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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O INÍCIO DO FIM, OU O INÍCIO DE UMA NOVA ERA!!!

Ao longo dos últimos anos, o Candomblé vem passando por uma longa trajetória de mudanças, aqui mesmo nesse espaço já abordei algumas. Mas, em 2011, surpreendeu-me alguns marcos que me levaram a refletir se a milenar Religião dos Òrìsàs, está chegando ao seu fim ou na melhor das hipóteses, no início de uma nova era.

Na incessante busca de alguns em cercear-nos de praticar nossos costumes e rituais, temas como o Sacrifício Animal, jamais foram abordados de forma tão contundente, como nesse ano. Mas esse movimento de membros dos ditos “poderes nacional”, em parte, fora desencadeado por adeptos do Candomblé, que indiscriminadamente, não se furtam em profanar o sacro, pulverizando imagens e vídeos que, deveriam permanecer na clausura dos Terreiros de Candomblé. E, por favor, não excetue da leitura o “em parte”. Mas, fato é que, há dessa forma, uma incoerência brutal do povo do santo que, impede alguns de seus filhos de presenciarem determinados rituais, a depender do tempo de iniciação, posto, etc., mas não priva a sociedade dos mesmos rituais, expondo-os, nas redes sociais e youtube, por meio de fotos e vídeos de sacrifício, iniciação, etc.

Além da pujante e desnecessária divulgação do sacro, vimos também, propagar o número de “Babalòrìsàs” e “Ìyálòrìsàs” que, sem conhecimento algum sobre a Religião, emergem como erva daninha, querendo ganhar espaço à luz do Candomblé, ou melhor, para o “Povo do Candomblé”. Igualmente, presenciamos a quase extinção dos Ogans e Ekeji, que enxergam nessas importantes “graduações”, algo tão ínfimo que, os levam a “manifestar Òrìsà” (leia-se “levam a manifestar” e não “levam a serem manifestados”, pois há uma grande diferença), somente para galgar um título Sacerdotal de Babalòrìsà ou Ìyálòrìsà. Nesse aspecto, é muito mais suntuoso apresentar-se como Babalòrìsà e/ou Ìyálòrìsà do que como Ògán ou Ekeji e, para fundamentar sua condição, nada melhor que “dar santo”.

Antigamente, ouvia bastante a expressão “yorùbá baiano” (alusão ao modo dos baianos pronunciarem o yorùbá). Saudades dessa expressão, pois isso é coisa do passado, afinal, temos hoje o "yorubanhol", que avassala nossa tradição, com as centenas de cânticos de Cuba, provenientes dos CDs do Lazzaro Ros, Abbilona, Munequitos de Matanzas e, outros.

Temos também as novas tradições, sem fundamentação alguma, senão a busca de impressionar outrem. Temos, outrossim, os plagiadores, que vão à uma festa, observam uma determinada obrigação e/ou cântico e, sem saber do que se refere, implantam em sua casa, como se o ritual/cântico pertencesse a sua tradição religiosa. Alguém dúvida? Hoje vejo um ritual que nasceu no Ilé Ibúalámo, em função de uma promessa à Ògún ser copiado e, até modificado em algumas casas. Vejo a cantiga do Akara de Oya, de um ritual do Opo Afonjá, ser entoada por pessoas que sequer possuem vínculo de terceira geração, com o Terreiro de São Gonçalo. Mas o que isso importa? O importante é cantar: “Ayaba Mi Soro Miso Du-e...”.

Não sou católico ou cristão, sou sim, Candomblecista, mas tive a desonra de presenciar nesse ano, o milagre da multiplicação dos turbantes dantescos, que, agora ornam também o Ori dos Deuses. Afinal, para que existe Adê, se posso colocar um turbante piramidal no Òrìsà? Observei, igualmente, o advento da nova “moda masculina” do Candomblé, que essencialmente busca refletir a figura de uma egbon/Ìyálòrìsà, contudo em um homem.

Esse cenário, sobremaneira negativo, convida-nos à reflexão: É o início do fim? O Candomblé existirá no futuro? Em minha opinião, só tivemos um momento na história, pior ao que estamos vivenciando agora. Isso ocorreu, à época da escravidão, em que muitos daqueles que eram descendentes diretos dos nossos Deuses, foram desumanizados, na pior forma, a condição de escravo. Nesse sentido, o que vou comparar não é a condição da escravidão, pois essa é incomparável e, seria muito leviano da minha parte. O que quero dizer é que, tanto na escravidão, como nos dias atuais, tivemos a eminente possibilidade do fim de uma cultura.

