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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Escrevemos a História – A Perpetuação do Ilé Ibùalámo – Candomblé de Família!

 
Não existem palavras que consigam expressar o que vivenciei no último dia 19 e 20 de Outubro. Antes de tudo, agradeço de coração as centenas de pessoas que se locomoveram rumo ao Ilé Ibùalámo, para conosco louvar o Patrono da nossa Casa e prestigiar a assunção da minha irmã, Ìyá Gabriela ao trono. Agradeço, outrossim, o empenho, dedicação e fé intangível de cada Omo Òrìsà – sem vocês, nada seria possível.
 
A cerimônia pública que marcou a continuidade do Ilé Ibùalámo foi a conclusão de um ciclo que teve início na partida do meu Pai José Carlos para o Orùn. Conforme apregoa os nossos costumes, todas as obrigações fúnebres foram realizadas. Nesse período, guardamos luto de forma séria e responsável, nos privamos de tudo – confesso foi árduo.  Depois de concluída essa dura e dolorosa etapa, o dono da casa, nosso Pai Ibùalámo fora consultado por meio de uma cerimônia específica, com o objetivo de saber sua vontade acerca do destino da nossa comunidade – seu desejo? Minha irmã, Ìyá Gabriela Santana é a nova Ìyálòrìsà do Terreiro de Ibùalámo.
 
Isto posto, foi decidido que aos dezenove dias do mês de outubro de 2013, a casa abriria novamente as suas portas para louvar o seu patrono – o tradicional Sire Faraimora. Foi decidido ainda que, aos vinte dias de outubro – data da fundação do Terreiro e Odun religioso do nosso Pai José Carlos, seria realizada a festa de Òsun a esposa de Ibùalámo – assim aconteceu no último final de semana nesta terra da garoa, que cessou o frio e chuvas, para fazer brilhar o Ofá na Sociedade Ilé Alákétu Asè Ibùalámo.
 
Foi um mês de muitas funções, muitas cerimônias, muitos rituais para que tudo ocorresse em plena harmonia. Rendemos homenagens aos nossos ancestrais e solicitamos a eles a autorização para realizar todas as festividades. A Èsù Alákétu, o rei de Kétu, pedimos que tudo ocorresse em plena harmonia. Cuidamos de nossos Ori, pois somente é possível cuidar dos Òrìsàs se o nosso Orì estiver alimentado e, por fim, realizamos as obrigações (Oro) de Ibùalámo e Òsun. O Asè foi novamente revitalizado, renovado e multiplicado. Em nossos corpos, o poder do Batenté revigorou-nos para que pudéssemos seguir adiante, mesmo sem a presença física do eterno líder da nossa comunidade.
 
Cuidamos daqueles que cuidam da porteira da nossa casa, ofertamos a Ona, Ògún e Ìyá, pedindo-lhes que permitissem entrar naquela casa, somente àqueles que estivessem com o coração aberto para louvar os Òrìsàs. Que qualquer tipo de Ajé fosse aplacado e jamais fossemos acometidos pela cólera das Ìyá – e Graças aos Deuses, podemos receber centenas de pessoas sem que houvesse um dissabor, sem que houvesse uma única discussão – todos estavam lá para louvar os Deuses Africanos. Como foi lindo.
 
Ao longo de todo o dia, fogos anunciavam que o Ilé Ibùalámo estava em festa. De hora em hora, o Alagbé do Terreiro Fábio Ferreira nos surpreendia com os rojões. A cada explosão o grito espontâneo de todos os filhos: “Oke Aro! Oke”.  Nesses momentos, me recordei de meu Tio Gamo que sempre me falou: “O convite do Candomblé é o rojão, o som dos fogos”. Assim foi, estávamos convidando a comunidade fundada pelo meu Pai, para uma vez mais louvar os Òrìsàs.
 
No final da tarde, tudo estava pronto. No olhar dos filhos da casa um turbilhão de sentimentos. A hora que todos esperavam estava chegando. O barracão vestido para a festa possuía uma moldura especial, uma linda foto daquele que sonhou, idealizou e concretizou o nosso Ilé, meu Pai José Carlos de Ibùalámo. Em qualquer direção que olhávamos nos deparávamos com o Ofá de Ibùalámo, a nossa grande bússola – o nosso norte. No chão, as folhas forravam o solo sagrado para que todos de pés descalçados (Lese Òrìsà) pudessem enfim, dançar o Sire dos Òrìsàs. Os atabaques no barracão bradavam a Hamunha, comunicando-se por meio da música com os fiéis como quem diz: “entrem e dancem, pois a vida está se renovando”.
 
