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domingo, 30 de outubro de 2011

Erenilton Bispo dos Santos - O Mestre da Bahia

Sem dúvidas, esse é um texto especial para mim, haja vista que vou tentar discorrer um pouco sobre a história do Ògán que mais admiro na religião a qual pertenço, a dos Òrìsàs. Por outro lado, falar de Erenilton Bispo dos Santos é algo sobremaneira difícil, sendo que ele não é somente o meu ídolo, que aprendi a respeitar desde a minha infância, mas sim, o ícone admirado e querido por boa parte dos membros das Comunidades Kétu-Nàgó, da Bahia e do Brasil. Foto: Erenilton Bispo dos Santos, 2011.
Adianto-me que, as linhas que vou escrever doravante, são ínfimas diante da brilhante e incontestável história desse Ògán que, carinhosamente chamo de “Meu Tio”. É, ainda, somente e não mais que um pequeno fragmento das centenas de histórias, que tive a honra incomensurável de ouvir dele e, presenciar ao longo de 20 anos.

Antes de dissertar sobre ele, propriamente dito, queria registrar minha reflexão, em poucas palavras sobre quem é Erenilton Bispo dos Santos, para mim. Meu Tio Erenilton é a prova da realeza africana que aportou em solo brasileiro. Estrela negra, que carrega em suas mãos e voz, a cultura pujante e ancestral de um povo sofrido, reprimido, mas sem dúvidas, vitorioso. Representante de uma religião que, à exceção de uma rápida mudança de postura e atitudes caminha para a extinção. Partícipe derradeiro do clero magnificente dos Antigos Mestres dos Atabaques da Bahia. Para muitos, ortodoxo veemente, para mim, o Grande Mestre, que teve a paciência de ensinar-me um pouco da sua cultura e que, carinhosamente, me chama de “Meu Sobrinho”.Foto: Erenilton Bispo dos Santos.

Destarte, com lágrimas nos olhos, vou tentar escrever algo à altura da importância e singularidade de meu Tio Erenilton. Creio que, as palavras acima, evidenciam a admiração e gratidão sobremaneira que tenho por esse senhor. No entanto, não sou somente eu, Opotun Vinicius, que vislumbra nesse Ògán, uma referência. Por isso, evoco aqui, uma frase que ouvi de três dos maiores tocadores que conheço, em momentos distintos, em anos distintos, mas que expressam um sentimento único. A saber:

Erenilton, é um dos últimos Ògáns da geração de Ouro do Atabaque da Bahia. No dia em que Olodunmare chamá-lo, todos os tocadores ficarão órfãos. O Hun vai silenciar”.

Obviamente, que a frase não fora dita na íntegra pelos três, mas resumidamente foi isso que meu Mestre Robson, Meu Irmão Ney (Filho de Erenilton) e Meu Tio Gamo da Paz, me disseram em ocasiões diferentes. E acredito eu que, outros dois nomes de relevância ímpar na arte musical dos atabaques da Bahia, devem pensar da mesma forma. O Grande Papadinha (Edvaldo Araújo, Alagbé da Casa Branca) e Gabi Guedes, já abordado nesse blog.

Isso é corroborado também, em outra frase, essa dita por um dos discípulos de meu Tio Erenilton, o virtuosíssimo e saudoso Hubaldo, Ògán do Gantois, respeitado e admirado por sua performance extraordinária frente aos atabaques. Qual seja:

Erenilton é o Pelé dos Atabaques”.

Esses depoimentos, de renomados tocadores de uma geração posterior a do meu Tio Erenilton, ilustram o que representa esse grande Ògán para o povo das comunidades Nàgó, sobretudo aos Alagbés (os Mestres dos Atabaques).

Nascido em 1.943, no tradicional Bairro da Fazenda Garcia, em Salvador, é filho de Simpliciana Basília da Encarnação (Mãe Simplícia de Ògún do Asè Òsùmàrè) e Hilário Bispo dos Santos (o temido Hilário). Como veremos adiante, a trajetória de Erenilton reflete exatamente a figura de seus pais, que interpreto da seguinte forma: Um homem de grande fé (herança de sua Mãe) e ortodoxo-tradicionalista (características de seu Pai).

Filho de Omolu fora confirmado na Religião dos Deuses Africanos, pelo Babalòrìsà Manuel Cerqueira de Amorim, o Pai Nezinho de Ògún da Muritiba, de quem recebeu o título supremo do culto à Òsògìyán, Elemoso. Apesar de ter sido confirmado pelo renomado Sacerdote do Recôncavo, foi em Salvador, na chamada “Linha 15” o “Alto do Candomblé”, no berço da cultura africana no Brasil, que o menino Erenilton aprendeu os cânticos, toques e preceitos dos Òrìsàs, o que o tornaria futuramente, referência para Ògáns de todo o País. Foto: Bonde da Linha 15 de Salvador.

