe”. Nesse aspecto, repito o que disse infra “vale a realização do ego do filho, em detrimento da vontade e cultura do seu Deus”. Esse exagero inqualificável, faz-me lembrar de uma conversa que tive há alguns dias com dois intelectos dos mais estudiosos do Asè Ibualamo, os soteropolitanos George e Jackson. Os dois comentavam acerca da necessidade que existe hoje em abundar. George e Jackson discorriam que em África, as condições são ínfimas (não, somente hoje, mas sim sempre). A despeito disso, hoje, arriar à Òsóòsì um punhado de feijão fradinho não tem valor, quase não existem mais Amalás com doze quiabos, se não for uma caixa não tem valor.... Acrescento aqui, que vislumbro esses exageros, totalmente inimagináveis na África, como uma supressão da fé, ou melhor, uma busca de supressão da falta de fé. Ou seja, esse incontinenti pensamento de que “o que abunda não atrapalha”, nada mais é que um mecanismo em esconder a falta de fé, por exemplo, em um punhado de feijão fradinho....


  “...e só sou contra a sua menção sobre nosso Omolu, pois, hoje já tive a infelicidade de vê-lo de máscaras, e acredite já vi até azem feito de plástico no lugar das palhas, mas talvez o cavalo tivesse alergia...”. Depois de escrever a postagem, meu Tio Wilson, dileto de minha família, Ogan do Venerável Pai Ninô, me disse exatamente a mesma coisa, para a minha tristeza. Graças à Olodunmare, não tive tamanho desgosto, sobretudo por amar tanto esse Òrìsà, para mim, o mais belo dentre os Òrìsàs, que tive a honra de estar recolhido em minha feitura com uma filha dele, minha irmã Gabriela de Omolu.


O que não podemos olvidar também, é que esse exagero desmedido, desencadeia ainda, um êxodo religioso. Vejamos, a realidade é que hoje, poucos pensam em vestir seus Òrìsàs como ele realmente devem ser vestidos. O que vale, como já dito por você é “alegrar ao cavalo”. Nesse sentido, as pessoas mais humildes (a grande maioria) não possuem condições financeiras de seguir a degeneração cultural e acabam perdendo também a fé no simples e acabam por acreditar que as anomalias são o correto. Desta forma, como eles não podem comprar as edificações (sim, edificações que alguns ainda chamam de “Ade”), ou comprar as saias de R$ 3.000,00, acabam saindo da religião, porque não conseguem se sustentarem na mesma, sendo que possuem vergonha de vestirem suas simples paramentas.


É claro que se um filho tiver melhor condições financeiras, ele pode gastar mais com sua vestimenta, no entanto, dentro do bom censo e da cultura. Mas o que nós minha irmã podemos fazer? Acho que exatamente isso que estamos fazendo! Expondo-nos e expondo nossos pensamentos. O que pensamos é melhor? Não! é somente aquilo em que acreditamos, aquilo que vimos. Um Ogan uma vez me disse: “Vinicius, meu sonho é ver um Candomblé na Casa Branca”. Eu disse à ele, você pode sair de lá, de duas formas: Apaixonado com a simplicidade, com a identificação do Òrìsà em cada elemento usado nas roupas, na decoração, com a fé de pessoas que já passaram por tanta dificuldade, mas que amam sobretudo seus Òrìsàs.... Ou, infelizmente, sair de lá pensando: Nossa!!! essa é a Casa Branca?


Mas não sou Bairrista defensor de Salvador, lá mesmo, em Salvador há centenas de casas que distorcem uma cultura, como há outras que ainda praticam aquilo que viram outrora. Como em SP e no RJ também, há casas e casas. Penso que, quanto mais as pessoas olham à frente, mais busco minha ancestralidade. Somos e seremos alvejados por muitos por essas palavras, pelo nosso discurso, mas conforta-me em saber, que consigo ainda, pensar da forma em que ouvia meu Pai Tarrafa conversando com meu Pai José Carlos de Ibualamo, com minha Avó Célia, com minha Avó Maria. Não importo-me com as críticas que virão, pois orgulho-me em defender o que aprendi com os meus.