Dar início ao Candomblé, com a roda repleta dos filhos do meu Pai, agora filhos da minha irmã tem um peso especial, uma carga emocional diferenciada – a emoção da continuidade. Os filhos do Ilé Ibùalámo continuam filhos do Ilé Ibùalámo – que satisfação. Eu e minha irmã nos preparamos muito emocionalmente e preparamos todos os filhos do Terreiro. Sempre falávamos: “Vocês devem se preparar para um Candomblé sem a presença do nosso Pai, para a festa de Ibùalámo sem o nosso Pai aqui, devemos nos preparar”. Pois eu digo, foi bom sim nos prepararmos para isso, no entanto, em momento algum senti a falta do meu Pai, em momento algum senti a ausência dele. Ele estava lá conosco abençoando tudo.
 
Findado o Sire, na residência do meu Pai, mais precisamente no quarto que foi o quarto dele estava minha irmã. Ao seu lado, nossa Ìyálòrìsà Mãe Luizinha de Nana com nossa família, Pai Giba, Pai Carlinhos, Mãe Elza, Mãe Dani, Mãe Gui, Tia Magui. No olhar da minha mãe carnal, Mãe Nalva, observava a lágrima correr. Eu parecia já ter visto aquela cena. Minha irmã, à exemplo do meu Pai, com o Ori rodeado com as sagradas folhas de Akoko (A Folha do Título), segurando nas mãos da nossa mãe de Nana. Há exatamente vinte e seis anos, meu Pai também com o Ori rodeado com as folhas de Akoko era anunciado como Babalòrìsà por nossa avó Maria, também Ìyálòrìsà de Nana. Aqui, valho-me do yorùbá: “Omo Jo Baba-o” (os filhos são a imagem do Pai), a história estava se repetindo com louvor.
 
Antes de ser apresentada ao público, nossa Mãe Luizinha apresentou a nova Ìyálòrìsà do Terreiro ao chefe da casa, ao nosso Pai Ibùalámo. Em seguida, àqueles que fizeram a história antes de nós, àqueles que edificaram a nossa casa e a nossa religião. Ela foi apresentada aos ancestrais do Terreiro.
 
Caminhando em direção ao salão festivo, minha irmã saudou todos os quartos de santo. Quando chegamos diante do Opa Orere, nos deparamos com Ogan Ney de Òsóòsì, que chorou cantando o Àsèsè do meu Pai e que neste momento sorria por ver a continuidade desta casa.
 
O rufar dos atabaques liderados pelo maior mestre dessa cidade, meu Mestre Robson, anunciava ao Terreiro a chegada da nossa nova mãe. O barracão abarcava grandes amigos, Ògáns, Babalòrìsàs, Ìyálòrìsàs e a comunidade do bairro que meu Pai liderou por tantos anos. Aqueles que não conseguiram entram se acomodavam nas janelas para testemunhar a história ser escrita.
 
Minha mãe Luzinha entoou: “Ìyálòrìsà-ooo Bogun De” e nesse caso, somente quem conviveu com os antigos, quem teve a sorte e privilégio de estar ao lado de quem aprendeu o tradicional Candomblé, sabe a história dessa cantiga. Desse modo, minha amada e querida irmã foi empossada Ìyálòrìsà do Terreiro Ilé Alákétu Asè Ibùalámo, na cadeira que traz trás importantes símbolos para nós. O Ofá de Ibùalámo - o dono da casa, o Sasara de Obaluwaiye - o Òrìsà da Ìyálòrìsà da casa e o Abébé de Òsun – Divindade de ambos! Minha mãe Elza, com seu conhecimento, por sua vez cantou: “Egbe Ayo Awa Aboorisa”. E sobre essa cantiga valho-me das palavras da venerada Mãe Bida: “A comunidade está em alegria, pois nós somos adoradores de Òrìsà”.
 
 
Eu pedi Ago (licença) à minha Ìyálòrìsà e à Ìyálòrìsà da casa para cantar as cantigas que sei que Pai entoaria nessa ocasião. A primeira diz sobre a importância da folha de akoko na outorga de um título. A segunda que versa sobre a história do nosso Asè, que evoca os Òrìsàs de Pai Otávio e do meu Avô Camilo de Òsóòsì. A terceira que discorre sobre a chegada do Povo de Kétu. Que momento, único, mágico e carregado de Asè. Por fim, uma cantiga para que todos os filhos da casa pudessem dançar para sua Ìyálòrìsà, a cantiga diz: “O Céu e a Terra estão em festa”. E, não tenho dúvidas, o Céu e a Terra estavam em festa.
 
