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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Os Toques do Candomblé Nàgó Ketu

Amigos,

Retorno nesta postagem, para comentar desta feita, acerca dos toques de Candomblé. Ater-me-ei, somente àqueles executados nos ritos das chamadas “Comunidades Nago-Ketu”, incluindo desta forma alguns toques de origem Fongbe (Jeje), Ijesa e o Barra-Vento, muito provavelmente de origem Kongo-Angola.

Quero com essa pequena postagem, somente chamar atenção aos Ogans, para o grande número de toques que temos e, que, infelizmente, estão sendo esquecidos pela maioria.

Afirmo isso, pois sou procurado por Ogans para ministrar aulas e, quando os indago sobre seu maior interesse rítmico, em suma, a resposta concentra-se em poucos toques, geralmente a Hamunya (as sonhadas 17 passagens de Iroko), o Adahun (Toque com poder sobremaneira evocativo que, nós Nago, absorvemos dos Fongbe) e, mais recentemente, o toque de Nana, da cantiga “Toke Dajuwá”.


Essa ideia é corroborada, ainda, nas minhas visitas à algumas casas, onde observo que muitas cantigas com toques específicos, são entoadas, no entanto tocadas de forma errônea, simplesmente pelo fato desses Ogans jamais terem escutado a forma correta (excetuo desse comentário, as distinções de toques, em consonância a tradição do Asè).

Não vejo problema algum, no interesse acerca dos toques mencionados acima, muito pelo contrário, contudo, há uma gama de outros toques, muito mais usuais que, por exemplo, as 17 passagens da Hamunya, e que poucos sabem tocar e que, muitos nem sabem que existam, como é o caso do Ijesa de Logun Ede, totalmente distinto do Ijesa de Osun.

Neste tópico, então, desejo somente enumerar os toques que tive a honra em aprender com os meus mestres.

Para facilitar o entendimento, não vou mencionar o nome de todos, mas sim, aludi-los por meio de excertos de cantigas, permitindo dessa forma, uma breve associação de que toque estou enumerando.

Espero desta forma, abrir aos Ogans e interessados de modo geral, na arte musical dos atabaques, um leque de possibilidades, um leque de estudos, para aperfeiçoamento e indagação aos seus respectivos mestres do Atabaque, ramificando dessa forma, os estudos musicais.

Abaixo, a lista de toques do tradicional Candomblé Nago-Ketu.

1) O Toque de Esu (da cantiga: Ogo Mgo Rongo).
2) O Toque de Guerra de Ogun (Lagun-lo)
3) O Toque de Guerra de Ogun (Vasi, distinto do Lagun-lo)
4) O Toque de Osoosi (Agéré)
5) O Toque de Caça de Osoosi (da cantiga: arawara tafa roda, totalmente distinto do toque de guerra de Ogun).
6) O Toque de Osoosi (da cantiga: Alaketu Re, Faraimora);
7) O Toque de Obaluwaiye (Opanije);
8) O Toque de Obaluwaiye (da cantiga: Modagolona Kewa Saworo, dentre outras);
9) O Toque de Obaluwaiye (da cantiga: Omolu Pajuba);
10) O Toque de Obaluwaiye (da cantiga: Akake Ba Iwa-o);
11) O Toque de Obaluwaiye/Nana (das Cantigas: Onilewa Lese Orisa de Obaluwaiye e, Fonfon Gere de Nana, detre muitas);
12) O Toque de Nana (da cantiga: Toke Dajuwá);
13) O Toque Awo de Osanyin (das cantigas de Sasanyin);
14) O Toque Awo de Sango (da cantiga: Edi Mama Jagbo Tapa, Tapa, dentre outras);
15) O Toque Awo de Osala (da cantiga: Motibi-o, entre outras);
16) O Toque Sató;
17) O Toque Bravun;
18) O Toque Savalu;
19) O Toque Adahun;
20) O Toque Tonibope;
21) O Toque Modobi;
22) O Toque de Oba (das cantigas do Sire: Oba Eleko, dentre outras);
23) O Toque de Yewa (das cantigas do Sire – Yewa Yewa Majo, dentre outras);
24) O Toque de Yansan (das cantigas do Sire: Oya Koro Mle, dentre outras);
25) Toque de Yansan (Hun: da cantiga Oya Tete, por exemplo, entre muitas);
26) Toque de Yansan (Ilú ou Daró);
27) Toque de Yansan (da cantiga: Onira Agbo);
28) Toque de Yansan (da cantiga: Janbele Janbe);
29) O Toque de Osun (Ijesa);
30) O Toque de Logun Ede (Ijesa, distinto do de Osun);
31) O Toque de Osun (da cantiga: Sansan);
32) O Toque Barra-Vento (de Osun e Logun-Ede);
33) O Toque de Yemoja (Jika);
34) O Toque de Yemoja (da cantiga: Ogera Orisa);
35) O Toque de Yemoja (da cantiga: Awoyo Oge);
36) O Toque de Sango (Alujá);
37) O Toque de Sango (da cantiga: Firiman, Firiman);
38) O Toque Agabi (tocado com as mãos, para Sango, Ogun);
35) O Toque de Iroko (da cantiga: Iroko Posu Madobe);
36) O Toque de Iroko (da cantiga: Torode)
37) O Toque Hamunya;
38) O Toque Bata de Osala/Osun;
39) O Toque Bata de Nana;
40) O Toque de Osala (Igbin);
41) O Toque de Osala (da cantiga: bareré, entre outras);
42) O Toque de Osogiyan (Guerras, distintas das guerras de Ogun);
43) O Toque de Osogiyan (da cantiga: Agba kaka);
44) O toque das Cantigas de Osoosi (da cantiga: Mabose Yin Se Loko, entre muitas);
45) O toque das Cantigas de Osun (da cantiga: Maboiya, entre outras, toque disto do toque mencionado acima de Osoosi);
46) O Toque de Osun (da cantiga: Larete);
47) O Toque da Cantiga de Osumare (Morekun-o >, disto do bravun e sató);