Por fim, saiba minha Irmã, que a tenho como irmã mesmo, de uma mesma cultura, da mesma geração e que comunga do mesmo pensamento. Te adoro.


Sem mais.,
Opotun Vinicius

11 comentários:

  1. Só posso dizer uma coisa quanto a tudo isso, Vi: Quando o Orixá parou de SUBIR as cabeças, e o povo passou a VIRAR de santo, as coisas tomaram um rumo... ?????

    Sua benção.

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  2. Pois é caro irmão, fique certo de que esta alturas ja temos muito inimigos, mas penso e compartilho de suas palavras a opinião de alguns não é nada perante a essência dos orisas, pois, podem me odiar, ou me amar, mas jamais deixarei de cultuar os orisas, para bater palmas para mistificações. E fico feliz por meu comentario render mais bons ensinamentos de sua parte viu Pai, a benção.

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  4. Vinicius, concordo plenamente com o que você postou. A indumentária dos Orisá virou fantasia de escola de samba. Interesso-me pela religião dos Orisá desde 1978 e ao longo desse tempo pude presenciar muitos desmazelos, distantes da perspectiva original e tradicional de Orisá, distante dos ensinamentos d'África e de sacerdotes/pesquisadores modernos que tenho/tive a alegria de conhecer: Ìyá Sandra Epega, Babá Ade Rotimi, Babá Ogunjimi, Falagbé Esutumibi (in memoriam), Babá Sikiru Salami. Penso, como você, que Orisá precisa de fundamento e não de luxo. Infelizmente essa perspectiva folclórica se deve, em grande parte, à atuação de sacerdotes despreparados e pseudo-sacerdotes, que devido à publicidade e comercialização da religião, popularizaram essa visão de que "quanto mais lantejoulas e richilieu" mais Asé . . . Não me oponho à evolução natural da religião, já que nenhuma delas pode permanecer imutável para sempre, como a História o tem demonstrado, vez que os homens, as condições sociais e a própria sociedade mudam; afinal os primeiros escravos vindos da África não encontraram aqui obi de quatro bandas, para ofertarem aos seus Deuses, tiveram de se adaptar, como deu, e Orisá soube apreciar essa adaptação e conceder seu Asé aos ancestrais em terras do Novo Mundo. Isso não significa desvirtuar a religião em algo meramente folclórico, transformando, como você bem nota, o sacro em profano. Muito salutares as iniciativas que você e Pai Zé Carlos têm tomado em prol da divulgação das raízes da nossa religiosidade Ketu/Nagô, precisamos, como nunca, de iniciativas que tais, numa era da humanidade em que a religiosidade vai assumir, cada vez mais, papel de vital importância no planeta, transcendendo o ciclo de materialismo e individualidade que estamos deixando para trás, da era que se foi. Numa comparação imprópria, ainda que não de todo descabida, os astrólogos dizem que iniciamos a era de Aquário em que a tônica será a elevação do espírito humano até a Divindade Suprema, pelos mais diversos caminhos da espiritualidadee até da Ciência; então poderíamos cogitar, como adeptos da Religião dos Orisá, que entramos na era de Osumaré (Ika Meji) onde nada mais será como foi . . . Asé, asé, asé !