Meu tio Erenilton conta que, desde sempre gostou dos atabaques, dos toques, dos cânticos e que seu primeiro Mestre foi o Ògún de Mãe Simplícia:

Vinicius, ele (Ògún) quando chegava, tirava a cantiga e por meio da dança, mostrava ao Ògán como era a pancada do Hun, ele ensinava ao Ògán. Eu aprendi muita coisa com Ògún de minha Mãe. Ele cantava muito, hoje agente não vê mais isso, não vê Òrìsà cantar, mas naquela época ele cantava. Ele era um espetáculo, lindo! Lindo! Lindo! Ògún de minha Mãe era a coisa mais linda de se ver, a Bahia inteira ia para a roça ver ele. Nunca mais vou ver, nunca mais vou ter a honra de ver Ògún de minha Mãe”.

Ainda sobre Mãe Simplícia de Ògún, comenta:

Meu sobrinho, ela era uma mulher muito inteligente, trabalhava muito e amava demais os Òrìsàs. Logo pela manhã, quando ela acordava, antes de ir pro Retiro trabalhar, a primeira coisa que ela fazia era salvar o Santo, salvava a terra, salvava o amanhecer, até o galo ela salvava”.

Ao recordar-se do cântico que sua mãe entoava para o galo, esboça bastante alegria:

“Ela olhava para o galo e cantava: Akuko La [...]. Hoje você ouve alguém louvar o galo? Você já ouviu alguém cantar isso que eu estou lhe ensinando? Hoje o pessoal diz que só o Angola que tem essas coisas, mas não é não! No Angola é diferente. No Angola você canta pro galo: Kokore [...]. No Kétu tem tudo isso, só que em yorùbá. Mãe cantava tudo isso, hoje o povo diz que não tem. Agora eles dizem que não tem, por que eles não aprenderam. Eu aprendi tudo isso com Mãe. Ela foi a pessoa que mais me ensinou Candomblé nesse mundo, devo tudo a ela. No dia que eu arrumar a quadra do Korin Efan, com fé em Deus e os Òrìsàs, vou colocar uma foto bem grande dela no meio da quadra, pra todo mundo ver”.

Mas, além da Ìyálòrìsà Simplícia e de seu Òrìsà (Ògún Dekisi), o aclamado Ògán de Salvador, teve outros importantes Mestres, todos sem exceção, reconhecidos e respeitados no mundo religioso do Candomblé. Discorre com prazer sobre Manuel Alagbé, venerado Ògán da Casa de Òsùmàrè:  

Meu Mestre! Manuel Alagbé tocava muito. Foi ele quem me ensinou a tocar cabaça. Ele tirava o som do Hun na cabaça. Ele me ensinou a tocar na cabaça sem quebrar, pois tem que ter a malandragem de tocar, senão saí quebrando um monte de cabaças. Ele não me ensinou a quebrar, ele me ensinou a tocar bonito, foi com ele, o Grande Manuel Alagbé que aprendi a tocar cabaça. Ele também ensinou à meu Irmão, à Evandro (Irmão de Ekeji Angelina) e Cidinho. Agente colava nele”.

Ainda sobre Manuel Alagbé, completa:

“Você vê a distância do barracão da roça (Casa de Òsùmàrè) pra Vasco da Gama? É escada como que! Não é perto não! Mas, se, Manuel Alagbé tivesse no barracão tocando cabaças, você ia escutar o som lá de baixo, lá onde fica a fonte. E tem mais, você ia ouvir o som de Hun, pois ele tirava o som de Hun na cabaça! Tocava muito!”.

Comenta, outrossim, de outro Grande Mestre que teve, finado Alcênio, também Ògán do Terreiro de Òsùmàrè.

“Ele era um show! Um espetáculo! O Homem tocava como que, naquela época ele era o maior dobrador de Hun da Bahia. Ele era abusado no Hun, tocava dando risada. Ele não andava igual esses Ògáns de hoje andam não! Naquela época era linho e diagonal, ele sempre estava vestido de diagonal, todo bonito. Ele era muito querido, Paizinho, Januário, Francisquinho, todos esses Grandes Ògáns gostavam dele. Ele passava na roça e dizia à minha mãe: Bisa, vou pegar esse menino pra ir no Candomblé comigo. Então eu ia, eu não era respondão, colava com ele, aonde ele ia eu acompanhava e fui aprendendo a malandragem do Candomblé”.

Meu tio Erenilton lamenta que, se fosse hoje, o Grande Alcênio teria vivido mais, no entanto, à época de sua morte, a medicina era precária. Contudo, essa história será abordada, em postagens futuras.

Com a morte de Alcênio, meu tio Erenilton, conheceu também outro grande Ògán, que teve um papel fundamental na sua formação religiosa, conforme narrativa abaixo.

