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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Gamo da Paz, a História do Maestro dos Atabaques

É com grande satisfação que, hoje vou discorrer um pouco sobre o maior Dobrador de Hun da atualidade, o virtuosíssimo Evilásio Manoel da Paz, popularmente conhecido como Gamo da Paz. Mas, como veremos adiante, o perfeccionismo à frente dos atabaques, não é única atribuição singular deste que, considero um dos maiores exemplos a ser seguido, não somente pelos Ogans, mas também pelos Sacerdotes e adeptos do Candomblé de modo geral.
Gamo da Paz nasceu em Salvador - Bahia, aos 29 dias de maio de 1.964, sendo iniciado no Tradicional Culto aos Òrìsàs, no Ilé Ìyá Omi Asè Mase, o Gantois, por Mãe Menininha. Mas a história de Gamo inicia-se muito antes da sua entrada oficial no Candomblé, em 1.977.

Seu Pai, o venerável Manoel da Paz (Paizinho Pai Preto), também filho dileto do Gantois, detentor do título honorífico de “Fósókun” foi um dos mais aclamados e respeitados Ogans da Bahia, se vivo fosse, estaria hoje com 101 anos. Nesse aspecto, basta recordar que Pai Preto, foi um dos mestres de Ogans como meu tio Erenilton e Geraldo Macaco (i.m.), logo, o preciosismo e doutrina religiosa apresentados por Gamo, mostram-se intrínsecos do seu sangue, herdado de seu Pai, Manoel da Paz e, de seus ancestrais que contribuíram para a edificação da cultura dos Òrìsàs no Brasil. Foto: Manoel da Paz – Paizinho Pai Preto.

Sua mãe, Maria Niceta da Paz, filha de Yemoja, era Ìyároba do Gantois. Coincidência ou não, sua mãe fora confirmada junto com outro Mestre dos Atabaques, o grande Hubaldo que, vale destacar, foi confirmado para ser Ogan do santo da irmã de Gamo, também do Ilé Ìyá Omi Asè Mase. Foto: Ogan Hubaldo tocando o "Vencedor", Hun do Gantois.

Quando criança, no Alto da Federação, era chamado de “Lazinho” ou “Senzala”, apelido dado por Gabi Guedes, seu amigo e irmão de santo. Foi nessa época em que o franzino menino, iniciou o seu processo de aprendizagem, que o tornaria futuramente, respeitado e admirado por Ogans de todo o País e, do mundo a fora. Foto: Gabi Guedes.

Infelizmente não teve a oportunidade de aprender com seu Pai, Manoel da Paz, que partiu do Aye para o Orun, quando Gamo ainda era criança, mas mesmo do Orun, seu pai o encaminhou para trilhar os seus mesmos passos. Desta forma, o menino Gamo aprendeu a arte musical dos Òrìsàs, com aqueles que foram e, ainda são considerados, os Maiores Tocadores de todos os tempos, Euvaldo Freitas dos Santos, o célebre Vadinho Boca de Ferramenta e seu irmão Hélio dos Anjos. Foto: Ogans Dudú, Hélio e Vadinho.

Gamo diz que Vadinho era sem-igual no Hun, mas menciona também, que até hoje não consegue imaginar como o seu outro irmão, Dudú, conseguia tocar de forma tão surpreendente com a mão esquerda.

Sobre o Mestre Vadinho, Gamo comenta que ele e o Hun pareciam ser um só, não havia diferença, ele tinha intimidade com os dois mais famosos Hun da Bahia, o “Busca Longe” e o “Vencedor”. Recorda-se que, quando Vadinho descia do atabaque, ele o empurrava para um lado parecendo que ia deixar o instrumento cair, mais isso jamais aconteceu. Ele então, impressionado, ficava tentando fazer a mesma coisa, pedindo para alguém ficar à frente do atabaque, mas confessa que, nunca conseguiu fazer, mas que graças aos Òrìsàs, tinha alguém para segurar o instrumento (risos). Foto: Vadinho Boca de Ferramenta.

Diz ainda que, Vadinho tinha um jeito muito peculiar de afinar os atabaques.

Ele batia os birros do atabaque com as mãos, em uma seqüência única. Pronto, o atabaque estava afinado! – simplesmente algo impressionante”, comenta Gamo da Paz.

Ainda sobre Vadinho, narra que o mesmo tinha uma grande postura na sala e que, comandava o Candomblé como poucos. Diz que antes de começar o Candomblé, Vadinho ia ao Hun, e com um toque específico, chamava-lhe para acompanhá-lo e dizia “Ôia Ôia Menino...”. Diz que nessa época, levou muita “Agidavizada” na perna para aprender, mas que tem muita saudade desse tempo.

Mas até chegar ao perfeccionismo, o processo de aprendizagem do menino Gamo da Paz, foi longo. Hélio dos Anjos, um de seus mestres, era um ortodoxo Ogan do Gantois. Diz que, por vezes, ele olhava para Gamo e dizia:

Menino, eu olhei para o lado e você não estava, para onde você foi? Você tem que ficar aqui, do meu lado, não pode sair não. Sempre que eu olhar para o lado eu tenho que ver você por aqui”.

Diz também que o mestre Hélio gostava de pontualidade e, não admitia atrasos.

Ele marcava comigo (Gamo) e com Gabi, se agente chegasse 2 minutos atrasados, pronto, ele dava uma bronca daquelas, mas bronca forte mesmo, não dava mole não, era linha dura. Ele até parecia que era nosso patrão – risos.” Foto: Gamo e Gabi.

Ainda sobre Hélio dos Anjos, Gamo diz:

Vinicius, o homem era muito elegante. Ele chegava ao Candomblé de terno branco – impecável – e de chapéu. O sapato dele brilhava tanto, que agente conseguia até se enxergar nele, parecia mais um espelho”.

Sobre isso, Gamo, o Grande Maestro dos Atabaques, completa:

Mas era muito bonito, você não via um Ogan de camiseta, ou de calça jeans. Eram todos muito elegantes, mesmo naquele calor de Salvador, os Ogans todos muito bem vestidos e muito sérios, uma postura difícil de se ver – o Candomblé precisa resgatar tudo isso”. Foto: Gamo da Paz.
 
Como vemos, não foi somente a Arte dos Atabaques que Gamo aprendeu com seus Mestres. Quem teve a oportunidade de presenciá-lo à frente de um Candomblé, logo vê que ele herdou a seriedade e responsabilidades dos seus antigos mestres. Ao Hun, à exemplo de Hélio, sempre muito elegante, seja com sua roupa social, seja com os seus trajes africanos. Sobre isso, o Maestro diz:

Naquela época não tinha roupas africanas, as coisas não chegavam aqui fácil não. Então, eles usavam aqueles ternos, todos alinhados, mas se tivesse as roupas africanas, certamente eles usariam”. Foto: Gamo da Paz

Além disso, possui uma generosidade em transmitir o conhecimento como poucos. Certa ocasião, quando eu entoei uma determinada cantiga, em uma festa, ele me chamou e disse:

Vinicius, sei que você é um menino que é interessado no nosso Candomblé, então eu vou lhe dizer uma coisa. Não cante mais aquela cantiga naquele momento, pois a hora dela é outra, nesse outro momento (me explicou a situação) você pode cantar sem problemas”.

Agradeço não somente a esse ensinamento, mas outros que me passou, como por exemplo, me explicando a diferença entre os toques de Ògún – para eu me atentar para não cometer erros; as dezenas de histórias que me contou, lembrando-se dos seus momentos de infância, que dariam tranquilamente  para escrever um livro. Agradeço, outrossim, ao Babalòrìsà Sàsàrá, amigo em comum, por ter tanto desejado minha aproximação com o Maestro Gamo.