Decorrido esse momento de grande Asè, pedimos aos presentes que tinham condições de se ajoelhar que o fizessem, pois renderíamos homenagens ao nosso Pai José Carlos. Emocionei-me ao ver o barracão de joelhos, mesmo a assistência composta por muitas pessoas que sequer são de Candomblé, mas que certamente se lembraram da importância do meu Pai em suas vidas. E diante do Asè central da casa, a Comunidade do Ilé Ibùalámo saudou o seu fundador: “Baba Baba-o... Baba Oku-o A Ope lare-o... Oro Eleda... Awa De kerekere”... O coração já tomado pelo sentimento, pelas lembranças já interfiam na voz, que tentava ecoar. Candomblé não é feito de palavras bonitas, Candomblé é feito de emoção e isso o Ilé Ibùalámo é impregnado.
 
A Ìyálòrìsà Gabriela de Omolu sequer permitiu-nos recompor e entoou a reza do Òsóòsì dos nossos avós e também do nosso Pai. Uma vez mais, o barracão de joelhos sentia a emoção de uma casa de tradição familiar que prega pela sua ancestralidade e por suas raízes. Por fim, acompanhada pelo o som dos “Awo” tocados pelo Ogan Paulo, Eperin da Casa, minha irmã cantou o Agéré mais emblemático da nossa casa, a cantiga que sempre chamou nosso Pai Ibùalámo à terra. Novamente a magia tomou conta da casa. O Hun abençoado por nosso Pai Ibùalámo, nas pancadas do meu Mestre Robson, emitia o som do mais perfeito Agéré. Ele verdadeiramente conseguiu ligar as veias do coração à ponta do Agidavi, fazendo vibrar o som que atravessou o oceano para trazer Òsóòsì da África ao Brasil.
 
Os Deuses Africanos chegaram para abençoar a nova Ìyálòrìsà do Ilé Ibùalámo! E se existe um toque que chama Òrìsà na nossa casa esse toque é o Agéré, o Agéré de Ibùalámo, o Agéré do rei da nossa nação. Ainda em meio ao calor que nos tomava, eis que chega a terra, na sua terra, na sua casa, nosso Pai Obaluwaiye. A casa é e sempre será de Ibùalámo, mas a Divindade que está regendo desta feita é Obaluwaiye e ele mostrou isso ao som do Opanijé perfeito. Ele também é dono do Ilé Ibùalámo.
 
Na saída dos Òrìsàs, ao som de “Ago Fé Nu Banba” todos os filhos novamente gritavam de forma eufórica a saudação dos donos da casa: “Oke Aro, Oke Aro, Atoto, Atoto”!!! A comunidade estava alegre, contagiada, realizada! Todos estão dando continuidade a missão iniciada por nosso Pai.
 
Òsóòsì tomou Hun de forma esplêndida, da mesma forma que sempre fizemos quando nosso Pai estava no aye, nada mudou. Obaluwaye por sua vez, emocionou todos dançando ao som das cantigas mais tradicionais do Candomblé, ao som da voz dos filhos da casa que abraçaram a nova Ìyálòrìsà como sua Ìyálòrìsà. Quem Candomblé! Que Candomblé!
 
Pouco antes do término, quando já estávamos conseguindo entender tudo o que já havia acontecido até então, somos novamente surpreendidos, desta vez, pelos filhos de santo da casa, que entraram no barracão, cantando “Omo Nile Ayo” (Os filhos da casa estão em alegria), entregando à minha irmã e a mim, lindos buquês de flores. Quanta emoção ver esses filhos da casa, juntos conosco em todos os momentos, lutando, batalhando e sofrendo conosco. Foi lindo os ver cantando uma cantiga que meu Pai tanto cantou naquele salão. Aqui, valho-me das palavras da minha irmã, proferidas nessa hora: “Ter amigos é maravilhoso, mas ter os filhos de santo do meu Pai não tem preço”. Que orgulho desses filhos da casa, que orgulho, vocês são o Ilé Ibùalámo Laila!!!! Novamente o Agéré se fez presente e novamente as lágrimas incontidas corriam dos nossos olhos e nos olhos de muitos que lá estavam.
 
O primeiro passo fora dado com louvor, com amor e com fé. No domingo, dia 20 de outubro, dia da fundação da casa, dia do Odun de santo do meu Pai, estávamos novamente aos pés do Òrìsà, agora para celebrar a festa de Òsùn, com todas suas rezas, seu Ipete e seu lindo presente. Como foi especial podermos louvar num único final de semana, as duas Deidades que regiam o Ori do nosso Pai.
 