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  8. Meus caros e estimados polêmicos (Luciane e Vinicius) sem sombra de dúvidas já caíram no desgosto de muitos, que empenham – se na degradação de uma religião milenar, que é a prova da resistência de um povo oprimido, e mesmo com todas as dificuldades e perseguições da época, mantiveram-se irrepreensíveis.
    O desolador é saber que a tradição resistiu aos males de outrora ( que ao meu ver eram muito mais intricados) e não prevalecerá a anomalia atual do egocentrismo, achismo, “papagaismo” (ato de repetir o que viu, ou ouviu dizer sem propriedade, vale lembrar - que nossa tradição é oral, entretanto o papagaismo não é uma característica da oralidade) entre tantos outros pormenores.
    Concordo com você meu caro, quando diz que muitos acabam deixando a religião por não disporem de recursos para acompanhar as tendências “errôneas”, por acreditarem que o errado é o correto. Já ouvi muitos dizerem: Esta religião é para quem tem muito dinheiro, tudo é muito caro, não disponho de recursos para bancar tudo o que é necessário.
    Cabe salientar que alguns sucumbem e se deixam levar, exemplo, a criatura é bem afeiçoada e vai de encontro aos anseios do “líder” religioso, neste caso não é necessário gasto algum, é possível adentrar a maluquice com tudo o que eles acreditam e pregam ser o correto, pular etapas da vida dentro da religião, ocupar cargos de destaque sem o menor preparo, mas este seria assunto para um post futuro, sobre ética e postura.
    Não poderia deixar de citar a outra parte da maça, os que gostam do errado, diga-se de passagem, a banda podre, que cresce copiosamente a cada minuto. Os que disputam a roupa temática e a mais cara, a alegoria mais enfeitada, a performance mais bem executada, o repertório mais completo desde que seja do Asé A, B,C,D...( os tiquinhos da vida ou colcha de retalho como são conhecidos ) e o tradicional torna-se uma mera palavra sem valor.
    Por motivos pessoais não permaneci no na casa a qual fui feito de santo.
    Desde então iniciei minha peregrinação religiosa em busca de conhecimento e propagação do genuíno culto ao orisa, sempre pedindo direção a Osumare (orisa ao qual sou consagrado) que me desse à boa sorte e colocasse em meu caminho alguém que correspondesse aos meus anseios religiosos, para não cair no risco do engano.

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  9. Tive o prazer de conhecer grandes personalidades, que contribuíram significativamente na reformulação dos meus conceitos e parâmetros em ser Omo Orisa.
    Hoje estou sobre os cuidados do meu Sacerdote ao qual tenho orgulho e apreço, meu Pai Xaxará, homem singular no que diz respeito às tradições. Ortodoxo na forma mais exata da expressão, que nos ensina a valorizar e respeitar nossos ancestrais que muito labutaram pela perpetuação do Candomblé.
    Este que ao consultar Ifá em todas as decisões a serem tomadas, ou a cerca de confirmações necessárias, tem o hábito de confirmar com os mais altos dignitários do culto, a cerca de que não haja dúvidas nas predições; com isso aprendo que não existe ser absoluto, e os meus Agbas estão aqui!
    O Homem que ao ouvir as cantigas de Omolu, Iroko, e Osun quer onde seja posta sua fronte em reverência, e tira os calçados em respeito aos Orisas patronos da nossa família de santo, fica o exemplo de que mesmo com certo tempo de santo e dado conhecimento, reverenciar e ser humilde perante o Orisa não nos diminui em nada.
    Posso dizer ainda que meu Pai não utiliza rótulos (deixemos os rótulos para as maioneses, extratos de tomate, refrigerantes, etc) seu nome basta, assim como nossa matriarca Mãe Cidália de Iroko, grande personalidade e dignitária, possuidora de vasto conhecimento a respeito do culto aos Orisas, e que mantém viva as tradições e ensinamentos daqueles aos quais não tivemos a boa sorte de alcançar em vida.
    As vestimentas e indumentárias também são alvo de sua preocupação, meu pai nos ensina a prezar pelo belo e particular de cada Orisa, nada que fira o regulamento.
    Possuidor de um vasto repertório de cantigas preocupa-se em seguir uma seqüência elucidando e narrando os itans da divindade a qual esta cantando, sem se preocupar em disparar uma seqüência de cantigas a seu bel prazer, para mostrar o quanto é bom cantador.
    Estas entre outras caracteríscas são intrínsecas de sua personalidade, o que muito me inspira e orgulha em ser seu Omo Orisa, fui contemplado pelos deuses em trilhar o caminho ao qual julgo ser o certo.
    Rogo aos Orisas que tantos outros Vinicius, Lucianes, Xaxarás, Georges, entre outros, levantem-se, surjam, nossa religião necessita de adeptos semelhantes na forma de pensar e agir.
    Nossos Orisas merecem o melhor, desde que o melhor esteja dentro dos padrões convencionais, e contextuais, não ferindo princípios básicos e não ferindo o regulamento.
    Abaixo a fogueira da vaidade, do achismo, do egocentrismo, e de todos os “Ismos” que deturpam nossa religião.
    Será necessário movimentos em prol do resgate do candomblé de outrora?