Por isso, digo que esse senhor, que considero o Maestro dos Atabaques, é muito mais que um Dobrador de Hun e deve sim, ser um exemplo à ser seguido, nos diversos âmbitos da nossa Religião.

Mas Gamo, não aprendeu ouvindo somente Vadinho, Hélio e Dudú. Comenta que, meu Tio Erenilton, o Elemoso da Casa de Òsùmàrè, também foi uma fonte de inspiração:

Quando Erenilton subia no Hun ele se transformava. Quando ele era mais jovem, ele tocava um Jiká que eu ficava impressionado, era um espetáculo. Esse Jiká que eu toco hoje, eu aprendi ouvindo Erenilton, um Grande Ogan que admiro e respeito muito”. Foto: Ogan Erenilton.

Mas não foi somente com os Grandes Ogans do Candomblé que Gamo aprendeu. Em seu leque de mestres, conta ainda com a Agba Njena do Gantois, Mãe Cidália de Iroko. Nesse aspecto narra:

“Poxa, ela me ensinou muito, você não sabe o tempo que demorei para aprender a pronunciar a palavra Ahwan, de uma cantiga de Iroko do jeito que ela queria, tinha que ser daquele jeito e daquele ritmo, senão, ela não ensinava outra não. Eu ficava tímido, falava muito baixo, então ela dizia: Fale alto menino. Eu ia para a casa dela e lá ela me ensinou muita coisa, as cantigas que abrem o Odun da casa, as de Iroko,as cantigas antigas, me incentivava à cantar. Ela me deu muito suporte dentro do Candomblé”.

Gamo comenta ainda, em relação a Hamunya de Iroko, ensinada por mãe Cidália.
       
Aprendi a marcar a Hamunya com ela e digo mais, não foi nada fácil aprender todas as passagens de Iroko, demorei muito tempo. A festa de Iroko era muito esperada, aquela roça ficava cheia de gente de todos os lugares, todo mundo queria ver Iroko dançar, era muito lindo – ela ensaiou 9 meses com Vadinho para aprender a dançar, aí aprendeu a marcar também as passagens no Hun, me ensinando”. Foto: Mãe Cidália de Iroko.

Aliás, concernente à Hamunya cabe um destaque a parte. Eu comento que na Hamunya, ele deixa de ser Gamo e é tomado por uma força maior – A Força dos Òrìsàs. Na verdade, quando ele toca a Hamunya, ele está no seu momento mais próximo com as Divindades Africanas, momento em que ele, só enxerga à sua frente o Òrìsà. Foto: Hilda da França, então Ìyákekère do Gantois, Dançando Hamunya.

Ainda nesse aspecto, acredito que ele também tenha herdado isso de Vadinho, pois certa vez me disse que quando Vadinho tocava, ele era tomado por algo maior e que não gostava que ninguém conversasse com ele, que não gostava de ninguém na frente dos atabaques. Quando alguém ia falar com ele aos atabaques, ele logo cortava dizendo:

Estou marcando para o Òrìsà não me interrompa agora não, olhe o Òrìsà na sala”.

Essa é uma experiência que acredito que todos os Ogans deveriam passar. Ver esse Grande Maestro, ao Hun, executando suas complexas variações na Hamunya. Ver o “chicote”, bem como, a agilidade com que leva o Agidavi da madeira à pele do atabaque, algo praticamente inexecutável para os comuns. Foto: Gamo da Paz, marcando a Hamunya.

Mas Gamo não aprendeu somente a Arte dos Atabaques. No longo processo de aprendizagem, adquiriu conhecimento sobre as cantigas e obrigações, nesse aspecto, comenta com muita honra e orgulho, sobre seus outros dois Mestres, que tiveram um papel de fundamental importância, na sua formação religiosa. São eles: Ogan Edinho Carrapato e Jorge Cerqueira de Amorim (Jorge Baba), filho do respeitadíssimo Babalòrìsà Manoel Cerqueira de Amorim, o Pai Nezinho de Ògún. Foto: Gamo Cantando Candomblé.

Sobre seu Mestre Edinho, Gamo com muita gratidão e, emocionado comenta:

“Meu Mestre Edinho Carrapato, um homem de grande coração, que andou muito com o meu Pai (carregava o Mokó dele) e era muito amigo do meu Mestre Vadinho. Edinho me ensinou muita coisa, dos segredos da religião, ele sempre gostou de mim. Muito do que eu sou hoje no mundo do Candomblé, eu devo a Edinho Carrapato”. Foto: Ogan Edinho Carrapato

Gamo comenta ainda que, quando jovem as pessoas não sabiam que ele já tocava. Edinho então fazia com que ele tocasse nas casas de amigos, conforme narrativa abaixo.

Vinicius, quando tinha Candomblé na Linha 15, meu Mestre Edinho me chamava para acompanhar ele. Naquela época, só tinha os bambas no Candomblé, nós íamos à Casa de Òsùmàrè, na Muriçoca, na Casa de Seu Camilo da Vila América, na Casa Branca, aqueles grandes Candomblés. As pessoas não me conheciam, mas quando Edinho chegava, eles entregavam o Agidavi para ele tocar, porque o pessoal o respeitava muito. Ele pegava o Agidavi, batia no meu peito e dizia: Vai lá menino, toca aquele Hun. Quando os Ogans olhavam para mim, já iam perguntando à Edinho: Quem é esse menino? Ele vai tocar aqui? Meu Mestre então dizia: É o filho de Pai Preto e, ele vai subir nesse Hun; eu então tocava”

Comenta de um episódio na Casa Branca do Engenho Velho, quando o grande Jorge Alagbé, tirou o Agidavi de sua mão.

“Lá você só toca se for muito amigo da casa mesmo, não é qualquer um que sobe naquele Hun da Casa Branca não. Eu fui ao Engenho Velho com Edinho. Quando chegamos lá, Jorge Alagbé entregou o Agidavi à Edinho, ele pegou, bateu no meu peito e entregou para eu tocar o Hun. Como eles não me conheciam, Jorge Alagbé pegou o Agidavi da minha mão e disse que eu não ia tocar lá não. Edinho falou: Esse é o filho de Paizinho Pai Preto, ele vai tocar. Eles pediram para eu tocar o Agéré. Edinho então disse: Ta vendo aí? Ele é o filho de Pai Preto, tá vendo o Agéré do menino? Mãe Nitinha, que também foi uma pessoa que me ajudou bastante, disse: Você é filho de Pai Preto menino? Então ela pegou Eu e Edinho e, nos levou para comer com ela, na casa dela. Poxa, ela era uma pessoa muito querida”. Foto: Ogans da Casa Branca.

Diz ainda, que Edinho Carrapato se preocupava com a segurança dele:

“Uma vez, nas Casa de Seu Camilo da Vila América, quando acabou a festa, meu mestre Edinho me chamou e disse: Você vai embora como menino? Eu respondi que ia andando pela Vasco da Gama. Ele falou: não! é perigoso andar sozinho! Então ele chamou um homem que estava de carro e disse: Leve esse menino para o Gantois. É por isso que eu digo, ele tem um grande coração”. Foto: Pai Camilo da Vila América

Sobre Jorge Cerqueira de Amorim (Jorge Baba), Gamo comenta:
“Vinicius, eu não andava com criança não, eu sempre dava um jeito de me enturmar no meio dos antigos. Jorge Baba, foi uma pessoa que me orientou muito, me disciplinou bastante, ele não me deixava ficar do lado de fora do Candomblé não. Ele não deixava eu me misturar com gente ruim, de má índole, de má fé, que usava drogas, essas coisas. Além disso, ele desde novo aprendeu muito sobre o Candomblé. Ele me ensinou muita coisa, cantigas, obrigações, fundamentos. Ele é um Grande Mestre que me ajudou muito também. Foto: Jorge Cerqueira de Amorim, diante de Mãe Menininha.