A Sociedade Ilé Alákétu Asè Ibùalámo está em alegria e assim permanecerá para sempre! Viva Ibùalámo, Viva a Memória do Meu Pai e Viva a nova Ìyálòrìsà do Ilé Alákétu Asè Ibùalámo. Vida longa com saúde à minha irmã Gabriela de Omolu – Ìyálòrìsà Nile Alákétu Asè Ibùalámo.
Sem Mais,
Opotun Vinicius

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Uma Pessoa de um determinado Asè pode receber um título (Oye), em outra casa?

Assim foi a mensagem que recebi no meu e-mail, na qual um dos seguidores do meu Blog informou que é filho assíduo de uma casa, mas lhe foi outorgado um título honorífico (Oye) em outro Asè. Ele me narrou que após isso, ficou com receio de ir à sua casa, com medo da sua Ìyálòrìsà achar que ele havia traído a sua casa matriz.

Antes de tudo, quero agradecer o e-mail com a dúvida, pois me permitiu abordar um tema que, até então, não havia pensado discorrer. Só não vou mencionar o nome da pessoa, haja vista a mesma ter pedido que não o fizesse, embora não a conheça pessoalmente.

Essa prática é muito comum em Salvador e a meu ver é algo muito positivo para a edificação do Candomblé, pois estreita laços de amizade entre as pessoas e suas respectivas casas. Corrobora, ainda, para a formação do tão falado, mas pouco praticado “Ajo” (“união”).

Conjecturo que essa prática teve início no Ilé Asè Opo Afonjá, à época de Mãe Aninha. A célebre e visionária Ìyálòrìsà conferiu títulos para pessoas de outras casas (por exemplo, para alguns irmãos de santo seus, filhos do Ilé Ìyá Naso Oka) e títulos “não religiosos” para intelectos da sociedade baiana.

Afirmo visionária, pois os escolhidos por Mãe Aninha para receberem títulos (sejam religiosos ou não), tinham grande destaque na Bahia, contribuindo dessa forma, para o fortalecimento da sua casa recém-surgida em São Gonçalo, bem como, para a promoção da Religião dos Òrìsàs, propriamente dita. Fato é que, na história do Candomblé, talvez nenhuma Ìyálòrìsà fora tão politizada como Mãe Aninha.


Com uma sagacidade ímpar, Mãe Aninha conferia postos não religiosos aos intelectuais baianos e estrangeiros que por lá residiam, dando-lhes certa notoriedade em meio às comunidades-terreiro, entretanto, não lhes facultando nenhuma atividade religiosa. A despeito disso, gerava o vínculo que levaria à sociedade a palavra dos Òrìsàs, talvez fosse esse o seu mote principal. Aos filhos de santo de outros terreiros (como o já mencionado exemplo da Casa Branca), outorgava títulos religiosos, com funções e graus hierárquicos distintos, a depender da confiança.

Assim, podemos afirmar que a prática é fundamenta na tradição do Candomblé Baiano, pois há amplo registro documentado e oral sobre o tema. No entanto, a decisão de outorgar um título honorífico para uma pessoa deve ser muito bem pensada. Essa decisão, em verdade, implica em varias reflexões, sobretudo quando o escolhido para receber essa honra, é membro de outro Asè. Todo um cuidado deve ser tomado, pois a decisão deve ser inequívoca.

Caso a concessão do título não ocorra de forma muito transparente e com sapiência por parte do Sacerdote, aquilo que tinha como objetivo homenagear uma pessoa e estreitar laços, poderá acarretar em constrangimento e mesmo em uma desavença entre casas.

A transparência é necessária, pois o Sacerdote que vai outorgar o título a alguém de outra casa, deverá antes conversar com o Babalòrìsà/Ìyálòrìsà daquela pessoa, explicando, por exemplo, que deseja conceder ao seu filho um título, pois ele é muito amigo e querido da sua casa, sem nenhum intento de “roubar-lhe”. Isso mostra cavalheirismo e ética religiosa.

Apesar da angustia da pessoa que me escreveu estar relacionada a sua Ìyálòrìsà e sua Casa de Asè (aqui, fortemente motivada pela falta de transparência de quem lhe deu o posto), acho que o mais sensível é, na verdade, o relacionamento daqui em diante com a casa que ele recebeu o título. Por isso falei que é necessária sapiência da pessoa que está outorgando o título, vejamos.

Quando um Sacerdote resolve conceder um título em sua casa, para uma pessoa de outro Asè, ele de certo modo está preterindo alguém de sua casa e aqui está o problema.

A intenção da homenagem é quase sempre salutar, no entanto, o Sacerdote precisa ter plena certeza que essa sua ação não causará um desconforto com os filhos da casa e, principalmente, dos filhos da casa com a pessoa que receberá o posto. Explico.