“Eu era muderno e, fui lá na Casa Branca, porque naquela época, as casas faladas eram a Casa Branca, o Òsùmàrè e o Gantois. Então quando eu estava tocando, o Mestre Cipriano perguntou quem era. Logo falaram para ele: É o filho de Mãe Simplícia da Casa de Òsùmàrè. Ele me tratou com muito carinho, ele gostou de mim, então eu colei nele também. Eu era muito educado, porque tinha que ter respeito, fui aprendendo a cantar, a tocar, aí eu me espalhei e comecei a ficar creditado no Candomblé. Mas ele gostava porque eu não fazia malcriação. Luiz Gbangbalá também aprendeu muito com Cipriano, pois ele ficava muito na Casa Branca”. Foto: Cipriano Alagbe.

Ainda sobre Cipriano Manuel do Bonfim, o aclamado Cipriano, Alagbé do Ilé Asè Ìyá Naso Oka, comenta:

“Vinicius, o homem era um espetáculo! Mais espetáculo mesmo! Eu, graças a Deus aprendi muito com ele. Você não vê essa malandragem que eu boto nas tiradas das cantigas? Então, foi ele, Cipriano Alagbé que me ensinava. Você já viu atabaque de dendezeiro? Pois é, Cipriano me ensinou a fazer atabaques de dendezeiro com birro. Paizinho também me ensinou. Ele me ensinou até a escolher o pé certo para dar o som bom e não apodrecer. Esses atabaques da Casa Branca, aí no Engenho Velho, foi ele quem fez, eles conservam até hoje. O Hun que ele fez se chama Sete de Setembro”!

Meu Tio Erenilton, fala ainda, que o seu Grande Mestre Cipriano, era um grande conhecedor dos rituais fúnebres do Candomblé:

“Ele era um espetáculo! Você não vê quando eu acabo de fazer o Àsèsè, que eu levanto e canto aquela cantiga? Foi meu Mestre quem me ensinou. Quando acabava o Àsèsè, ele de terno e, um chapéu branco, se levanta e cantava: Arole Imose Yin-o... Ele então tirava o chapéu, apresentava ao público e dançava no fim do Àsèsè. Quando eu era muderno, todo mundo achava que ele estava xingando as pessoas, pois ninguém sabia o que aquilo queria dizer. O pessoal falava: Vai lá Cipriano, dançando e xingando todo mundo aqui! Mas, uma vez ele me falou que houve uma grande mortandade no Candomblé do Engenho Velho, por causa da briga de duas Tias [... e...], muita gente antiga morreu. Então fizeram os ebós necessários para acabar com aquela mortandade toda. Então, ele (Cipriano) fez essa cantiga, pedindo à Òsóòsì que não morresse mais tanta gente, pedindo à Òsóòsì vida, por isso que ele se levantava, dançava e cantava! Desde então, nunca mais morreu tanta gente na Casa Branca igual àquele tempo. E, é por isso, que eu (Erenilton), quando termino um Àsèsè, me levanto como meu Mestre Cipriano me ensinou e canto a mesma cantiga, pedindo vida à Òsóòsì...”.

Nessa hora, visivelmente emocionado, complementa:

“Nunca mais! Nunca mais vou ver meu Mestre Cipriano, fazendo isso, nunca mais!...”.

Narra ainda que, no dia de Òsóòsì na Casa Branca, ele era um fenômeno, que cantava e cantava sem repetir uma cantiga. Comenta também que, outra tradicional cantiga do Engenho Velho, foi “botada na boca do povo” por Cipriano.

Ogerele...., hoje todo mundo canta isso errado. Quem botou essa cantiga pela primeira vez foi Cipriano, no dia da Missa de Òsóòsì. Ele pegou as Ekeji da Casa Branca e ensaiou elas para cantar no dia da missa. Eu aproveitei o embalo e aprendi também, eu colava nele e ele gostava de mim. Depois dessa, ele cantava: [...], depois ele metia a outra [....] eu te ensinei essa? Menino era a coisa mais linda! Ninguém ficava de pé, todos os santos chegavam e o Agéré quebrando lá no Engenho Velho, era lindo, lindo, lindo, lindo de se ver”.

As narrativas de meu Tio Erenilton, ilustram que, apesar do tempo decorrido em que teve a convivência com esses Grandes Mestres, o respeito e admiração permanecem vivos, de forma bastante contundente por sinal, como se os mesmos ainda estivessem aqui no aye. Alias, para meu Tio Erenilton, hoje, falta respeito aos antigos e admiração aos Mestres, conforme segue:

“Eles iam em casa me buscar para eu ir nas festas com eles, pois eu era muderno. Eles pediam pra minha Mãe, ela deixava eu andar com eles, nos Candomblés dessa linha 15 toda. Eles gostavam muito de mim, gostavam mesmo. Mas eu nunca, nunca respondi à um Mestre meu. Eles eram assim, se você fizesse alguma coisa de errado eles já não queriam mais lhe ensinar não, se fechavam todo, mas se fechavam mesmo! Então eu andava na linha, pois eu queria aprender e porque eu gostava deles. Eu sempre tive muito respeito, nunca fui respondão não. A tristeza que eu tenho, é que eles não estão mais aqui para ensinar”.

