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domingo, 28 de agosto de 2011

Quem Começa Termina!?

O Candomblé é uma religião onde tudo há começo, meio e fim. Nessa ótica, há algumas regras, que não tiveram seu advento na minha jovem mente criativa, mas sim, na tradição dos antigos. Antigos Alagbés, Antigas Ìyálòrìsás, antigos Babalòrìsàs, etc.

Uma dessas regras, basilares, é a de “Quem Começa Termina”. Vejamos. No Ritual do Àsèsè, por exemplo, quem inicia (abre) é quem termina (fecha). Ou seja, aqueles Ogans que estão tocando no início, ainda que, cedam aos demais durante a cerimônia, deverão regressar para findar a mesma. O mesmo, aplica-se à quem canta para dar início, que deverá, outrossim, cantar o fechamento.


Há outro exemplo, que julgo o mais comum, que é o Ritual do Sire. À despeito disso, alguns “elementos” da religião, talvez por falta de conhecimento da Cultura dos Deuses Africanos, ou permitam-me o neologismo, falta de “Vodunsibilidade” teimam em participar o Sire à outrem. Ou melhor, solicitam cantar ou tocar, quando esse ciclo não foi concluído por aqueles que o iniciaram. Explico.

Na abertura da cerimônia do Sire (ritual que tem por objetivo, evocar/preparas as pessoas que, posteriormente serão manifestadas pelos ÒRÌSÀS), fundamentalmente um corpo de Ogans dá inicio aos toques, via de regra a “Hamunya”, acompanhados pela pessoa que está à frente dos cânticos.

A sequência do Sire varia entre casas, mesmo entre as ditas matrizes, mas em suma, inicia-se com Ogun (às vezes com Esu, caso não tenha tido o Ipade, ou se esse não fora evocado anteriormente), sendo concluído com Sango.

O que posso afirmar, peremptoriamente é que, os Antigos Alagbés, os Grandes Mestres, os Venerados, os que respeito e que tanto admiro, sem exceção, falam: “Quem Começa o Sire é Quem Termina”, mas por que isso? Poderia aqui discorrer páginas é paginas fundamentando esse discurso dos antigos, mencionar Itans de Ifá, mas serei simples, o que, por favor, não confundam com simplório. Quem começa é quem termina, porque tudo no Candomblé é um ciclo, que tem início, meio e fim (simples assim). O Oro é um ciclo, o Sire é um ciclo, o Pilão é um ciclo, a Roda é um ciclo.

Como afirmei no início, o Sire, por exemplo, tem por objetivo preparar as pessoas para posteriormente serem manifestadas pelo seu Deus, logo, quando alguém pega no Agidavi e faz “Pá Pá Pá – Pápá” (Hamunya) esse deverá sair somente quando do término do Sire, pois esse Ogan, iniciou um ciclo, qual seja: O ciclo de evocar os ÒRÌSÀS à terra.

Mas como também já disse, há alguns que não respeitam essa parte da tradição. Àqueles que não o fazem, pelo desconhecimento da tradição, devem ser orientados, para que não incidam no erro. Mas àqueles que o fazem por falta de “Vodunsibilidade”?

Bom, eu poderia falar que esses, são os ditos “Estrelas”, já comentados nesse veículo de comunicação. Mas não, esses são aqueles que como não possuem sucesso fora dos muros do Ilé Asè, e fazem de tudo para ter um espaço na festa dos Deuses. Afinal, se não aparecerem no barracão, vão aparecer onde?

Como identificar? É fácil, são aqueles mesmos Ogans dançarinos, aqueles que ao acabar a festa pedem um “dinheirinho” para pegar a lotação para ir embora. Resumidamente, são os “Sem”, Sem Casa, Sem Asè, Sem Sacerdote, Sem Conhecimento, Sem Vodunsibilidade, mas, sobretudo, são os SEM AMOR AO ÒRÌSÀ. São aqueles que não se emocionam com uma dança do Òrìsà, com um abraço da Divindade, são aqueles que o Ori é tão “privilegiado”, que jamais botam a cabeça aos Deuses. São aqueles que, por não terem Asè, NÃO TEREM MESTRES, juntam fragmentos de centenas de fitas, de centenas de Ases distintos, para ganhar o pão de cada dia.......