Em suma, uma pessoa recebe um título em outro Terreiro, por ser querido nesse Asè. Na grande maioria das vezes, a pessoa além de ser querida pelo Babalòrìsà/Ìyálòrìsà é também querida pelos filhos daquela casa, possuindo fortes vínculos de amizade. Mas, o que o Sacerdote não pode olvidar é que, por vezes, o título poderia ser dado a uma dessas pessoas e quando isso não ocorre, invariavelmente, as pessoas da casa (ainda que gostem do recém-intitulado), podem iniciar os questionamentos:

“Ele é uma boa pessoa, meu amigo, mas será que não tinha ninguém aqui em casa para receber esse posto? Nossa tanta gente velha de santo aqui dentro, que não tem posto nenhum, mas para os de fora ele (ela) sabe dar? Que absurdo!”

Pronto, a pessoa que até então era querida e amada, passa a ser o alvo das discussões, das chamadas “rodinhas”. Dessa forma, surgem os problemas decorrentes do posto. A saber:
 

- Àqueles que gostavam da pessoa que recebeu o posto, passam a lhe tratar com desprezo;

 
- O Sacerdote ganha mais um problema interno, tendo que gastar sua habilidade para tentar resolver as “picuinhas”;

 
- Desprezado e se sentido como um peixe fora d’água, a pessoa que recebeu o título, deixa de frequentar a casa que foi amigo por anos, fazendo com que o título não seja exercido. Desse modo, de nada adiantou o posto.

 
Entretanto, quando o processo é realizado de forma clara, transparente, coerente e com ética, aquela pessoa passa a ter um papel importante na formação daquele Terreiro e o Terreiro passa a ter um importante papel na formação daquela pessoa.
 

Existem muitos casos, amplamente conhecidos em Salvador, de pessoas de um determinado Asè terem recebido algum título em outra casa e, contribuir para o sucesso desta, sem momento algum, deixar sua missão e vínculo com a casa a qual é iniciado/faz parte.
 

Tanto na casa do meu Pai, o Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo, como na casa do meu Babalòrìsà, Pai Pércio de Airá, existem casos como os relatados acima, em que pessoas de outros Asè receberam posto, sem que isso afetasse em nada a convivência, seja com os filhos da casa, seja com a casa a qual a pessoa faz parte.

Há sim títulos que não podem ser conferidos às pessoas de outras casas, há um grande número de Oye que só podem ser entregues aos filhos da casa, às pessoas que são de dentro daquele Asè. Não sei qual posto a pessoa de mensagem recebeu, mas só nesse caso havia com o que o se preocupar.
 

Sem mais,
Opotun Vinicius

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Atabaque, por Amor ou Dinheiro? A cobrança de Valores para Tocar/Cantar um Candomblé!

Desde que iniciei as postagens nesse blog, recebo e-mails (opotun@hotmail.com), pedindo para abordar esse tema. Muitas dessas mensagens me pareceram ter como objetivo impulsionador, não as possíveis dúvidas de quem as escrevia, mas sim, o intento em gerar uma quase que inevitável polêmica acerca da questão. Em miúdos, àqueles que não possuem coragem de falar, preferem sugerir esse tipo de tema para alguém que tenha. Confesso que relutei um pouco, sendo que o assunto em questão é verdadeiramente polêmico, no entanto, vez que resolvi escrever um blog que resumidamente aborda tópicos sobre Ògáns e Atabaques, em algum momento teria que discorrer sobre o assunto em título.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Alagbé - O Maestro da Sacra Música do Candomblé

Alagbé,

Inicialmente agradeço as mensagens que recebi no meu e-mail (opotun@hotmail.com), pedindo que eu voltasse a discorrer nesse espaço. Sobre isso, esclareço que jamais tive a intenção de parar, contudo, o tempo cada vez mais escasso, não me permite escrever na periodicidade esperada. Assim, não poderia deixar de agradecer pelo carinho, atenção e compreensão de todos. Espero sempre poder estar à altura das expectativas das pessoas que leem esse blog, bem como, contribuir ainda que de forma singela, com a fomentação e disseminação da religião da qual sou partícipe, o Candomblé.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Há algum tempo não escrevo...

Há algum tempo não escrevo...