Mas o leque de Mestres de meu Tio Erenilton, não resume-se à Alcênio, Manuel Alagbé e Cipriano Alagbé, o que vale salientar, já seria um sonho de consumo para qualquer Ògán. No seu processo de aprendizagem, contou ainda, com a participação de Januário, Paizinho Bereko e Paizinho Pai Preto, todos exímios Ògáns da chamada “Linha 15”.

Ele comenta que, naquela época tinha Paizinho Bereko (Lourenço Franklin Gomes – irmão paterno de Alcênio e Januário), que cantava muito e com quem aprendeu também. Paizinho era filho de Òsóòsì, Ògán confirmado no Terreiro de Òsùmàrè.

Ele cantava e tocava muito. Esse disco que a fundação Pierre Verger lançou agora é ele que está cantando, Paisinho Bereko, eu tô no agogô, eu era muderno. Ele me ensinou muito, porque eu não era respondão. Ele também me ensinou a fazer atabaques, hoje você vê algum Ògán que sabe fazer atabaques?”. Foto: Paizinho Bereko.

Sobre Paizinho Pai Perto, enuncia:

Tinha Paisinho Bereko que era da roça (Casa de Òsùmàrè) e tinha o Paisinho Pai Preto que era do Gantois. Você conhece Gamo? Gamo é filho de Paizinho Pai Preto. Ele tocava e cantava muito, ela era Sofokun do Gantois, ensinou muita coisa boa pra gente. Depois que Amorzinho Asogbá morreu, ele que comandava as coisas por lá. Ele que botou as cantigas bonitas, cantava e tocava muito. Quando ele cantava, ele chamava o posto dele na cantiga. Ele fazia muita volta na cantiga e depois trazia a cantiga pro lugar de volta, mas eu peguei essas malandragens com ele também. Que Deus lhe dê descanso eterno, porque ele foi muito bom comigo”.

O Grande Erenilton, fala que depois dessa geração, chegou a época de Vadinho (Eulvaldo Freitas dos Santos – Boca de Ferramenta).

Vadinho tocava muito, brincalhão como que, era muito amigo, também ensinou coisa boa pra gente. Gostava de jogar dominó. Quando juntava o trio (Vadinho, Hélio e Dudú – os três irmãos) era um espetáculo. Ele dizia: Ôia, Ôia meu povo! Meu compadre Hélio, tocava muito, mas não era igual a ele não, Vadinho fazia o que queria no Hun, era muito brincalhão. Eu andei muito com ele, porque ele tocava muito, muito mesmo, mas não era de cantar, então eu ia cantar e ele tocava”.

Para muitos, meu Tio Erenilton fora privilegiado por ser filho de quem era, o que lhe propiciou a aproximação com os maiores e melhores Ògáns da época. Isso é fato e não pode ser olvidado, entretanto, uma observação um pouco mais acurada nas narrativas, indica-nos algo além, vejamos:

“Eu sempre respeitei eles”, “eu nunca respondi eles”, “eu nunca fui respondão”, “eu gostava deles”.

Isso mostra-nos que, por ele ser filho de uma famosa Ìyálòrìsà, certamente as portas foram abertas para a proximidade com esses grandes nomes. Entretanto, a confiança, respeito, carinho e admiração (as portas terem permanecidos abertas), são sem dúvidas, frutos do respeito que ele nutria pelos seus mais velhos. Sobre isso, desabafa:

Hoje eu vou fazer o que em Candomblé? O Candomblé está totalmente diferente! Hoje quase ninguém respeita os antigos, os antigos hoje não são ninguém! A pior coisa que tem, é você ir no Candomblé e o cara não lhe respeitar. Eu me encolho todo, aí que o cara não vai aprender nada nunca! Eu sempre respeitei os Mestres, por isso que eles me ensinaram muito. E hoje? Hoje eles querem botar o dedo em sua cara, também não vão aprender nada comigo, pois eu não ensino! Antigamente, o Candomblé era a religião mais educada que existia. Pois pedia licença para sentar, para levantar, para passar na frente das pessoas, era muito bonito. E hoje? Hoje eles querem meter o dedo em sua cara”. Foto: Opotun Vinicius, Mestre Erenilton e Ogan Ney.

Comenta também sobre a grande disputa que vê hoje entre os Ògáns:

“Hoje o que os Ògáns querem? Querem brigar, querem cantar Jiká, pois eu digo Jika, hoje o pessoal chama de Oye. Mas eles nem sabem o que estão cantando! Eles só querem brigar, não respeitam ninguém, querem ser mais que os mais velhos, querem calar o barracão, isso é feio como que. Eles querem disputar com os Ògáns e com o Pai de Santo”.