Ainda sobre seu Mestre Jorge, fala:

Ele ia para o Gantois, passava dias em época de obrigação. Ele me acordava cedo (cedo mesmo – de madrugada), para agente ir pegar folhas, essas coisas. Ele sempre falou que tinha que ser antes do sol nascer, em silêncio, em jejum, sem escovar os dentes, etc. Ele é muito sério com as coisas do Òrìsà, e me orientou bastante. Além disso, ele me levava para acompanhá-lo nas obrigações do pessoal de Pai Manoel que ele cuidava em Salvador, me levava também na Muritiba – carreguei muito ebó que ele fazia - risos”. Foto: Gamo da Paz.

Ele dizia, ainda:

Gamo, faça tudo sempre pensando no Òrìsà, pois quando você coloca o Òrìsà em primeiro lugar, tudo vai dar certo. As pessoas que colocam o dinheiro em primeiro lugar, um dia, lá na frente, eles vão ter a resposta do santo, então sempre faça pelo amor ao Òrìsà.

Ainda sobre o amor ao Òrìsà, recorda-se também da postura da sua Ìyálòrìsà, Mãe Menininha:

Mãe Menininha, não botava preço, pra ninguém. Nem para o pessoal como ACM, Jorge Amado e tantos outros. Muitas vezes, muitas vezes mesmo, Mãe Menininha mandava pegar as coisas da casa, para fazer obrigação para alguém que estava precisando. Muita gente diz que esse pessoal famoso deu nome à Mãe Menininha, mas não, foi mãe Menininha que tornou eles grandes” – Emocionado, Gamo finaliza: “ela era assim um ser humano do bem”. Foto: Mãe Menininha do Gantois.

Comenta também, sobre a preocupação de Mãe Menininha, com os seus filhos.

“Vinicius, ela queria o bem do seu povo. Minha mãe me contou, que Mãe Menininha era muito influente com o pessoal das Docas, então, ela rubricou um papel, para o meu Pai, Manoel da Paz, arrumar o emprego lá nas Docas. Ele apresentou essa rubrica de Mãe Menininha e conseguiu o emprego. Você pode ver, que teve muitos Ogan do Gantois, como seu Nincanor que, também trabalhava lá, tudo por influência dela”.

Gamo faz questão de reverenciar também, as duas filhas de Mãe Menininha, Mãe Creuza e a atual Ìyálòrìsà do Gantois, Mãe Carmem:

“Mãe Carmem é minha mãe pequena, me ajudou muito me ensinou muito e sempre me botava no meu lugar. As vezes ela falava: Gamo, você não pode ficar aqui não, ainda não está no seu tempo. Depois dos meus sete anos, ela falava, agora você pode ficar por aqui, ela é uma pessoa muito boa”. Foto: Mãe Carmem do Gantois.



Sobre Mãe Cleusa, emocionado comenta:

“Vinicius, eu fui dar dobale à Mãe Cleusa, ela estava lá perto do refeitório, quando eu cheguei lá, estavam Tia Bida e Mãe Estela sentadas ao lado dela. Quando pedi a bênção ela olhou e disse às duas: Vocês estão vendo esse menino? Ele é meu braço direito, filho de Pai Preto. Poxa, eu fiquei muito envergonhado, mas emocionado em  ouvir ela falar isso. Aí, Tia Bida levantou os braços, do jeito que ela fazia e disse à Mãe Estela do Opo Afonja: Que coisa bonita, veja só que coisa bonita que minha comadre falou desse menino, que coisa bonita. Ave Maria! Ave Maria”. Foto: Mãe Cleusa do Gantois.

Em relação a Mãe Bida, Gamo também tem boas lembranças:

“Nós íamos à Muritiba, na casa de Pai Manoel, ela recebia agente na porta. Ela logo ia dizendo: Ave Maria! Que coisa bonita! a matriz veio visitar a filial, Oke Aro! Oke Aro! Oke Aro! Eu não sabia onde colocar a cara, só gente antiga: Ìyá Cacho, D. Baratinha só esse pessoal antigo, eu morria de vergonha”. Foto: Mãe Bida da Muritiba.

E foi dessa forma, convivendo com antigos, aprendendo com os Grandes Mestres como Vadinho, Hélio, Dudú, Edinho, Jorge Baba; o Filho de Paizinho Pai Preto, iniciado por Mãe Menininha, o Lazinho da Senzala, tornou-se o Maestro dos Atabaques, ou seja, o Maior Dobrador de Hun do Candomblé Tradicional Nago-Ketu.

Embora esse título seja notório e reconhecido por muitos, Gamo da Paz o refuta. Aliás, é importante frisar que, além de exímio tocador, Gamo da Paz é uma das pessoas mais humildes que tive a honra de conhecer. Sereno como seu Òrìsà, Gamo não se vislumbra com os elogios à sua pessoa ou ao seu atabaque. Muito centrado, sempre que elogiado, faz questão de lembrar que há muitos outros grandes tocadores. Sempre recorda que quando chegou ao Gantois, já encontrou por lá seus irmãos Gabi e Robson. Sobre seus irmãos ele diz:

Meu irmão Gabi herdou o jeito de Vadinho. Você vê o Gabi tocando no Pradarrum, se mexendo para um lado e paro o outro, que não consegue ficar parado? É mesma coisa que ver Vadinho, ele pegou isso dele – Vadinho era assim. Já meu irmão Robson toca como Hélio, sério, nem se mexe, não sorri, igual à Hélio – se parar pra ver, nós três pegamos muitas características dos nossos mestres”. Foto: Os três alunos de Vadinho: Gabi, Robson e Gamo.

Ainda sobre Gabi e Robson, Gamo da Paz completa:

Vinicius, quando eu cheguei ao Gantois eles dois já tocavam, eles foram uma grande fonte de inspiração para mim. Gabi mesmo, ensaiou muito Iyawo no Gantois, ele ia lá nos pefuré e ensaiava o pessoal”.

A humildade é realmente uma característica de Gamo da Paz. Recordo-me que, há 10 Anos, por ocasião da obrigação de Sàsàrá, o encontrei pela primeira vez. Quando me apresentei, ele pegou uma cadeira e disse: “Sente-se aqui, você é meu parente”.

Mas, além de humilde, classificaria Gamo como um Religioso Ortodoxo. Quem já teve o privilégio de vê-lo à frente de um Candomblé, ou conversou com ele sobre a nossa religião, pode tranquilamente confirmar isso. Gamo é um daqueles poucos tocadores que fica atento à vontade dos Òrìsàs e que, sobretudo, ama as Divindades do Candomblé. Resumidamente, ele tem Fé pelos seus Deuses.

Recordo-me que, quando do lançamento de um modelo de atabaques em SP, Gamo, visivelmente emocionado me disse:

Vinicius, quando eu fui morar nos Estados Unidos, eu pedi muito aos Òrìsàs. Pedi muito à Òsàlá, a Dada, à Nàná, à Òsóòsì. Disse aos Òrìsàs que eu não estava abandonando eles, e sim, levando um pouco da nossa tradição para o mundo, mas como eles no meu peito. Pedi para eles me abençoar, para que tudo desse certo. Mesmo morando nos Estados Unidos, eu não deixo de pensar um dia sequer nos Òrìsàs”. Foto: Gamo da Paz.