Mormente, são aqueles que, tenho vergonha em dizer que são partícipes da mesma confraria religiosa que a minha, mas que, devemos comungar, pois o Candomblé é uma religião de Portas Abertas, até mesmo para abjetos.

Afopinan Tolowun Lopa, Ara Fitila, Ara Lopa”!!!!

Sem Mais,
Opotun Vinicius

7 comentários:

  1. Certa vez, fui numa saida de Oxossi num terreiro em Campinas. Fui convidado por conta de meu trabalho com os Batás Brasileiros, os mistérios do tambor e o resgate de Ayan no Brasil. Muito contente, fui prestigiar o Pai (...) que é da Nação Ketu. A saída estava linda, perfeita, com todos cantando e vibrando. Quando Oxossi saiu, foi uma festa, dançava muito bem! O único senão eram os alabês, que ainda que tocassem bem, não estavam trajados decentemente para o evento, hábito infelizmente comum nos dias de hoje. Meu mestre nos tambores, o Mestre Barroso, quando nos levava em eventos de terreiros amigos, vistoriava cada Alabê, fazia questão que todos estivessem com as roupas de santé, ou no mínimo muito bem vestidos, pois fazia questão de respeitarmos as divindades e os sacerdotes das casas que nos convidavam. Não bastava só tocar bem. Mas voltando ao assunto sobre a saída em que fui, qual não foi a supresa de todos, sacerdotes convidados e assistência, quando TOCA O CELULAR do indivíduo que estava fazendo o Rum! Incontinente, sem respeito algum, o camarada sai pelo meio dos tambores, passa pelo Sr. Oxossi no reino e vai conversando com sei lá quem do outro lado da linha, como se estivesse numa boate. Depois do rito, o idiota veio com a maior cara de pau me perguntar se eu havia gostado do estilo dele. Eu respondi: "o seu estilo me lembra aquele que faz os santos se afastarem da Terra." Infelizmente, coisas assim estão cada vez mais comuns Vinícius... infelizmente!

    Um abraço! Axé!

    Obashanan

    P.S. - Não responde meus emails? Não quer falar comigo?

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  2. De forma muito esclarecedora, vemos mais uma vez, uma lição para tomarmos para nós. São coisas, como meu irmão falou, simples, mas que por conta desse desejo irremediável de busca de notoriedade dentro da casa de axé, muitos que estão em nossa religião deixam passar esse aprendizado, devido ao fato de que isso, em suma, para eles, não vai acrescentar nada na sua falsa ostentação. Como já foi dito aqui em outro tópico, em relação aos ogans, esses são aqueles que não ajudam nos afazeres da casa como ajudar na reforma de um telhado, poda das árvores, na limpeza da casa entre tantas coisas que se tem para fazer na casa do santo. Como meu pai José Carlos Ibualamo me disse, nunca se fica parado dentro da casa do santo. Então, para esses, via de regra, é necessário estar sempre com tempo sobrando para ao invés de ajudar das melhores formas a casa, confabular, aprender com " receitas de bolo ", os novos hits dos cânticos à serem entoados na próxima festividade, sem nem ao menos se dar ao prazer, se aquilo que ele crê que aprendeu ( apenas decorou letra e melodia, sem saber o real significado daquilo que faz) está em sintonia com o que sua casa professa, ou a casa na qual ele visita e tenta empregar a sua mais nova "coleção de sucessos ". Mas, ainda bem que existem ainda muitas pessoas, que antes de quererem aprender cânticos, práticas ritualísticas e afins, sobretudo, tem amor e fé incodicional nos orixás. Vinicius, mais uma vez, parabéns!

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  3. Pois é meu irmão, oq me chateia mais em relação a tudo isso que você escreveu, é que isso só acontece, pq os sarcedotes "os donos ou responsáveis" pelo Ilê Asé permitem que esses "estrelas" toquem nos instrumentos sagrados de suas casas, pois, pode ter certeza, que se esses que permitem assim não o fizesse mais, como é na casa de nosso pai José Carlos de Ibualamo, isso não existiria, pois eles são os "estrelas" pq as pessoas permitem que eles se sintam assim..... Cade q ninguém vem ser estrela aqui no Ilê Ibualamo, pq nós não permitimos que isso aconteça.....
    Infelizmente ainda vamos ver muito isso por ai, enfim, nem todos fazem com amor por fazer, mas sim com prazer em receber o seus "míseros" R$#300,00, por ter tocado uma noite ou algumas horas de candomblé.....