Nesse aspecto, com saudosismo, compara com a convivência entre os Ògáns, que existia em sua época:

“Naquela época, os Ògáns eram unidos, amigos, agente se reunia, era aquela alegria, agente brincava. Era aquela festa. Quando um Alagbé chegava na festa, cantava assim: Alagbé [...], então, quem estava no Hun, cantava para entregar o Agidavi para o Alagbé [...] e então, o outro cantava essa para o Ògán dançar [...]. Poxa, Tarrafa gostava de dançar essas cantigas de Ògán, ele cantava aquele Jika [...], ele adorava esse Jika, dançava bonito mesmo. Os Ògáns naquela época se reuniam na casa de Camilo da Vila América, ele fazia aquela bacalhoada gostosa para os Ògáns, então todo mundo ia pra lá, era uma festa só. Agente também se reunia muito no Candomblé do Cobre, era tudo muito bom, não tinha disputa. Cada Ògán cantava um Jika do seu santo...”.

Ainda sobre a nova geração dos Ògán, discorre:

“Falta amor, amor ao Òrìsà, falta respeito aos Mestres e falta saber o que está fazendo, porque eu vejo um monte de jalapa com batata que eles chamam de toque de atabaque. Eles tem que saber os nomes dos toques, porque é importante saber. Tem que saber fazer no pé o que eles fazem no atabaque, mas esses meninos estão é inventando um monte de coisa que eu nunca vi na minha vida. Por isso que eu não vou em Candomblé, porque é capaz deles falarem que eu que estou errado”.

Mas para o Grande Erenilton, tudo isso tem uma razão:

“Os Ògáns fazem isso porque eles não tem educação, pois se tivesse educação a coisa seria diferente. Eles também fazem isso porque não tem amor ao Òrìsà e por que precisa que alguém pare eles. No dia que eles começarem a passar carão, quem sabe muda. O problema é que eles tudo anda armado”.

Preocupado com a extinção da milenar arte dos atabaques, o Grande Mestre dos Atabaques, comenta que ensinou à muitos Ògáns:

Eu ensinei muita gente nessa Bahia, muita gente aprendeu Candomblé comigo. À Hubaldo do Gantois eu ensinei um monte de coisa, quando ele chegou no Gantois ele já sabia tocar e tocava muito. Ensinei meu filho Ney, esse vai sofrer se querer fazer tudo do jeito que eu ensinei. Ney só vai conseguir fazer tudo do jeito que eu ensinei à ele, se ele abrir uma casa pra ele (risos). Ensinei Babau, Valnei, Luizinho. À Gamo eu também ensinei coisa boa, hoje, aqui na Bahia ninguém toca mais que ele. Ensinei você, que colava comigo desde pequeno. Sidney também, ele vem aqui e eu passo a malandragem pra ele. Agora você veja. Todos vocês me respeitam, nenhum que eu ensinei tem a ousadia de passar a minha frente, por isso que aprenderam. Então, hoje é um prazer eu contar para você, que colou comigo quando menino. Hoje você está aqui fazendo essa entrevista com seu tio, para eu te contar as novidades da antiga”. Foto: Opotun Vinicius no Hunpi e Mestre Erenilton no Hun.
 
O Grande Erenilton é conhecido e reconhecido pelo seu atabaque ímpar e seu repertório, mas o seu gênio intempestivo acerca das tradições é temido por muitos. No início deste texto, comentei que credito à Hilário Bispo dos Santos, o ortodoxíssimo de meu Tio Erenilton, sobre isso, ele fala:

“Meu Pai se chamava Hilário Bispo dos Santos, o pessoal tinha medo dele, porque ele parava mesmo. Mas porque ele botava moral nas coisas, não deixava ninguém brincar no Candomblé. Ele não era confirmado não, mas ele amava o Gantois, não saía de lá e amava Mãe Menininha, minha mãe também, tinha paixão por mãe Menininha. Ele não tocava atabaque, mas se alguém desse uma pancada fora, ele parava, porque ele tinha bom ouvido. Naquela época, ele falava que se o Candomblé não tivesse uma pessoa pra puxar a rédeas, as coisas iam se debandar, virar bagunça. Hoje eu vejo que tudo que meu Pai falava era verdade, veja quanta bagunça não tem por aí, é por isso que eu brigo...”.

A personalidade de meu Tio Erenilton, certamente, reflete aquilo que vivenciou com seus Mestres e com seu pai, Hilário. O Povo antigo do Candomblé, comenta que o pai de meu Tio Erenilton, era um homem que não tolerava a falta de respeito à casa e, por vezes, expulsava visitantes que iam à casa de Òsùmàrè. Bastava alguém chegar desarrumado, ou subir ao atabaque mau vestido que ele tirava e se, titubeasse, botava para fora.

Recordo-me que, quando criança fui acompanhar meu Tio Erenilton à um Candomblé que ele ia fazer. Quando ele entoou o “E Ogun Ajo”, percebeu que estavam filmando e, logo disse:

Se não parar de filmar eu não canto. Nem adianta pedir, se não parar de filmar eu não canto e nem toco”.

Eu e Ney fomos até ele e dissemos que estávamos em um lugar muito perigoso, que não estávamos em Salvador, então era melhor deixar pra lá. Ele repisou:

“Eu Não Canto!, Se não parar eu vou me embora!”.