Certamente, os Òrìsà ouviram o filho de Òsálá e o abençoou! As bênçãos dos Òrìsàs o iluminaram para que ele gravasse aquele que se tornaria o melhor disco de Candomblé dos últimos tempos, Odun Orin.

Um CD simplesmente primoroso que, além perpetuar em suas faixas, a arte dos atabaques, eterniza os antigos cânticos dos Òrìsàs, alguns como “Ijila-o Ibisi E Kofun-Mi”, até então, desconhecido da grande maioria do Povo do Santo.

Diz que sua preocupação com o CD era o de fazer algo que estivesse à altura da sua religião. Queria algo bem gravado, bem produzido, bem editado. Gamo queria que o Cd Odun Orin, fosse reconhecido como uma obra dedicada às Divindades Africanas, feita com Amor e Respeito.

Diz que Mãe Delza ajudou muito e o incentivou para a gravação desta obra. Diz que pediu à antiga egbon-mi, que na faixa de Yansan, gritasse a saudação da Deusa dos Ventos, pois faria uma mixagem com o som do trovão. Para Gamo, isso tinha um significado especial, pois se recorda que, quando criança, sua Ìyálòrìsà, a venerável Mãe Menininha do Gantois, sempre que escutava o som do trovão, hierofania de Oya, automaticamente exclamava: Epa Hey, Hey.... Ou seja, para tudo há uma história...

Completamente evolvido, empolguei-me em discorrer sobre a história religiosa deste Maestro, que já estava por cometer o lapso de não abordar sobre o extraordinário percussionista que és. Basta dizer que, ao longo de sua trajetória como músico, o exímio Gamo da Paz, já tocou com Gilberto Gil, Balé Folclórico da Bahia, Balé Folclórico do Brasil, Viva Bahia (Grupo que também teve a participação de Vadinho), Diretor Musical de Diversas Companhias, como Quimbanda, Oba-Oba Company, Ginga Brasil, Águas da Bahia, dentre muitas. Foto: Gamo e seus alunos.

Em relação ao mundo da percussão, Gamo demonstra muita gratidão à Mônica Millet, neta de Mãe Menininha:

“Ela foi a percussora. Ela levou Eu (Gamo), Gabi e Eliezer (filho de Bertinho do Bate Folha) pra esse mundo da percussão, nós três éramos uma espécie de Trio Ternura. Ela gostava da gente, nos levou para as companhias de música, para os festivais, para o Teatro Castro Alves. Nós viajamos muito com ela, Itália, França, Alemanha, então Mônica protegia muito agente, protegia mesmo, mas se nos ensaios agente errasse uma pancada, pronto! Vinha bronca feia, botava até o dedo em nossa cara pra gente tocar certo (risos). Eu só tenho à agradecer à Monica, por tudo que ela me fez, ela é uma pessoa que sempre honrou o nome da sua família e do Gantois”. Foto: Eliezer, Mônica Millet, Gamo e Gabi.

Outra pessoa a quem Gamo é muito grato, é à Zéze de Nana. Ele comenta que ela lhe fez um convite que ele jamais esperava, que era para participar de um evento, no Centro Cultural Caribenho, em Nova York. Na ocasião, foram além dele e de Zéze, Mãe Bida, Mãe Estela, Cléo e Moacir de Ògún. Nesta ocasião, ele recebeu um visto de 10 anos para permanecer nos Estados Unidos. Narra ainda, que é muito grato, porque por conta desse evento, ele chegou e permaneceu nos Estados Unidos de forma legal, sem jamais infringir a lei.

Gamo comenta que por conta da música viajou o mundo e, quando sua primeira filha, Lorena dos Santos da Paz nasceu, ele estava na Itália, mas narra que Iraildes, a mãe de Lorena bem como sua família, sempre o ajudou muito.

Ela sempre me ajudou bastante, bem como a família dela. Mesmo em uma época difícil na minha vida, quando o Collor prejudicou todo mundo, eles não me recriminaram, então são pessoas que desejo muito bem, pois foram muito importantes, que me ajudaram na minha vida”.

Sobre a primeira filha, comenta:

“Minha vida mudou por causa dela, depois que ela nasceu eu vi que tinha que trabalhar mais, me dedicar muito mais. Ela é uma menina muito boa, que eu amo muito. Ela  mora no Brasil, estuda em colégio militar, que você sabe não é fácil é linha dura, então ela é uma menina que se dedica aos estudos e eu fico muito feliz por isso”. Foto: Iraildes, Gamo e Lorena da Paz

Atualmente, Gamo reside na Califórnia, nos Estados Unidos, ao lado de sua Esposa Nikko da Paz, e de seus filhos, Evilásio Jr. e Emílio, onde ministra além dos tradicionais ritmos do Candomblé, o Samba-Reggae e diversos ritmos da Cultura Brasileira. Foto: Família Da Paz (Gamo, sua esposa Nikko e seus filhos Emílio e Evilásio).

Bom, findo este documento, com a mesma satisfação com a qual o iniciei. Convicto de que, ainda que ínfimo diante da história desses mestres, os textos por mim escritos, sirvam como resgate de uma cultura até então esquecida pela grande maioria. Mas que, sobretudo, sirva de inspiração para aqueles que aventam adentrar no magnífico mundo da Tradição aos Òrìsàs e que queiram aprender a milenar arte do atabaque. Que surjam novos Gamos!

Por oportuno, ratifico meu agradecimento ao meu Tio Gamo, pelos ensinamentos, pelas diversas e longas conversas, contando-me detalhadamente a sua história.

Destarte, espero brevemente, poder ver em solos brasileiros, o filho de Pai Preto, o “Senzala”, em meio às Divindades Africanas, fazendo aquilo que mais o aproxima delas. TOCAR ATABAQUES!

Por hoje, sem mais,
Opotun Vinicius

49 comentários:

  1. Linda a estória deste Gamo, parabéns

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  2. Muita emocionante a história dos Grandes Mestres dos Atabaques..Mais uma vez Parabéns Mestre Vinicius.

    Abraços..Ogan Fernando D'Ayrá

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  3. Gamo,grande amigo...eu como boa filha de Oxalá tive tambem um dedinho na questão dele ficar nos USA...e sigo com muita carinho sua trajetoria, Iya Maria d'Osala

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  4. Olha eu sempre olho esse blog, mas dessa vez superou tudo. Grande materia sobre um grande ogan gracas a a deus você esta escrevendo essas historias que agente nao conhese. Ogan marcio de oxala

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  5. Ogan Fernando,

    Eu fico feliz que tenha gostado. O Mestre Gamo é uma grande referência paras as pessoas, sua história tinha que ser contada para a posteridade.

    Abs.,
    Opotun Vinicius

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  6. Ìyá Maria,

    Perdoe-me, foram tantas histórias, tantas pessoas a quem esse grande maestro é grato que, acabei deixando algumas histórias fora deste documento. MAs adianto-lhe que, futuramente haverá outra e, desta feita, contarei.

    Um grande Abraços.
    Opotun Vinicius

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  7. Ogan Márcio,

    O objeti é esse mesmo, relatar essas histórias, que nem todos conhecem, de maneira a motivar as pessoas que estão entrando no Candomblé, para espelharem-se em grandes exemplos da música-sacra.

    Abs.,
    Vinicius

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  8. Grande Vinícios, não canso de elogiar seu blog.
    Obrigado por sempre compartilhar com todos seu conhecimento, essas histórias, que hoje, é de grande valia para o candomblé e seus iniciantes, tenho certeza que a curto prazo, seu blog se tornará referência única à todos os iniciantes adeptos e até aos mais antigos do candomblé.
    Abraços.
    Ogan Leandro.