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  10. Arakuenan,

    Compartilho da sua visão, em que parte isso se deve a publicidade e comercialização da religião, penso ainda, que há algo que também contribui de forma intensa para esse processo, “Iwá”, ou melhor, a falta de Iwa Pele. Você mencionou Falagbe Esutunmibi. Recordo-me à época em que ele, o saudoso Ribas de Esu, tomou obrigação com o meu pai. Eu era adolescente, e ficava horas conversando com ele. Em nossas conversas, ele sempre mencionava Iwa Pele, como base fundamental não somente da nossa religião, mas para o futuro da mesma e dos sacerdotes. Mas hoje, será que as pessoas sabem o que é isso? Lembro-me também, quando ele falava sobre a evolução natural da religião e, citava com propriedade os versos de Ifa: Ifá é o senhor do hoje, do amanhã e do depois de amanhã!

    Fato é que não estamos tendo a mesma sabedoria dos nossos ancestrais em saber nos adaptar. Eles foram sábios em escolher uma árvore no Brasil para cultuar Iroko, não deixando o culto se perder. Foram sábios, com uso do Obi conforme mencionado por você. Mas estamos “pesando no sal” com a “mudernidade” e, principalmente com a falta de religiosidade.

    Mas hoje, estou muito feliz, feliz em ver que há tantas pessoas que se preocupam com essa questões, que querem resgatar. Não há como fazermos como na áfrica, mormente, por não estarmos na áfrica, mas sim, há como resgatar muito daquilo que aqueles grandes sacerdotes trouxeram quando chegaram aqui.

    Fiquei muito contente e feliz com sua postagem e, torço para que você continue visitando esse Blog.

    Abraços,
    Ogan Vinicius

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  11. Dan, meu amigo,

    Em verdade, corroboro com a sua idéia que eu e minha irmã Lú, caímos no desgosto de muitos – rs. Você tocou em um ponto de suma importância, realmente, nossa religião resistiu a coisas muito piores, por exemplo, a segregação e a escravidão. Mas porque hoje, talvez não resista? Tenho para mim que, mesmo com todo o sofrimento daqueles sacerdotes à época, eles mantiveram a cultura porque amavam verdadeiramente o Orisa, mas e hoje? Hoje o cidadão está no candomblé, por status....

    Olha, você quer que eu vá para a inquisição me sugerindo realizar um post sobre: “Cabe salientar que alguns sucumbem e se deixam levar, exemplo, a criatura é bem afeiçoada e vai de encontro aos anseios do “líder” religioso, neste caso não é necessário gasto algum, é possível adentrar a maluquice com tudo o que eles acreditam e pregam ser o correto, pular etapas da vida dentro da religião, ocupar cargos de destaque sem o menor preparo, mas este seria assunto para um post futuro, sobre ética e postura”..

    Mas como sou filho de Ogun, o fogo não amedronta-me e, sim, vou escrever algo sobre o tema de elevada importância.

    O pior Dan, é que a dita “banda podre”, conforme você bem disse, cresce copiosamente.......conforta-me por outro lado, que aos poucos, pessoas que ainda pensam a religião como ela é, ainda bradam à busca da sanidade entre os loucos.

    Pois bem, siga sim esse meu grande amigo Sasara, Ortodoxo, no conceito mais amplo da palavra e que admiro sobremaneira. Valho-me das suas palavras:

    “Nossos Orisas merecem o melhor, desde que o melhor esteja dentro dos padrões convencionais, e contextuais, não ferindo princípios básicos e não ferindo o regulamento.

    Abaixo a fogueira da vaidade, do achismo, do egocentrismo, e de todos os “Ismos” que deturpam nossa religião.”

    E a resposta é sim! Sim, precisamos de movimentos em prol do resgate do Candomblé de outrora e, URGENTE!!!!

    Abs.,
    Vinicius

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