O Babalòrìsà da casa acabou desistindo de filmar e, saímos de lá são e salvos, graças aos Òrìsàs, pois deverás o lugar era perigoso.

Em outra ocasião, há cerca de 18 anos, também vivenciei o temperamento forte de meu Tio Erenilton. Novamente fui acompanhando ele, desta feita à um Àsèsè. Quando chegamos, fui chamado para fazer umas obrigações, pelo fato de eu ser de Ògún. Imediatamente meu Tio Erenilton proibiu:

Ele não vai não! Quem trouxe ele fui eu! Eu não quero que ele entre aí não!  Eu sou Tio dele, e ele não vai entrar aí não!”.

E realmente não entrei..., depois, meu Tio Erenilton me disse que eu era muito “muderno” para participar da obrigação grande, que era coisa pro futuro, que ele estava me protegendo, que ia chegar a hora certa.

Decorridos mais de 15 anos daquele Àsèsè, quando cheguei à Salvador fui visitá-lo e apresentar-lhe minha esposa, ele foi logo dizendo para ela:

“Menina, ele já te falou que eu não deixei ele entrar na obrigação do Àsèsè, que queriam botar ele lá dentro e eu não deixei?” E gargalhou copiosamente.

Aliás, em se tratando de Àsèsè, meu Tio Erenilton é comprovadamente um profundo conhecedor, aprendeu o mistério dos rituais fúnebres Lese Òrìsà com os Grandes Mestres da Bahia, sendo chamado pelas grandes Casas de Candomblé, em ocasião de falecimento de seus filhos mais importantes.

Oh Vinicius, hoje o pessoal mistura tudo. O pessoal da antiga, os meus Mestres sabiam separar o Àsèsè do Azeri e do Mukondo, eles me ensinaram a arriar tudo direito. Hoje eu vou num Àsèsè e vejo que o pessoal bota as obrigações misturadas, misturando as nações. Eu aprendi com os antigos, que Àsèsè é do nosso lado Alákétu. Que o Azeri é do lado do pessoal do Jeje e que o Mukondo é do lado do Angola. Mas quando eu vou ao Àsèsè, olho tudo aquilo arriado junto, a parte do Kétu, do Jeje e do Angola. Isso não pode, é errado. Tem que saber arriar do jeito da nação do morto”.

Ainda sobre os rituais fúnebres das Sociedades Religiosas Afrodescendentes, o grande Mestre comenta:

“Isso é muito sério, veja o tanto de gente que já está morta, que está debaixo da terra, porque foi se envolver de forma errada no Àsèsè. Eu já arriei pra mais de 300 Àsèsè e, nunca, nunca aconteceu nada de ruim comigo, por quê? Porque faço as coisas direitas, do jeito que os Mestres me ensinaram, sem bagunça, não pode ter bagunça não. A coisa é séria! Mas hoje, hoje ninguém tem Mestre, o pessoal quer fazer tudo sem ter tido a orientação dos Mestres. Você lembra que eu não deixei você entrar naquela obrigação?”. Foto: Erenilton Bispo dos Santos.

Em verdade, o Grande Erenilton Bispo dos Santos é como inicialmente dito, um dos últimos remanescentes de uma cultura. Ainda na minha infância, tive a oportunidade de ver pessoalmente, ao vivo e em cores, a sua alegria ao comandar uma festa, em estar entre os “seus”. Vi também, sua seriedade e responsabilidade em um Àsèsè.

Recordo-me que, uma das cerimônias religiosas mais emocionante que tive a honra de assistir, foi no dia de Ibùalámo, na casa de meu pai, o Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo. Na ocasião, minha irmã, Gabriela de Omolu estava pagando obrigação. Na oportunidade, juntos e unidos estavam meu Pai Tarrafa e Meu Tio Erenilton, simplesmente algo mágico e indescritível. Dois dos maiores Ògáns da História da Bahia, juntos em louvor à Ibùalámo e Omolu. Foi o dia em que, tive a certeza que o humano chega ao sobre-humano e vice e versa. Nesse dia, em razão desses dois Maestros, tive a certeza que os Ògáns possuem um papel fundamental, de importância singular dentro do Candomblé, o poder do evocar e louvar nossos Deuses, do forma ímpar, sem disputas, sem agressões, com um único mote, o de homenagear os Deuses Africanos. Foto: os Mestres Erenilton e Tarrafa no Ilé Ibualamo.

Somente àqueles que presenciaram um “cordão” de Òrìsà entoado por meu Tio Erenilton, pode atestar o poder rítmico desse grande Mestre, se for Ijesa então, nem se fala. Já presenciei meu Tio ficar horas cantando Ijesa para Òsun, sem repetir um cântico sequer. Isso pode ser evidenciado também, no Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador, onde ele se realiza à frente de seu Afoxé, o “Filhos do Korin Efan”.