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  9. Vinicio,

    Eu vejo todas as matérias do site e te digo uma coisa essa foi d+. Fiquei sabendo que o Gamo gravou outro cd é verdade? Eu queria muito esse novo cd onde eu compro? Vc sabe dizer quando ele vem ao RJ? Parabéns pra vc e pro gamo. Você te fazendo um negócio bem legal que é dividir essas historias que vc ouviu desse pessoal antigo, muito legal mesmo. Eu sou ogan e estou aprendendo um monte de coisas aqui.
    Ogan Rafinha Ty xango

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  10. Poxa Leandro, que satisfação a minha em saber que você tem esse pensamento sobre o Blog. Fico muito feliz mesmo! Quiçá um dia, eu consiga falar sobre todos os grandes mestres, como nosso Tio Erenilton (que será a próxima postagem), Tio Cidinho, Geraldo Macaco, Hubaldo e tantos outros. Que sua profecia se concretize!!!!!

    Abraços,
    Opotun Vinicius

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  11. Ogan Rafinha,
    Posso parecer repetitivo, mas fico feliz com esse tipo de comentário. Particularmente, gostei muito dessa postagem, tenho que agradecer muito ao Maestro Gamo, que acreditou no trabalho. Em relação ao CD, é verdade, já há um CD gravado sim. Inclusive esse CD foi gravado em SP, mas ainda não foi lançado, assim que for, não tenha dúvidas vou postar neste Blog. Poxa, não sei quando ele vai ao RJ não, mas adianto que todas essas mensagem serão encaminhadas para ele, ok? Novamente, muito obrigado!

    Opotun Vinicius

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  12. Li três vezes a história desse ogam e estou fascinada. Escutei bastante os CD’s de Gamo e os vídeos de Gabi Guedes agora queria ouvir algo do outro irmão, Robson. Vinicius você pode postar alguma gravação dele? Você falou que as mensagem serão enviadas para ele, correto, então diga ao gamo que ele tem que vir pro Brasil pois nós precisamos de pessoas com o conhecimento dele para poder passar pros mais novos. Eu só ouvi o Gamo pelos CD’s queria muito ver ele pessoalmente, quem sabe no futuro ele não toca para minha ewá. ogam vinicius, vi seu vídeo do aguerê, muito legal, vc toca muito bem e escreve bem é bom ter pessoas com vc também no candomblé.

    Ya Vanusa

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  13. vinicius parabens,realmente é muito bonita a historia do grande mestre gamo,graças a vc nós
    ogans podemos ver que não é facil pra ninguem ser um ogan de verdade assim como todos os mestres de gamos sofreu,ele tambem sofreu,vc que é meu mestre sofreu,isso não sera diferente conosco,logo quando comecei a tocar piano achei facil,ja com o atabaque encontro certa dificuldade em fazer passagens na ordem correta,em aprender toques que ainda não conheço etc,muito obrigado por postar essa belicima historia foi um banho de conhecimento que recebi a cada linha que li.

    vinicius

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  14. Anos 2000. A humanidade se prepara para novos avanços tecnológicos em vários campos e nessa mesma época, somos agraciados com aquele que é considerado o mais bem produzido dos discos que retratam a música sacra afro religiosa. E devemos isso ao grande músico e acima de tudo, compenetrado sacerdote, Gamo da Paz. Através das narrativas aqui colocadas, e nisso quero agradecer sobremaneira ao meu grande irmão, Ogan Vinicius, vemos que antes de tornar-se um ícone dentro da sociedade afro religiosa, onde é respeitado por todos, sem distinção, conhecemos um pouco mais do cárater ímpar desse homem nascido para perpetuar da forma mais sublime, o milenar culto aos deuses africanos. Impossível não se contagiar com as histórias. Improvável não querer dar um aperto de mão, um abraço, pedir benção, conselhos para uma pessoa que com a sua simplicidade, se faz adorável, venerável, querido. E comigo, tal desejo se torna ainda mais vivo mediante tudo isso que o meu mestre, Ogan Vinicius, nos passou com essa pequena biografia daquele que já em sua genealogia, é predestinado a ocupar um lugar de destaque entre os grandes, pois assim ele é, grande sem se impor, mas por conta da sua conduta e pelo amor incondicional dedicado aos orixás. Gamo, mesmo sem te conhecer pessoalmente, saiba que te admiro muito e que obrigado por partilhar um pouco da sua história com nós. Ao meu mestre Ogan Vinicius, te desejo, como sempre, que você consiga realizar tudo aquilo que desejas, pis você é um vencedor. Espero que com esse comentário, simples, mas carregado de sinceridade, Gamo e Vinicius, saibam que vocês entre alguns poucos, me servem como modelo a seguir, dentro do maravilhoso mundo do culto aos orixás.

    Sem mais, Carlos de Oxalá. Omo Orixá Nilê Alaketu Axé Ibualamo!

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  15. Gamo da paz que historia magnifica, fiquei muito emocionada lendo tudo, principalmente quando ele fala que mesmo dos estados unidos o coracao dele esta voltado para o orixa. Fiquei impressionada tamben com a a gratidao aos mestres e humildaade ja que hoje as pessoas surgem do nada dizendo que aprenderam tudo sozinhas. Lindo! Lindo! Parabens pro vinicius que escreveu muito bonito. Beijossss. Equede Jo do axe aganju RJ

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  16. Iya Vanusa,

    Que bom que gostou da matéria, de fato a história do Maestro Gamo é fascinante e contagia-nos. Há um DVD, Oju Ase, que meu Mestre Robson está tocando, ok. Obrigado pelo Agéré, fico contente por ter gostado.

    Abs.,
    Vinicius

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  17. Olá Vinicius, meu xará.

    Que legal que gostou, a história do Maestro Gamo é muito bonita. O grande objetivo deste trabalho, é justamente mostrar aos membros da nossa religião que não é fácil para ninguém, que tudo requer dedicação, persistência e, sobretudo, amor aos Orisas. A minha grande satisfação, é ver que esse trabalho está servindo de reflexão para as pessoas.

    Abs.,
    Vinicius

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  18. Ozymandias (Carlos);

    Realmente o CD Odun Orin, é certamente o mais bem produzido disco da música sacra afro-religiosa, uma obra primorosa. Todos conheciam o grande dobrador de Hun Gamo da Paz, mas poucos tinham conhecimento acerca da sua trajetória, sua origem, seus mestres e, nesse sentido, creio que o material aqui postado, mostra-se como um importante documento de preservação da cultura dos nossos mestres dos atabaques. Você disse algo sobre Gamo da Paz que concordo: “é predestinado a ocupar um lugar de destaque entre os grandes, pois assim ele é, grande sem se impor, mas por conta da sua conduta e pelo amor incondicional dedicado aos orixás”. Rapaz, ele é uma criatura incrível, sobejamente humilde, e que nem preciso falar, toca como ninguém....

    Abs.,
    Vinicius

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  19. Ekeji Jô,

    Em verdade essa história nos emociona, me sinto privilegiado em poder contar um pouco desta biografia, do Grande Maestro dos Atabaques, Gamo da Paz. Essa parte do texto que você menciona, eu me recordo muito bem, em ver a emoção dele, ao lembra-se de ter pedido proteção aos Orisas, muito bonito! É verdade, ele mostra quão importante é recordar os mestres, aqueles que contribuíram para que ele chegasse onde ele está hoje. Obrigado pelas palavras.