Há algum tempo não escrevo, em verdade, faz muito tempo que não escrevo nesse blog. Hoje não vou discorrer sobre os grandes mestres dos atabaques, ou sobre os importantes toques da sacra música dos Òrìsàs, mas brevemente o farei, garanto. Hoje vou falar um pouco sobre o período de luto que estou vivendo em razão da morte física do meu Pai, que ocorreu há quase sete meses. Escrevo, também, por acreditar que de alguma forma, minhas palavras possam confortar alguém que já tenha passado pelo que estou passando e, eventualmente, preparar um pouco aqueles que, invariavelmente passarão por isso um dia.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Pai Pércio, A História do Filho de Airá

Há pouco mais de um ano, escrevi um texto chamado “Pai Pércio, A História do Filho de Airá”, discorrendo sobre a morte do meu amado Babalòrìsà Pércio de Airá. À época, eu ainda não tinha Blog, publicando-o na minha página do Orkut, sendo o texto carinhosamente reproduzido, em sua íntegra, no jornal de Pai Flávio, A Gaxeta. Lendo novamente, resolvi aditar algumas passagens que tive com meu Sacerdote e, publicá-lo. Fato é que, sou um Omo Òrìsà muito feliz, por ter sido iniciado por um dos maiores Sacerdotes do Brasil e, sobretudo, por sempre ter tido por ele, um grande respeito. Respeito esse que sempre foi recíproco. Pouco antes do seu falecimento, em ocasião da Festa de Yewa da minha irmã Luciane, ele me disse: “É meu filho, você sempre prestou atenção em tudo que eu te disse, sempre foi muito atento, inteligente e, principalmente, sempre foi vodunsi, muito vodunsi. Quando eu recebi a sua carta, eu chorei. Chorei porque você contou a minha história, nada do que você escreveu é mentira, tudo verdade...”. Meu Pai Pércio, referia-se a uma carta que escrevi para ele, quando ele estava internado e que, contava boa parte da história transcrita quatro meses depois, quando do seu falecimento, inclusive o título “O Décimo Segundo Filho”. Abaixo, o texto.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Os Toques do Hunpi e HunLé São Todos Iguais?

É muito comum ouvirmos de grande parte dos Ogans, a seguinte máxima: “No Kétu, Hunpi e Hunlé são tocados da mesma forma”. Em suma, os mesmos Ogans completam dizendo: “No Angola que há diferença dos toques do Hunpi para o Hunlé, no Kétu não”. Há algum tempo estou querendo chamar atenção para essa importante e sutil diferença, que há entre o Hunpi e o Hunlé em muitos toques da tradição Kétu-Nàgó.

Em verdade, não podemos deixar de lado que, há casos, em que as frases musicais executadas no Hunpi e no Hunlé são exatamente as mesmas, como exemplo, cito o caso do Daró, Kitipo, Izo, Adahun, dentre outros. Entretanto, há toques em que a marcação é distinta, a depender do atabaque (Hunpi ou Hunlé). Nesse espaço mesmo, já comentei um desses casos, o Ijesa de Òsun, Òsàlá, Ògún, etc. Obviamente que não há verdade absoluta, há casas renomadas, de grande tradição musical dentro do Candomblé, em que as frases músicas, por exemplo, do Ijesa, são idênticas. Todavia, vou discorrer sobre aquilo que aprendi e que pratico.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

AWO! UM TOQUE MINORADO POR MUITOS, MAS IMPORTANTE PARA OS ÒRÌSÀS

Primeiramente quero agradecer ao Roger Zanela, que conseguiu converter para videos, os links de exemplo constantes nesse artigo. Há alguns dias estou com essa postagem pronta, mas sem publicar por não conseguir converter meus arquivos de áudio em vídeo.


Retomando as postagens que deram origem a esse Blog, hoje resolvi abordar um toque que muitos acreditam ser bastante simples, para não dizer simplório, o que invariavelmente induz muitos Alagbés ao erro na aplicação de suas diversas e complexas variações. Assim sendo, creio que muitos Ogans irão surpreender-se com as diversas vertentes/aplicações do toque “Awo”, um dos mais usais do Candomblé e, na mesma proporção, um dos menos estudado.

terça-feira, 10 de abril de 2012

O Silêncio dos Atabaques - O Período Fúnebre nos Terreiros Nago

A maioria dos meus artigos refere-se à musicalidade da Religião dos Òrìsàs, o poder evocatório, o poder de transcender o profano chegando ao sacro por meio dos atabaques, enfim, todos os aspectos relacionados a essa cultura sobremaneira rica da musica no Candomblé e das pessoas que conseguiram destaque por meio dela. No entanto, hoje vou abordar um tema pouco comentado “O Silêncio dos Atabaques”, que é a forma com a qual eu defino o “Luto na Religião dos Òrìsàs”.
Diferente, por exemplo, de um terreiro de Egúngún em que os rituais ligados aos Ara Orun (habitantes do além) são realizados por meio dos atabaques (inclusive Àsèsè), no culto aos Òrìsàs esses instrumentos silenciam-se diante da morte, anunciando o início e término de um período fúnebre. Por questões obvias da manutenção do Awo (segredo) da minha cultura, que dita que o mistério não pode ser revelado aos não iniciados, não posso discorrer com profundidade sobre as exéquias dos atabaques, que não são poucas e que devem ser realizadas por pessoas capacitadas para tal, mormente pela sua significância e complexidade. No entanto, posso dizer que a importância dos atabaques é tão representativa que, mesmo em silêncio, eles possuem o poder da comunicação.

terça-feira, 13 de março de 2012

Meu Pai, Até o Dia do Nosso Reencontro... Te Amo!!!