Na quadra em reforma do Filhos do Korin Efan, mais que o Ògán aclamado da Bahia, encontra-se o mantenedor da cultura dos blocos carnavalescos da Bahia. Lá, em meio ao seu povo, meu Tio Erenilton comanda a sua grande paixão, com amor e perseverança. Para ele, que também já fora Diretor do Afoxé Filhos de Gandhi, uma tarefa simples. Para nós, algo espetacular e impregnado de cultura. Foto: Erenilton e seu Filho Ney, na Quadra dos Filhos do Korin Efan

Seu filho, o meu amigo e irmão Ney de Òsóòsì, preocupado em perpetuar a voz e ritmo do seu Pai, idealizou e concretizou a gravação de 2 CDs, por meio dos quais, é possível desfrutar um pouco do conhecimento desse Ògán, que deve ser reverenciado por todos nós, Omo Òrìsà, Ògáns, Ekejis, Babalòrìsàs, Ìyálòrìsàs, Iyawos, Egbon e Abiyan.

Lamento, por outro lado, não poder compartilhar aqui, a execução primorosa desse Maestro, de toques que tive a honra de ouvir, como o Vasi de Ògún, o Bravun e o Orisaa, que para mim, são três toques irreparáveis nas mãos de meu Tio Erenilton. Em verdade, nunca ouvi ninguém tocar como ele...

À Ògún e Òsógìyán, Òrìsàs que me regem, rogo saúde à Erenilton Bispo dos Santos, que nada mais é que, o símbolo vivo de uma tradição milenar, que aos poucos vem sendo deturpada e esquecida. Rogo ainda à Obaluwaiye, o Òrìsà de meu Tio Erenilton, que proporcione à ele, anos e anos de convivência aqui no aye, não para que nós aprendamos um pouco mais com sua sabedoria, mas para que, sobretudo, todos tenhamos tempo de reverenciar e agradecê-lo, por tudo que ele nos fez.

Sem mais,
Opotun Vinicius

15 comentários:

  1. Parabéns Vinicius por trazer uma história de vida tão bonita, qto a do seu Tio Erenilton, isso tem que ser sempre contado, pois nem todos tiveram o privilégio que vc teve, conhecer uma Lenda Viva.

    Motumbá.

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  2. Parabens Vinicios por nos bridar com bom gosto e compartilhar conosco as grandes histórias de vida dos grandes mestres da nossa religião,por um momento fiquei hipnotizado com o louvavel relato e grande aprendizado e a referencia que tens para transmitir e compartilhar conosco,que somos jovens nessa religião.Obrigado! Asé lailai...

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  3. Fala meu Pai, motumbá.
    Sou ogan também e admiro muito seu blog, apesar de ser novato no culto aos orisàs...
    Admiro mto a figura do seu Tio e sei que ele teve uma contribuição ímpar para a sabedoria de grandes mestres que ainda tem mto o que contribuir para o candomblé, como por exemplo vc...
    É uma oportunidade e tanto que qualquer Ogan gostaria de ter.
    Parabéns pelo seu blog, é uma humildade muito grande colocar um pouco de sua sabedoria em uma página da internet...
    Cedo ou tarde nos encontraremos pelos candomblés de sp, será um prazer conhecê-lo...
    Abraços
    João Gabriel

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  4. Tive, a oportunidade de ouvir, ao vivo, de ouvir, através do meu irmão, pai e amigo Vinicius, algumas histórias a ele recitadas por Mestre Erenilton. E fico admirado o respeito, a forma carinhosa com a qual o Opotun Vinicius se refere aos mestres e em especial, mestre Ereniton. Tem-se a impressão, em dados momentos, que o meu irmão Vinicius viveu os tempos aúreos do candomblé, sendo transportado através desses " causos " para tempos que evidentemente, não voltam mais, mas que através das lembranças dos antigos, veem a sua mente como se ele tivesse vivido tudo aquilo que ouve. Ele, é um dos que perpetuam de maneira muito honrosa, os ensinamentos passados pelos grades mestres e a sua gratidão por eles, faz com que nós, ou eu, que estou trilhando meu caminho dentro do axé na casa do meu queridíssimo pai José Carlos Ibualamo, tenhamos a idéia do quão é importante a manutenção das tradições, do bom comportamento e principalmente o amor aos orixás! E ao ver emoção com a qual o Opotun Vinicius se refere ao mestre Erenilton, também me causa emoção de ver, que em algum lugar, está alguém preocupado com a manutenção dos aprendizados que são passados há várias gerações, que sofreram muito, para chegar onde chegaram. E não há coisa melhor, que reverenciar quem se merece. Parabéns Opotun Vinicius pela homenagem e ao mestre Erenilton por ainda partilhar da sua companhia, seus ensinamentos! É um orgulho muito grande para mim, ao menos, comentar nesse blog sobre uma pessoa tão importante da nossa religião. Sinto-me extremamente honrado!

    Carlos, Omo Orisa Nile Ibualamo!