    Abs.,
    Vinicius

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  20. Pois é meu irmão, é com muito prazer que comento este tópico, pois tenho um carinho muito especial por este ser que é verdadeiramente HUMANO.
    Com ele tive muitos ensinamentos mais te digo que os mais importantes foram os de igualdade e humanidade.
    ele participou da Obrigação de 7 anos de Sasara e da iniciação de minha filha Nathalya de Osun em 2001, ficou em minha casa eu lhe cedi uma cama cujo colchão, eu só descobri depois de um tempo, era horrivel, dava para sentir os estrados da cama, e ele NUNCA reclamou, ALIÁS ele NUNCA reclamou de nada, eu nunca o vi ou ouvi ele reclamar de alguma coisa, NUNCA exigiu nada e NUNCA nos dizia o que queria comer, sempre respondia qq coisa ta bom. Após ele esteve conosco em outras ocasiões e sempre estava sorrindo um sorriso caloroso e aconchegante.
    Em 2009 ele veio na obrigação de 21 anos de minha mãe carnal e de 7 anos de meu irmão Ricardo, foi ai que pudemos conhecer melhor ainda este ser CRIADO PELOS ORISAS para nos ensinar que toda palavra dele é um ensinamento, que toda atitude é de humildade, e todo amor é benéfico. Ele ficou para os yaos de Ogun e Osumare, e no dia que foi embora PASMEM, mas os yaos foram salvar ele e ele se ajoelhou e postou os cotovelos no chão para bater o Pao, foi uma emoção contagiante, pois, todos inclusive ele ficamos com os olhos marejados, não o bastante ao levarmos ao aeroporto meu filho caçula quando ele entrava na fila do chek in, abaixou a cabeça e c om os olhinhos vermelhos e cheios de água falou que o sonho da vida dele era perder o dedo trabalhando com marcenaria e ser negro..., ou seja, ser como o Sr PAI GAMO. O Sr cativou minha família e todos os filhos do Asé Iba fara odé. O Sr se tornou um verdadeiro PAI para nós todos, pois, sua preocupação se expande a nossas vidas cotidianas. O Sr é exemplo de HUMANIDADE, IGUALDADE E FORÇA. Além de ser muito especial agradeço todos os dias aos Orisas por me colocar em privilegio por conhecer e conviver com pessoas como o Sr e tantas outras pessoas que já passaram em minha vida. Ainda bem que temos a tecnologia em nosso favor, pois, assim podemos nos falarmos quase que diariamente e é por conta disso que faz com que o Sr esteja presente em todas as Festa da casa, pois, liga e se preocupa em saber se esta td correndo em ordem e sempre nos liga após as Festas para saber de correu td certo.
    Sou agraciada pelos Orisas por ter o Sr em nosso convivio, e sua presença sempre será de muita alegria, pois sua participação em nossas vidas é de muita IMPORTANCIA.
    E sua maneira especial de ensinar e de viver a vida sem reclamar de nada é o que o faz especial. E saiba irmão que esta participação ativa nesta retrospectiva de vida, -é sinal de uma boa amizade que sente em relação a vc, pois, tenho certeza que fez com que ele revivesse todos os momentos de sua vida, e não teria pessoa melhor para esta homenagem ao meu PAI GAMO que vc, pois, vc é pessoa de coração bom assim como ele. Um grande abraço e parabéns pelo seu trabalho que esta particularmente muito lindo e verdadeiro.

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  21. Lú, minha irmã,

    Acho que você o definiu de forma muito feliz; Humano. Todas as pessoas que falaram comigo depois de ler a postagem, me comentaram a mesma coisa: “Vinicius, ele parece ser uma pessoa muito humilde e muito centrada nos Orisas, muito preocupado com a tradição”. Veja, que estamos falando do virtuosíssimo tocador de Hun, Gamo da Paz, no entanto, a característica que mais surpreendeu as pessoas, não foi o atabaque – que coisa. Nesse sentido, sinto que o objetivo foi alcançando, sendo que o Dobrador de Hun, todos conhecem pelo disco “Odun Orin”, mas um pouco sobre o ser humano, a grande maioria teve a oportunidade por meio do Blog. Isto posto, depoimentos como o seu, carregados de propriedade por ter convivido ao lado dele, corroboram sua história, evidenciando sobretudo, a confiabilidade dos relatos da matéria “Nada fora inventado ou floreado, somente transcrito e constatado”.

    Me recordo de você ter me contado sobre a passagem dos Ìyáwòs e de como a emoção tomou a todos. Isso é Candomblé, isso é tradição! Recordo-me, outrossim, de você sempre comentar: “Vinicius, ele nunca reclamou de nada, do colchão, da comida, de nada”. Mas nós, bom, nós somos adultos, formados, enfim.... Mas uma criança dizer: “queria perder o dedo trabalhando na marcenaria e ser negro” isso mostra-nos de forma pura como ele consegue atingir as pessoas.....Seu filho ainda é privilegiado, pois tem em sua pose, um instrumento dado por Gamo e que tenho certeza, irá preservá-lo até a mais avançada idade.

    Ele me pediu: “Vinicius, quero que você coloque uma foto minha com meus irmãos Gabi e Robson, mas você tem que colocar 1º Gabi, 2º Robson e eu (Gamo), por último, pois quando eu cheguei, eles já tocavam.....”.

    Lú, a coisa que mais de deixou feliz em relação à essa postagem foi esse Grande Mestre dos Atabaques dizer: “Vinicius, eu chorei lendo a minha história”......Eu sou grato pela atenção que ele deu, a preocupação que ele teve, como você disse, a participação ativa e, principalmente por ele ter apostado nesse trabalho. De fato, ele é uma pessoa especial!

    Abs.
    Vinicius

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  22. Isso td faz dele um ser especial e graças a todos Orisas ele vai nos passar muito mais lições de vida e de religião. E repito que ele se tornou uma pessoa importantíssima em minha vida.
    O fato de ele fazer questão de se colocar em último evidencia mais ainda a benevolência deste ser, e a real intenção de manter a tradição e a hierarquia.

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  23. Olá Vinicius
    Me emocionei de verdade ao ler a história do meu irmão! Me trouxe lembranças maravilhosas!
    Gostaria de lhe agradecer e pedir q continue c esse trabalho maravilhoso, nos proporcionando muita alegria e conhecimento.
    PARABÈNS!
    Um abraço

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  24. Poxa, você não assinou a postagem, se possível, coloque seu nome ok?
    Todavia, obrigado pelo comen
    tário, realmente uma grande história, de uma grande pessoa. Novamente obrigado, se depender de mim, vou sim, continuar esse trabalho de resgate e perpetuação da história dos mestres da nossa religião.

    Abs.,
    Vinicius

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  25. Bem, fico até um tanto constrangida por estar em meio a tantas personalidades e eu sendo uma simples Yawo, mas sei que nada acontece por acaso e sei também que sou um ser abençoado pelos Orisas. Antes d]e discorrer sobre o nosso mestre Pai Gamo, preciso reforçar aqui que, se não fosse pelo carinho, dedicação e confiança da Mãe Lú de Yewa, à minha pessoa, nunca estaria aqui, tanto na vida religiosa, quanto na vida profissional, pois esse ser também muito HUMANO, foi quem de fato me introduziu no Asé, me aconselhando, me ouvindo, prestando atenção em minhas histórias e problemas. Fui iniciada pela Mãe Graça de Ososi, mas quem me pegou pelas mãos e me conduziu rumo ao meu reencontro à minha ancestralidade foi a Mãe Lú de Yewa através dela e do meu AMADO Pai Roberto tive a oportunidade de conhecer e conviver mesmo distante do Pai Gamo. Pai Gamo para mim é um misto de Humanidade e Ancestralidade que sentimos na pele e na alma, sim porque existem pessoas que nos tocam profundamente a alma trazendo a tona a essência do Orisa, para mim Pai Gamo é muito mais que um ser e sim retrato de nossa ancestralidade que acalanta nossa alma com suas palavras firmes, doces e de muita sabedoria. Quero parabenizar O Opotun Vinicius pelo brilhante trabalho.