Para que o Candomblé chegasse até nós, muitos morreram nos calabouços frios e úmidos dos navios negreiros. Muitos foram jogados ao mar, diante da varíola e tantas outras enfermidades que os acometia. Os que sobreviveram a todas as adversidades, não perderam a sua fé, pelo contrário, encontraram forças para cultuar aquilo que mais acreditavam os Òrìsàs, Voduns e Nkises.

Hoje, não há a escravidão como outrora. Mas há uma nova escravidão, em que nós mesmos estamos nos submetendo. No passado, os escravos viveram a pior condição já existente na história, mas sobressaíram-se de forma inteligente, para que o Culto aos Òrìsàs perdurasse e, sobretudo, para que fossem respeitados... Correto? Hoje, inversamente, estamos escravizando-nos em nossos “feudos”, sobressaindo-nos de forma que não sejamos respeitados à Sociedade. Exemplifico:

Uma pessoa que, por exemplo, posta no seu álbum do facebook, uma foto sua, imolando um Agbo, Obuko, etc, não vive em sociedade, correto? Isso é Awo e deve ser tratado assim! Não interessa a ninguém... Mas porque ele faz isso? Simples, está “confinado” em um “grupo” de “iguais”, mas sem poder mostra-se. Nesse caso, ele é escravo de si próprio. Muitas vezes, ele até consegue certo respeito do “seu grupo”, mas não da sociedade. Para ele não importa revelar o mistério aos não iniciados, para ele, o importante é solidificar-se como “alguém diferente”, em meio ao seu grupo. Ele, por exemplo, quer que seu “grupo” saiba que ele “pode”/”consegue” imolar um animal.

À época da escravidão, ocorria justamente o contrário. Nossos antepassados eram respeitados em seus grupos, eles não precisavam falar que tinham poderes mágicos/ofós, etc.... Para eles, o respeito da Sociedade era mais importante, pois o respeito do seu grupo eles já possuíam. Outro exemplo disso, eram algumas mulheres negras visionárias, respeitadíssimas em meio ao seu grupo, mas que, almejavam ainda, a notoriedade e respeito da sociedade externa ao seu “feudo”, tornando-se as “mulheres do partido alto”, para esse povo, não tenham dúvidas, “Awo” era “Awo”.

Quando penso sobre isso, creio que a determinação do que é “Awo” é algo muito mais para não ser externado do que algo para ser “liberado” fracionadamente aos iniciados, como ocorre. O que quero dizer com isso?

Revelar um determinado “Awo” para alguém que é iniciado, em um momento inadequado, pode causar prejuízos a essa pessoa, que poderá não estar ainda preparada para receber/presenciar aquela informação. Já a revelação de determinados “Awos”, àqueles que não são iniciados, não traz prejuízo à pessoa que está recebendo a informação, mas sim à Religião! Como por exemplo, a exacerbada divulgação de Oros, etc. que não traz prejuízos a quem está vendo nas redes sociais, mas sim, grandes prejuízos a religião.

Essas razões motivam-me a pensar que essa era é, na verdade, o início do fim da nossa religião. Não obstante, em meio a todo esse devaneio imprudente de parte dos nossos adeptos, deparei-me, também em 2011, com um movimento contrário a tudo isso.

Diferente do Orkut, em que muitas pessoas escondidas por de trás de perfis falsos, atacavam indiscriminadamente um monte de absurdos (as vezes não) do Candomblé, surgiram pessoas e casas que resolveram se expor, de cara limpa, mostrando-se contrários e indignados com a profanação do sacro. Quem diria que teríamos pessoas/casas, mostrando-se indignados com a profanação do Candomblé nas redes sociais, surgindo dessa forma a Campanha “Diga Não A Banalização do Candomblé”. Tive a felicidade de ver, por exemplo, na “I Homenagem aos Grandes Ògáns de São Paulo”, a presença de grandes Ògáns que não foram homenageados, mas que estavam presentes para comungar com seus mais velhos, isso é respeito, é união e, sobretudo ESPERANÇA!

Acho sim, que esses movimentos ainda são discretos e precisam ganhar força, o verdadeiro povo do Òrìsà deve manifestar-se, não por meio de perfis falsos, mas de cara limpa. É preciso que as pessoas tenham coragem de manifestar a sua opinião. Temos que transformar o início do fim, em o início de uma nova era....