Bom acho que estou me esquecendo ainda de um dois, mas a memória me falha, além de outros que ainda não tive a oportunidade de aprender e, ainda, além de outros que devem ter ficado na mente e mãos dos que já se foram...

É importante frisar que, muitas das bases (hunpi e hunlé) dos toque mencionados acima, são os mesmos em alguns toques, sendo que em outros o Hunpi e Hunlé são distintos, à exemplo do Agéré e do Ijesa.

Há, outrossim, alguns exemplos que o Ogan deverá saber em qual momento deverá fazer uma passagem e em quais não. Esse tema, em verdade é longo e fascinante.

Destarte, a mensagem que quero deixar é de que, há muito, muito para todos nós estudarmos, aprofundarmos a diferença entre os toques, entre as passagens, entender que o toque de caça não é o mesmo de Guerra, que a guerra de Osogiyan, não é a mesma das de Ogun e, por aí vai.


Quero também, que esse tema sirva de reflexão aos Sacerdotes, de modo que os mesmos, tenham a real percepção da importância da música em suas sociedades religiosas e, valorando e incentivando àqueles que buscam por esse conhecimento!

Espero ter contribuindo um pouco com esse tema, tão pouco abordado e, quase já esquecido, mas tão importante!

Sem mais.
Opotun Vinicius

5 comentários:

  1. Quando estive na roça há pouco tempo, tive a oportunidade de receber um pequeno aprendizado sobre essa diversidade e a riqueza na qual se consiste a música sacra dos terreiros de candomblé. e atento às tradições e tentando mantê-las, meu irmao e mestre Vinicius, me proporcionou ouvir um grande número de toques para q eu tivesse essa percepção. agradeço aos orixás por estar onde estou hj. e parabenizo muito o Vinicius pelo seu estudo e tb, por não se omitir ao ensino (para aqueles q realmente o desejam para cultuar cada vez melhor os nossos orixás) para os seus pares. mais uma postagem concisa, com um aprofundamento q poucos nos concedem. Asé o!

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    1. Ozymandias,

      Você é suspeito para falar.... Muito obrigado!!!! Sempre!!!!

      Abs.,
      Vinicius

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  2. Obrigado por esclarecer minha duvida.E ter aberto meus olhos para outras curiosidades,confesso que eu fiquei um pouco confuso mais vou correr atraz de apreder espero um dia poder conheçer o sro,e agradecer pessoalmente o trabalho que voce Vinicis faz.

    Meus Respeitos Jaime Narciso

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    Respostas
    1. Narciso,

      Fico muito contente quando vejo alguém participando ativamente aqui e, de alguma forma, esclarecendo um pouco de dúvidas. Em verdade, para compreender de forma plena é necessária a audição dos toques e, sobretudo, o auxílio de um mestre que tenha o conhecimento para passar. Mas um dos principais objetivos desse blog, é justamente abrir os olhos de muitos, sobre os inúmeros toques, a centenas de variações, etc. Exponha suas dúvidas que, podem eventualmente virar uma postagem. O que eu puder ajudar, estou por aqui.

      Abs.,
      Vinicius

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  3. A bença meu velho...

    Eu lembrei de alguns toques que eu acho que integram essa "pequena" lista, pois sao toques distintos dos citados, me corrija se eu estiver errado... Minha intenção eh apenas contribuir...

    Awo de Nana - "E di mossokun omorode",
    toque de Sango - "E un ala rao"
    Logun Ede - "Ta nu abe akofa"
    Osun - "Moyo moyo bi ole moyo"

    Abraços, Afikode

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