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  26. XÁXA ETERNAMENTE2 de agosto de 2011 00:17

    PARABÉNS, MAIS UMA VEZ, MEU CARO.FICO ORGULHOSO POR SUA DISSERTAÇÃO SOBRE A VIDA E OBRA DE MEU PAI.HOMEM PROBO, QUE SEMPRE NORTEOU PELO RETO E SEMPRE SE DISTANCIOU DO OBLÍQUO.DE CARÁTER REFINADO, TAL COMO AQUELE QUE DISCORREU SOBRE SUA VIDA, COMO UM HISTORIADOR ATENIENSE.DEVERAS,A CADA POSTAGEM, VOCÊ ME SURPREENDE COM SEUS DIZERES, COM SUAS PALAVRAS.PENA, MEU TEMPO SER REDUZIDO PARA POSTAR OUTROS COMENTÁRIOS,DESTARTE, NÃO DEIXO DE ACOMPANHAR SUAS POSTAGENS.DORAVANTE, ESPERO PODER FAZER QUALQUER MENÇÃO, MESMO NAS POSTAGENS PRETÉRITAS. UM ABRAÇO, MEU AMIGO.

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  27. A a verdade deve ser dita, Gamo da Paz e o Vadinho dessaq geracao, ele e o monstro dos atabaques. Ogan Luciano de Oxossi

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  28. Cátia,

    Você definiu muito bem “um misto de Humanidade e Ancestralidade”, que trás à tona a essência do Orisa. Fico feliz que tenha gostado do trabalho, nosso objetivo é somente um: Levar ao maior número de pessoas, a história dos grandes mestres e, um pouco da nossa tão rica cultura.
    Abs.,

    Vinicius

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  29. Grande Sasa, sua Bênção!

    Grande satisfação tê-lo aqui nesse espaço meu fidalgo ortodoxo. Não vejo melhor dizer que esse: “Homem probo, que sempre norteou pelo reto e, sempre se distanciou do oblíquo, de caráter refinado”. Essa é uma percepção que comungo sobre esse grande maestro. Poxa, fico lisonjeado com o “Historiador Ateniense”, ainda que, em verdade, não cabe à esse incipiente pesquisador, todavia, agradeço da mesma forma. Seja nas pretéritas, seja nas futuras, seus comentários serão sempre salubre aos que lêem.

    Abs.,
    Vinicius

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  30. Ogan Luciano,

    Bela consideração!!!

    Abs.
    Vinicius

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  31. Monstro dos Atabaque, é isso que esse Gamo é, ele quebra tudo. Poxa, só vai uma crítica ao texto, você não mencionou o disco que ele gravou de queto, gege, efon e angola, tirando isso tá tudo massa! Esse disco ele tá gravando com o senhor Edinho do Gantuá. Mas assim, tirando isso aí velho, tá tudo lindo, grande matéria sobre o Gamo, parabéns mesmo. Pô, você podia falar também da história do seu Agnelo do Engenho Velho, ele foi muito importante para o candomblé aqui da Bahia.

    Colofé
    Ogan Evandro

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  32. Evandro, obrigado pela participação no nosso blog!

    Rapaz, muito bem lembrado. Gamo, de fato, gravou esse disco (duplo) com Edinho Carrapato, produzido por Jaime Sodré. Veja, são tantas histórias que vou acabar escrevendo uma continuação, pois uma única matéria não foi suficiente. Seu Agnelo, o Elemoso do Ile Iya Naso Oka, realmente um grande Ogan, teve papel fundamental na luta pelo terreno do “posto”. Esse realmente merece todo nosso respeito e homenagens, ainda que em memória. Caso você tenha alguma foto de seu Agnelo, por favor, encaminhe-me no e-mail: (opotun@hotmail.com).

    Abraços.
    Opotun Vinicius

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  33. Parabéns mais uma vez por nos mostrar a história de um mestre dos atabaques, nos mostrando mais sobre nossa rica e humilde cultura. Futuramente meu filho ira postar sobre o mestre dele ogan Vinicius! Não só eu como sei que muitos estão mais ricos em informação (cultura), e tambèm ja muito anciosos para a proxima postagem. Imagino um livro seu...seria ótimo, pense sobre isso. Realmente esse seu trabalho nos faz refletir muito, tudo que é feito com amor e dedicação tem resultados positivos...parabéns mestre Gamo e sua bença. Obrigada ogan Vinicius por mostrar tão linda e rica história, só mesmo você para ter tão ricas e verdadeiras. E ja estamos no aguardo da proxima...rsrsrsrsr asé asé asé

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  34. Daia, obrigado sempre pelo incentivo!!!!!! Realmente a história do Maestro Gamo da Paz é rica e linda!!!! quem sabe um dia, esse sonho do livro não torne-se realidade! Se for da vontade dos Deuses, ficarei muito feliz!!!!!!!!!!! Não tenho dúvidas que o Pedro, Ogan do Ibualamo, será um Grande Tocador, mas, sobretudo, será um grande homem adorador de Orisa.

    Abs.,
    Vinicius

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  35. Hoje tive a felicidade de entrar pela primeira vez nesse magnífico site, até então, desconhecido para mim. Quero parabenizar o autor, Vinicius, que já conhecia de nome e por ter assistido ao filme do agueré do oxosse, simplesmente algo mágico. Mágico igualmente, é a história desse Maestro, o Sr. Gamo da Paz. Ao ler as linhas aqui transcritas, deparei-me com uma emoção bonita, mas ao mesmo tempo triste.

    Bonita pelo fato de alguém ter tido esses grandes mestres como Vadinho e Edinho, bonito por esse alguém (O Sr. Gamo) contar essa história para esse público jovem, mostrando que tudo o que faz não foi criação de sua mente, tem história, tem razão, tem o porque, alguém o ensinou, ele viu seus mais velhos!!!!

    Triste, por fazer-me refletir, haverá outros Gamos?? Haverá outros Vadinhos? Senti um texto carregado de emoção e de gratidão, algo que não vemos mais hoje. Desta forma, fico triste por ter nos USA um dos últimos remanescentes de uma cultura e não na nossa terra, o Brasil. Observei a emoção quando da narrativa em que o Sr. Gamo pediu aos Orixás para abençoarem ele em sua estada nos Estados Unidos e, por ele estar lá, observo ter sido essa a vontade dos Orixás.

    Espero que os Jovens do Candomblé de hoje, leiam com atenção a história do Sr. Gamo da Paz, que espelhem-se nele, na sua conduta, na sua postura, na sua gratidão aos mestres, no seu respeito aos mais velhos. Vejam que coisa mais bonita, aquele que é tido hoje como o Maior Maestro dos Atabaques, admitir que aprendeu um dos mais complexos e desconhecidos toques do Candomblé com uma mulher, ninguém mais ninguém menos que a venerável Ebome Cidália de Iroco. Somente um homem que tem plena consciência de quem é, do que sabe, para expor isso em público. Novamente, parabenizo o Sr. Gamo pelo seu caráter. Hoje fico imaginando, além do senhor e dela, existe mais alguém que sabe o toque da Iroco? Acho que não!