Sem mais,
Opotun Vinicius

14 comentários:

  1. CONCORDO IRMÃO VOCÊ SEMPRE COERENTE..ESTAVA ME IMAGINANDO UM PEIXE FORA D'AGUA NOS CANDOMBLÉS MAS VI AGORA QUE EXISTEM PESSOAS QUE SENTEM ALGO PARECIDO COM O MEU SENTIMENTO..PARABÉNS EDNA TI ESU

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  2. Parabéns, meu Irmão, por mais este belo texto!
    Muitas coisas precisarm ser revistas, é verdade.
    Abaixo à banalização do Candomblé!

    Abraços,

    Mário

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  3. bom suas palavra expressa toda verdade meu irmão sei que muito dessa palavra relatada por vc expressa o sentido verdadeiro aquilo que realmente aconteçe dentro nossa religião mais lhe digo um pouco se muito candomblé esta do jeito que esta a culpa foi do dinheiro e de muitos antigos que se venderam e venderam seus awo.adupe bemça mano

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  4. Ìyálòrìsà Edna,

    Primeiramente, obrigado por sua participação aqui nesse espaço. Sim, por vezes sentimo-nos dessa forma, mas existem muitas pessoas que pensam da mesma forma, o problema é que a grande maioria, não tem coragem de expor suas opiniões. Mas, por outro lado, muitos estão aprendendo a se manifestar!!!

    Abs.,
    Opotun Vinicius

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  5. Mário, bom dia!

    Obrigado pelas palavras, fico feliz que tenha gostado do texto. Em verdade é necessária uma rápida mudança de postura da população do Candomblé, pois senão, simplesmente não haverá mais Candomblé.

    Abs.,
    Opotun Vinicius

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  6. Ailton, meu irmão!

    Alguns dos antigos, infelizmente se venderam, e contra isso, não podemos fazer mais nada. O que podemos fazer, é conscientizarmo-nos que o Candomblé é uma religião, com preceitos, dogmas, costumes que devem ser preservados e não deturpados, como está acontecendo.

    Abs.,
    Opotun Vinicius

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  7. Parabens pelas palavras e por toda reflexão atual de nossa religião aqui citada, e digo mais : fassamos nossa parte e a recomeçarmos a divulgar e pregar estas palavras em nossas casas, concerteza ja estaremos fazendo uma grande diferença para o futuro.
    Iniciado no orixá, sou nato desta religião ao culto dos orixás onde jamais quero ver acabar tantos preceitos e tanto esforços que nossos antepassados passaram para propagar uma bandeira de axé.....
    Babazinho Danilo D´ Oxoguiã

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  8. Babazinho Danilo, boa tarde!

    Sim, acho importantíssimo que, todos ainda que de forma sutil faça seu juízo de valores. Talvez precisemos, de olhar para trás para enxergar o futuro, quiçá ainda há tempo de mudarmos essa história! Obrigado pelas palavras participação!

    Abs.,
    Opotun Vinicius

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  9. Vinícius, no brasil é uma questão cultural, a grande maioria se apoiar em varias muletas "desculpas" para se ausentar, quando o quesito é o confronto de ideias, mesmo que estes, pelo senso comum, sirvam como melhora, para a vida de todos. Alguém sempre tem de iniciar, que este então seja de OGUM! Osiwaju por excelência. Ótima a sua abordagem, o assunto em pauta me leva a pensar, se neste novo tempo do candomblé, ainda poderei levar minha esposa e filhos a um barracão, sem me preocupar com a figura da religião que estão absorvendo, não por uma questão de pré conceito, mas pelo clima que perdemos, onde íamos a um terreiro, e por mais que tivéssemos diferenças sócio culturais, o amor pelo santo conseguia guardar, mesmo sem fotos e filmagens, todo um zelo para com nossos ancestres. Não costumo participar de todo movimento, pois nem sempre a diretriz me parece clara o suficiente, mas nesse caso irmão, conte comigo em que puder ajudar, pois temos uma sociedade para manter de pé.
    Forte Abraço.
    E que Olorum abençoe ao nosso candomblé.
    Asé, Ase, Asé...

    Ogan Nil.