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  5. Eloisa,

    Você disse bem: Uma Lenda Viva! Assim é meu Tio Erenilton que tenho a honra de poder ouvir e aprender!!!!

    Abs.,
    Opotun Vinicius

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  6. Jagunmale,

    Eu quando escrevia sobre meu Tio Erenilton também fiquei hipnotizado. Comecei a escrever e não parar, quando fui ler vi que havis escrito muito e cortei metade do texto, que oportunamente vou publicar. É meu dever e de todos que tiveram a oportunidade de aprender um pouco com os mestres antigos, divulgar essa essência quase que extinta.

    Abs.,
    Opotun Vinicius

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  7. João Gabriel,

    Poxa, fico feliz que goste do meu blog. Confesso que quando escrevi a primeira postagem pensei que ninguém iria gostar e, hoje, me deparo com relatos como seu, que me deixam muito contente. Sim, meu Tio Erenilton foi e ainda é responsável pela formação de Grandes mestres. Não tenho dúvidas, você está convidado para assistir à alguma festividade religiosa da casa do meu pai (Ile Ibualamo), será um prazer recebê-lo.

    Abs.,
    Opotun Vinicius

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  8. Carlos,

    Não poderia ser diferente, afinal, quantas pessoas não queriam conhecer esse grande mestre? Eu tive a honra de mais que conhecer, poder aprender um pouco com ele, ouvir centenas de histórias. Eu tenho um grande orgulho nessa vida, de graças aos Orisas, poder ter tido grandes mestres na minha formação. À você, como sempre, meu muito obrigado.
    Abs.,

    Opotun Vinicius

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  9. mutunba muinto bom esse docie sobre esse grande mestre,mas a conclusaõ gue eu consigo chegar e gue a sua humildade respeito amor a religiaõ lhe deu esse previlegio de estar perto deses grandes mestre para se tornar tanbem um deles o sR tanbem sem duvida nenuma e uma enciclopedia anbulante queria eu saber a metede de tudo isso mas descrube muinto tarde a religiaõ mais fico muinto feliz quando econtro um relato desse teor parabens ase de ase ass otacilio

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  10. Chefe Arakem,

    Motunbase, motunba! Obrigado pelas palavras. Sou apenas alguém que muito atentamente ouviu essas histórias desses Grandes mestres. Tive ainda, a sorte e privilégio de presenciar algumas. Meu dever, é nada mais que participar às pessoas essas narrativas. Fico muito feliz e, espero contar com sua participação nesse Bolg.

    Abs.,
    Opotun Vinicius

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  11. Tio Erenilton, um arquivo vivo de cantigas de candomble , um grande mestre.....

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  12. Vinicius amo ler seus textos, que lindo ver um Homem do santo escrever tão bem, te felicito e te desejo muita saúde e paz, vc já um grande Felizardo por ser filho do Grande Baba que perdemos, felicidades pra vc e toda a sua familia !

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    1. Babalorisa Mauro, sua bênção!

      Muito obrigado pelo carinho, eu não tinha idéia que o senhor já tivesse lido algum texto meu, fico muito feliz. Deveras sou privilegiado, por ser filho de quem sou, espero poder sempre, levar o nome do meu Pai, enquanto eu estiver aqui no Aye.

      Abs.,
      Vinicius

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  13. Nossa! Fiquei maravilhada e sem ação ao ler essa entrevista maravilhosa. Fico sentindo um vazio imenso, por não poder, ter vivido isto. Sou ekedi há 17 anos e tenho 63 anos. Sinto que perdi muita coisa, pois realmente os tempos são outros. A falta de respeito impera, principalmente aqui no Rio de Janeiro. As pessoas são muito sem noção. Eu felizmente tenho educação, pois meu axé é Gantois. Meu filho é ogã, com 4 anos de confirmado e o que mais prezo e ensino a ele é educação. Infelizmente ele não tem 1/4 do aprendizado dos Srs., pois infelizmente aqui não temos grandes mestres. Sinto muito ao dizer isto. Minha benção aos Srs., espero um dia poder encontrá-los e não deixem peder essa sabedoria que os Srs. tem. Motumbá. Edith de Oya.

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  14. Parabéns por essa homenagem que meu irmão Ogan Vinicius esá fazendo para o Mestre Erenilton, tive a oportunidade de estar com mestre Erenilton quando tinha apenas 22 anos de idade, agora estou com 42 anos. Nunca me esqueci das conversas que tive com Pai Erenilton junto com meus dois irmãos mais velhos Ogan Omin Lolá e Ogan Airá Omonixê. Pai Erenilton nos contava muitas coisas que não sabiamos sobre nosso Pai Bobó, onde ele dizia que meu Pai Bobó era muito amado pelos antigos da Casa de Oxumaré, foi uma honra ter escutado estas palavras vindas de Pai Erenilton. Parabéns Opotun Vinicius por homenageá-lo com histórias verídicas como esta, contadas pelo PRÓPRIO Mestre Erenilton.

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