    Rogo também aos Orixás, que esse jovem rapaz, Vinicius, continue esse trabalho vigoroso e entusiasta de compartilhar nesse site, as histórias dos antigos. Tenha certeza Vinicius, que você é uma pessoa privilegiada, pois conseguiu ter contato com pessoas de uma geração que não é a sua, mas que vejo na emoção das suas linhas, no prazer que você tem em escrever de forma tão convidativa, que essa geração é a que você quis pertencer. De fato não é a sua, eles são os velhos e você o novo, mas sei que todos esses nomes que você está revivendo nesse site, estão olhando por você e certamente, você seria um deles se nascido em outra época. Esse é um belo trabalho, que farei questão de acompanhar daqui em diante. Parabéns!

    Aldo de Xango

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  36. Gamo da Paz, parabéns meu irmão! Depois de Vadinho, você é o grande tocador de atabaques do Candomblé. Feliz da casa que um dia contar em suas festas com o seu Ruwn espetacular. Eu diria que você é uma espécie de Deus do Tambor. Você toca com emoção, para o santo, não para os filhos de santo! Já admirava o tocador, que só conheço por CD, mas agora admiro a pessoa também. Que deus e os orixás olhe por você todos os dias, fortalecendo cada dia mais esse seu dom único de trazer os orixás do céu para a terra.

    Ogam Binho de Jagun

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  37. Aldo,

    Obrigado pela participação em nosso Blog, acho que você explanou o tema de forma brilhante! Digo-lhe uma coisa, espero que aparecem outros Gamos, outros Gabis, Outros Robson, outros Vadinhos....quem sabe um dia! Obrigado também pelos votos concernentes ao meu humilde trabalho.

    Abs.,
    Vinicius

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  38. Ogan Binho,

    Realmente o grande diferencial desse maestro, deve-se a emoção incondicional que o mesmo emprega ao tocar para os nossos Orisas.

    Abs.,
    Vinicius

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  39. TINHA PERDIDO A FÉ, MAS COM ESSA HISTORIA FIQUEI MAIS ANIMADO...SOU DE OSALA TB

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  40. É uma honra poder ler uma historia tão linda,conhecer um pouco mais dessa pessoa especial. Morgana Coimbra

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    1. Morgana,

      Ele é muito especial, você sabe disso, por isso a história é bela...

      Abs.,
      Vinicius

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  41. E engraçado, pois eu não sei bem como começar(risos)

    Por Volta de 2006, eu por acaso tive acesso a um cd , que ao ouvir , dentro do meu carro , todas as inumeras vezes que eu o ouvia , eu me emocionava.

    Uma cantiga tão linda:ojo ibi - grupo ofa odum orim .(detalhe neste exato momento escuto pelo youtube, para recordar o momento).

    Para os desprovidos de fé , era relutantemente extressante ouvir aquele cd , no carro inumeras vezes. Porém para mim era um acalento para minha alma.

    Por estes mesmo tempo, em uma festa do Gantois , regida pela Ya mim Carmen Oliveira Silva. Os orixas me escolheram pra adentrar na familia , como ogan. Fui então posteriomente confirmado.

    Venicius, estes relatos ,sobre Gamo e as pessoas que os rodearam para o seu apogeu. Algumas , reispeitandos os que já imemoriam . Me são tao familiar , Edinho, Jorge Baba de Ossosi, Tia Cidalia de Iroko, Gabi,Tia Estela de Oxossi ,Tia Cacho de Omolu de Muritiba irmã de Jorge Baba , Tia Zeze de Nana fiha de Tia edenis de Omolu. E Edinho meu grande amigo.

    Caetano Veloso em introdução de uma musica chamada Carcará ele prenunci-a a mesma dizendo: " E interresante a força que as coisas parecem ter , quando elas tem que acontecer".

    Tudo tembém muito rapido e bem arquitedado, quase ou se não planejado pelos nosos Orixas.

    Sempre ouvir falar de gamo, mais realmente eu pensei que eu nunca o conheceria.

    Em um dado momento , estava eu no Gantois, em epoca de festa para Louvar Oxossi(salvo engano). Não recordo exatamente a data se foi em 2011 ou em 2010.
    Chegou uma Pessoa bem popular no Gantois, onde todos ,falavam com ele . Até que em um dado momento Yomar(Assogba), chamou-me para comprimenta-lo e consequentemente me apresenta-ló. logo conhecir o tão bem falado Gamo da Paz.

    Bem o que eu tenho mais para falar?

    - Desculpa por não ter me identificado, mais que me conhece deve saber que sou eu.

    - Neste exato momento , peço aos Meus Deuses que Gamos possa um dia vim para uma festa aqui no Gantois. E que no dia eu possa também estar. De preferencia Seja no Corpus Chistis . Pis é feriado e eu não trabalho. Pois na vez que ele veio aqui foi muito rapido, e não deu para ele ficar para a festa.

    - Desejo que O Ala de Oxala, continue dando a Gamo Tudo de bom , que Ogum continue a abri os caminhos dele . Que oxossi o Deus do Eran , da fartura nunca faça faltar na casa dele. Que Nanã , com toda a pSua forma Genoraça , que se materializava em Mãe Cleusa, siga cuidando dele e fazendo perpetuar está linda força de proversasr a nossa fé , juntamente com a Nossa Rainha das Aguas Doces a Oxum Mae da douçura e da riqueza.

    - E Já ia esquecendo , e que os Orixas , patrono do Ilê Iyá Omin Axé Iyá Massê, permita que ele pelo menos venha todo ano para o Gantois, sem prejuizo algum as atividades dele.

    Por Ele ser meu mas velho: Motumba meu irmão.

    e vc tambbém Venicius sua benção.

    E fico modesta aparte, muito feliz quando mencionam os meus irmão do Ilê Iyá Omin Axé IyáMassê.

    Parabens pela sua adimiravél publicação, e proeza em desenvolvimento e conclussão. exelente retorica.

    até a aproxima.

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    1. “Anônimo do Gantois”,

      Desculpe-me a delonga na resposta, mas perdi meu pai e em função disso, passei alguns meses sem responder os comentário do Blog. Primeiramente, muito obrigado pela sua participação, pena que não deixou seu nome.... Eu compreendo o que diz acerca do CD Odun Orin, do Grande Gamo, uma obra prima, que nos leva ao mundo dos Deuses Africanos... É meu nobre, assim como você, espero brevemente poder ver em terras brasileiras, esse grande maestro, esse grande homem da religião dos africanos. Falo sobre os seus irmãos do Ile Iya Omi Ase Iyamase, simplesmente pelo fato deles serem parte daquilo que considero como a mais pura geração do atabaques, iniciada em outros tempos, à época de Pai Preto, de Amorzinho, Hugo, Vadinho, Hélio, Dudu, Hubaldo e que ainda hoje, se preserva nas mãos e voz de Edinho, Gabi, Gamo, Robson, Iuri, Asogba e outros que quiçá, terei oportunidade de discorrer nesse espaço.

      Um forte abraço.
      Vinicius

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  42. Não deixe de responder a este meu grande e extenso, pronunciamento, viu. Sou o que é do Gantois, só para vc naõ esquecer.

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  43. Meu irmão, Motungba
    Sua história, faz-nos viajar no tempo e resgatar imagens que marcaram a nossa vida. Nosso pai Oxalá, conduza seus passos, imantando-os de axé de equilíbrio e prosperidade.
    Alcides

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  44. Meu irmão, Motungba
    Sua história, faz-nos viajar no tempo e resgatar imagens que marcaram a nossa vida. Nosso pai Oxalá, conduza seus passos, imantando-os de axé de equilíbrio e prosperidade.
    Alcides

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  45. Parabéns meu querido pelo obra, esta de tirar lágrimas.

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  46. Parabéns meu querido pelo obra, esta de tirar lágrimas.

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