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  10. A vida espiritual humana é como uma árvore, inclui raízes, um corpo, e frutos. As raízes representam a fé, nossa fonte de sustento e perseverança. O tronco, ramos e folhas são o "corpo" de nossa vida espiritual - nossas conquistas intelectuais, emocionais e práticas. O fruto é nosso poder de procriação espiritual - o poder de influenciar os outros, de plantar uma semente em um ser humano, nosso próximo, e vê-la brotar, crescer e dar frutos. As raízes são a parte menos "glamourosa" da árvore, embora a mais vital. Enterrada sob o solo, praticamente invisível, não possuem a majestade do corpo da árvore, o colorido de suas folhas nem o sabor de seus frutos. Mas sem as raízes, uma árvore não pode sobreviver. Além disso, as raízes devem se equiparar ao corpo; se o tronco e folhas de uma árvore crescem e se espalham sem um desenvolvimento proporcional em suas raízes, a árvore desabará sob seu próprio peso. E se as raízes são fortes, a árvore se regenerará mesmo quando o corpo for danificado ou tiver os galhos cortados. Também a fé é a menos glamourosa de nossas faculdades espirituais. Caracterizada por uma "simples" convicção e comprometimento com a fonte da pessoa, carece da sofisticação do intelecto, das cores vívidas das emoções, ou do senso de satisfação que provém da realização. E a fé está enterrada no subsolo, sua verdadeira extensão oculta das outras pessoas, e até de nós mesmos. Mesmo assim nossa fé, é o alicerce de toda nossa "árvore". Dela brota o tronco de nosso entendimento, do qual brota o ramo de nossos sentimentos, motivações e atos. E embora o corpo da árvore também forneça parte de sua nutrição espiritual, a parte principal de nosso sustento espiritual provém de suas raízes, de nossa fé e comprometimento. Uma alma pode desenvolver um tronco majestoso, ramos numerosos que se espalhem para todos os lados, lindas folhas e frutos capitosos. Porém esses devem ser igualados, na verdade suplantados, por suas "raízes." Sobre a superfície, pode haver muita sabedoria, profundidade de sentimentos, experiência abundante, copiosas realizações e muitos discípulos; mas se estes não estiverem seguros e vitalizados por uma fé e engajamento ainda maiores, será uma árvore sem raízes, fadada a desabar sob seu próprio peso. Por fim, junto com os frutos, vêm sempre as sementes, e estas sim se espalham produzindo novas árvores. E as sementes caminham, ô se caminham .... Se a semente com um bom material germinativo encontrar solo fértil onde se fincar, nossa mensagem criará raízes nas mentes e corações, e nossa própria visão será enxertada na manutenção da cultura. . Porém se não houver sementes de boas árvores, não haverá descendentes de nossos esforços, não importa quão saborosos sejam nossos frutos.
    Tenhamos fé de que belas árvores serão o nosso futuro ....
    Meu AGBA Vinicius, aproveito o ensejo para desejar-te um ano de 2012 com solo fértil, chuvas propiciatórias e um bom sol para a nossa árvore esplêndida do Ile Alaketu Ase Ibualamo

    Olorun Modupé.

    Jacson
    Omo Orisa Nile Alaketu Ase Ibualamo.

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  11. Comentários a mais são desnecessários, perfeito seu texto. E essa banalização não acontece só nas nações do Candomblé, mas também na Umbanda, no Batuque, etc. Nossa religião passa por um momento delicado. É preciso inteligência, cuidado e responsabilidade para lidar com tudo isso. Um abraço e por favor, me envie seu email que funciona, preciso muito falar com você! Meu email é obashanan2@yahoo.com.br

    Saravá!]

    Obashanan

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  12. Ogan Nil,

    Primeiramente, muito obrigado pela participação aqui no blog. É uma grande verdade, poucos tem a coragem em se mostrar, para confrontar idéias, alguns simplesmente pelo fato de não ter idéias...... Olha que ponto importante você tocou “ainda poderei levar minha esposa e filhos a um barracão, sem me preocupar com a figura da religião que estão absorvendo....”. Acho que essa sua frase diz tudo. Queremos uma religião para que possamos estar ao lado da nossa família, sem termos que nos preocupar...você tem plena razão! Parabéns! Fico feliz com a sua participação e espero contar com ela sempre!!! Um grande abraço. Vinicius