Aos cinco dias do mês de março do corrente ano, data regida por Nana, Deidade que meu Pai tanto amava e venerava, Olodunmare pediu que cessassem as chuvas de São Paulo. A Cidade da garoa revestiu-se com o fulgor do sol, resplandecendo sobre nós, o brilho de um dos seus filhos mais digno e probo, que chegava aos pés do Criador com louvor. Aos 56 anos de idade, morre o Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo.
Em verdade não poderia ser diferente, ao passo que ao longo da sua vida, meu Pai, abrilhantou com suas palavras, gestos e atitudes, cada pessoa com quem teve contato, cada pessoa que orientou, cada pessoa que ajudou sem olhar a quem... No dia de sua chegada ao Orùn, o céu não podia chorar, mas sim, recebê-lo em meio à luz que o norteou a vida inteira...
Foto: Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo no Agbo de Òsóòsì.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Reflita muito, antes de chamar àquele que te iniciou de Pai ou de Mãe, pois um dia, você terá que ser filho e talvez, só tenha disposição para ser um Omo Òrìsà.

Confesso que tive dificuldade em dar nome ao título dessa postagem. Ainda não tenho a plena certeza se o supramencionado é o melhor, todavia, acredito que ao longo desse texto, me farei entender, independente do título.

Nasci e cresci, vendo as pessoas que admiro dentro da Religião, referir-se aos seus Sacerdotes, como “Meu Pai Fulano”, “Minha Mãe Beltrana”, etc.. Valho-me do exemplo do meu Pai, o Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo, que sempre exclamou:

“Minha Mãe Maria de Nana”;
“Meu Avô Camilo”;
 “Meu Pai Tarrafa”;
“Minha Avó Célia”;

O mesmo presenciei de meu Pai Pércio que dizia: “Minha Mãe Simplícia”, “Meu Pai Manuel”, etc.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Quando a Música, o Alagbé e o Òrìsà Tornam-se Um Só.

Todos os membros das Comunidades do Candomblé são importantes; do Abiyan ao Sacerdote, cada um possui um papel de fundamental importância. Mas não podemos olvidar-nos que a figura do Alagbé, destaca-se em meio a essa Sociedade, causando encantamento às crianças e, servindo de espelho para muitas pessoas que vão às festas. Quando digo Alagbé, não me refiro somente/ou ao Ògán que fora outorgado com esse título, mas sim, àqueles que diante dos Atabaques, conseguem estabelecer uma linha que transcende as fronteiras do mundo em que vivemos, para o mundo dos Deuses que cultuamos.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Asè Batistini - O Início de uma Nova História!


Na madrugada de sexta para sábado, o silêncio imaculado que pairava na Sociedade Ilé Alákétu Asè Airá, foi interrompido pelo som do pequeno sino, anunciando o início da procissão das Águas de Òsàlá. À exemplo do que fazia nosso saudoso Pai Pércio de Sàngó, os herdeiros (Mãe Luizinha de Nàná, Mãe Gui de Yemoja, Pai Gilberto de Ògún, Mãe Daniele de Òsun e Pai Carlinhos de Òsóòsì), adentraram ao barracão, apaziguando o ambiente com o Omi Tutu (a água que refresca). Foto de Pai Pércio no Altar de Airá.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Um Toque Esquecido...

Em uma de minhas postagens nesse blog, comentei acerca da pluralidade de toques do chamado Candomblé Kétu-Nàgó, um conjunto de ritmos oriundos da herança africana, que foram perpetuados nas mãos dos antigos Alagbés da Bahia. Comentei, ainda, sobre a incessante busca pelas famosas 17 passagens da Hamunha de Ìrókò ou do toque do cântico Toke Daju-a de Nàná. Em suma, os dois toques mencionados, são pouco conhecidos pela maioria dos Alagbés, no entanto, amplamente comentados, pelos mesmos.

Ao analisarmos a magnífica variedade de ritmos existentes no Candomblé baiano, além dos toques pouco conhecidos, mas bastante “comentados” (conforme os dois exemplos citados), deparamo-nos com toques pouco conhecidos e pouco comentados, um deles o motivador desse pequeno artigo.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A Tríade Musical de Sàngó

Hoje vou escrever sobre três importantíssimos toques da cultura Kétu-Nàgó, a Tríade Musical de Sàngó, que são ritmos de atabaques, consagrados ao Rei de Oyo e que, devem ser executados subsequentes um ao outro e sem cânticos. Muito embora seja uma tríade (que alude ao número três), dois desses toques estão sendo esquecidos pela maioria dos Ògáns, Babalòrìsàs e Ìyálòrìsàs.