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  4. Pois bem meu irmão, vejo que vou me meter em mais uma polemica, mas, vamos lá.
    Como vc bem disse estas pessoas atuam desta forma desrespeitosa por simplesmente não ter nem "eira nem beira" na religião e quem dirá em sua vida cotitiana. São pessoas que não respeitam seus mais velhos, são pessoas que não respeitam os postos graduados e merecidos dados àqueles que tiveram educação em sua formação familiar e religiosa. E se estas criaturas não tiveram esta formação, o que exigir? Acho que tinhamos que fazer uma campanha tipo: dar educação aos iniciados Abandonados, ou alimentar educacionalmente um ogan, ou melhor pise em quem já esta na lama, pois, se ele esta lá é pq merece. Acho que este ultimo combina muito mais com a situação mencionado, principalmente tendo eu presenciado uma situação muito similar. E infelizmente concordo com nossa irmã Gabriela, pois, estes seres ignorantes em todos os aspectos, só se fazem aparecer porque tem pessoas que aceitam que os sem educação e sem respeito, participem de suas cerimonias. Mas, como não tenho casa de candomblé tenho que assistir algumas atitudes ridiculas e despreziveis. Não é a toa que tem pessoas que são odiadas e marcadas,pois, quem tem educação não é ameaçado por ninguem, quem tem educação sabe entrar e sair de qq local, quem tem educação sabe respeitar as pessoas, quem tem educação tem medo de orisa e o respeita acima de qq coisa. E sinceramente pessoas assim nunca irão respeitar ciclo algum, pois, não sabem o que seja um ciclo, talvez nem sabem que ciclo e circulo sejam similar.

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  5. E AI MEU FIDALGO AMIGO ? MAIS UM BELA POSTAGEM. CONTUDO, INDO AO PONTO CRÍTICO DA QUESTÃO, VALHO-ME DE MINHA LINGUA AFIADA E DE MEU PASSADO IMACULADO, PARA ATÉ MESMO EXEMPLIFICAR, OU SEJA, DAR "NOME AOS BOIS", COMO É DE MINHA PERSONALIDADE.ENVEREDANDO AINDA PELA SUA DISSERTAÇÃO,APONTO O ÓBVIO.SIM, POIS TEMOS UM EXEMPLO CONTUMAZ. UM INDIVÍDUO DE PRENOME RUBENS, QUE HÁ TEMPOS É ALCUNHADO PELO ADJETIVO DIMINUTIVO DE "COBRINHA".PESSOA ESSA, QUE POR TEMPOS HABITOU MEU CIRCULO DE AMIZADES, COMO TAMBÉM MINHA CASA, TODAVIA, ASSIM COMO NO TEATRO, AS MASCARAS UM DIA CAEM(LEIA-SE KABOKI,DA CULTURA JAPONESA), E NÃO MAIS RETORNAM COM A MESMA PERFEIÇÃO A FACE,SE ELE FOR DOTADO DISSO.TAL TIPO DE ATITUDE, CREIO EU, SEJA UMA PATOLOGIA CRÔNICA, HAJA VISTA, PORQUE EM TEMPOS,O ALUDIDO PROTOZOÁRIO SE INCUBA, E PARECE SER O MELHOR SER HUMANO DO MUNDO.CARÁTER DÚBIO?DESVIO DE PERSONALIDADE? SIGMUND FREUD, EXPLICA.MÁ EDUCAÇÃO NÃO.ADEMAIS, MEU CARO, ACOMPANHO O VOTO DO RELATOR.UM ABRAÇO.

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  6. Corroboro tudo supra mencionado, lembrando por fim, do grande Ruy Barborsa:

    " Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada".

    Sem mais,
    Vinicius

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  7. Obashanan, me perdoe, mas não recebi outro e-mail seu. Espero brevemente, podermos nos encontrar. Abs. Vinicius

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