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  13. Jackson,

    Não poderia esperar outras palavras de um fidalgo filho de Òsógìyán. Parabéns pela linda dissertação e fico muito orgulhoso em ter em minha família alguém tão proficiente. Sou participe da opinião de que “se as raízes são fortes, a árvore se regenerará mesmo quando o corpo for danificado ou tiver os galhos cortados”. Fez-me recordar de um Itan, sobre a árvore de Okika, que foi a única a sobreviver mesmo depois de ter caído, graças ter aceitado e realizado aquilo Ifá havia lhe determinado. Hoje, quando vemos um galho de Okiká cair ao chão, não temos dúvidas de que ele irá novamente brotar e tornar-se novamente uma árvore frondosa. Mas isso acontece com Okiká, pois ela aceitou a determinação dos Deuses. Dessa forma, entendo que, as grandes árvores (Asès), as que possuem raízes fortes, como você disse, irão perdurar. E fazendo talvez a mesma analogia que você fez, aquelas Casas de Asè (as verdadeiras, as de raízes sólidas) vão sempre superar todas as adversidades, à exemplo dos negros que aqui aportaram e mantiveram a sua crença e fé. Corrobora essa pensamento, outro excerto do seu texto quando diz: “Também a fé é a menos glamorosa de nossas faculdades espirituais. Caracterizada por uma "simples" convicção e comprometimento com a fonte da pessoa.”Esse ponto é substancialmente importante, mas perigoso. A fé é, em verdade, o que nos move, não há razão em religião alguma sem a fé. Um acaçá tem um poder ímpar, único sem nada mais, sem outras milhares de comidas, somente o acaçá. Mas mesmo ele sendo tão poderoso, não terá efeito se eu não tiver fé na força dele, na força desse acaçá. A fé é sem dúvidas, um agente de transformação, que potencializa, mas ela sem discernimento cega o indivíduo, podendo até fazê-lo acreditar que um devaneio coletivo, seja a sua religião. Quando uma pessoa joga dendê em Òsálá por jamais ter sido orientado que esse é um ewó (interdito) dele, Òsálá o perdoará, afinal Òsàlá perdoa, é uma característica dele e o individuo acreditava que aquilo era bom. Mas no dia em que ele receber a correta orientação e, mesmo assim, continuar a jogar dendê em Òsàlá, ele não será perdoado. Mas ele o fez, simplesmente pela sua fé, sendo que até ontem ele fazia isso e nunca fora cobrado, então agora, mesmo que ele saiba que é errado porque vai mudar? Nesse caso ele está usando a fé, incondicional mas sem discernimento. A fé é a peça basilar, foi ela que fez com que tudo isso chegasse até nós, essa linda cultura. Mas também é essa mesma fé, que venda os olhos das pessoas para os absurdos que vêm ocorrendo. E nesse aspecto digo os seguidores e não o “seguido”, se a fé no “seguido” for maior que a fé no próprio Deus, valho-me das suas palavras “essa árvore está fadada a desabar sob o seu próprio peço”. Quando a fé no individuo é maior que no próprio Deus, a deturpação ocorre com o consentimento do fiel, mesmo sendo prejudicial a sua fé. Digo isso pois, a pessoa que sempre jogou dendê em Osalá tinha fé naquele dendê, quando recebeu a orientação correta, ela terá a mesma fé em Òsàlá? Talvez sim, mas ele terá a mesma fé na religião dele? Aqui está o ponto. Afinal, ele ficou 20 anos jogando dendê em Òsálá para ele ser orientado de que aquilo é um absurdo. Então ele se indaga, para que fez tudo isso ao longo de 20 anos?. Nesse momento ele perde a sua fé e, tornou-se uma semente daquela árvore, mas uma árvore que não é boa, como você disse. Mas, espero e torço, para que as belas árvores sejam de fato o nosso futuro e, pensando assim, chego a conclusão que estamos no início de uma nova era e não no início do fim. Espero, então, que as árvores que não são boas, sejam aniquiladas, pois são na verdade, como ervas daninhas que prejudicam o solo. E que, perdurem as belas árvores, tornando-se mais fortes e que, sobretudo, suas sementes boas, encontrem o solo fértil para germinar. Obrigado pelos votos, os quais desejo-lhe igualmente e, por nossa sorte, estamos no jardim das folhas sagradas, onde nascem rebentos da árvore sacra, forte, de raízes sólidas chamada Ilé Alákétu Asè Ibùalámo.

    Abs.,
    Vinicius

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  14. Obashanan,

    É verdade, é preciso inteligência, cuidado e responsabilidade para lidar com tudo isso. Mas acho que apesar de tudo nem tudo está perdido... Te encaminhei um e-mail para o contato que você me passou, ok?

    Abs.,
    Vinicius

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