Primeiramente, quero chamar atenção para um fato. A maioria dos Deuses Africanos, possuí um toque que lhe pertence, sendo esse usado somente para ele e para nenhuma outra Divindade é, por exemplo, o caso do Ìgbín de Òsálá. Mas no caso do temido Sàngó, são três os toques que lhe pertencem (na verdade há outros, mas também executados para mais alguma Deidade, à exemplo do Bàtá, razão pela qual vou me ater somente a tríade). Isso mostra-nos a importância que esse Òrìsà confere ao som do tambor e, obviamente ao tambor propriamente dito.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O INÍCIO DO FIM, OU O INÍCIO DE UMA NOVA ERA!!!

Ao longo dos últimos anos, o Candomblé vem passando por uma longa trajetória de mudanças, aqui mesmo nesse espaço já abordei algumas. Mas, em 2011, surpreendeu-me alguns marcos que me levaram a refletir se a milenar Religião dos Òrìsàs, está chegando ao seu fim ou na melhor das hipóteses, no início de uma nova era.

Na incessante busca de alguns em cercear-nos de praticar nossos costumes e rituais, temas como o Sacrifício Animal, jamais foram abordados de forma tão contundente, como nesse ano. Mas esse movimento de membros dos ditos “poderes nacional”, em parte, fora desencadeado por adeptos do Candomblé, que indiscriminadamente, não se furtam em profanar o sacro, pulverizando imagens e vídeos que, deveriam permanecer na clausura dos Terreiros de Candomblé. E, por favor, não excetue da leitura o “em parte”. Mas, fato é que, há dessa forma, uma incoerência brutal do povo do santo que, impede alguns de seus filhos de presenciarem determinados rituais, a depender do tempo de iniciação, posto, etc., mas não priva a sociedade dos mesmos rituais, expondo-os, nas redes sociais e youtube, por meio de fotos e vídeos de sacrifício, iniciação, etc.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo, Um Sacerdote que Edifica Sua Religião

Quando iniciei esse Blog, o mote principal era dissertar sobre as histórias dos Grandes Mestres do Atabaque, bem como a música nas Sociedades Ketu-Nago. No entanto, ao longo do tempo, observei a necessidade de falar sobre outros temas, pessoas e casas. Desta forma, além do proposto inicial (que não será descontinuado e que abordará também os Grandes Mestres de SP e RJ), vou escrever sobre temas e pessoas em geral, relacionadas ao Candomblé. Nessa nova etapa, resolvi falar um pouco sobre alguns Sacerdotes e suas respectivas Casas de Asè, mas não aquilo que todo mundo já sabe, algo novo, algo de diferente.  Nesse primeiro “Perfil Sacerdotal”, não poderia falar de outra pessoa senão, o Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo (meu Pai Carnal) e sua Casa, a Sociedade Ilé Alákátu Asè Ibùalámo. Foto: O Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo Diante do Oparere de Ibùalámo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O Candomblé Precisa Evoluir?!

Há algum tempo, me deparo com vertentes da nossa Religião, afirmando de forma contundente que o Candomblé deve evoluir. Que as roupas devem ser mais luxuosas, que o tempo de recolhimento deve ser diminuído, que as pessoas não precisam se curvar ante aos mais velhos, que não precisa haver tanta hierarquia, etc. Particularmente, eu discordo dessas ditas “evoluções” ou quase todas, considerando-as na verdade como “involuções”, ou seja, o “Processo inverso ao da evolução”.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

I Encontro dos Grandes Mestres Ògáns de São Paulo

É com grande satisfação que hoje vou postar algumas fotos do “I Encontro dos Grandes Mestres Ògáns de São Paulo”, ocorrido no último dia 11 de novembro.
Inicialmente, quero registrar o meu agradecimento ao meu Pai, O Babalòrìsà José Carlos de Ibùalámo, pela iniciativa única em reconhecer os Grandes Mestres Ògáns, ao CONE (Coordenadoria dos Assuntos da População Negra) e Prefeitura da Cidade de São Paulo, pelo apoio cultural.
Agradeço, outrossim, às pessoas que mesmo em véspera de feriado prolongado e após uma torrencial chuva, compareceram para prestigiar esse primeiro de muitos eventos que ocorrerão, com certeza.

domingo, 30 de outubro de 2011

Erenilton Bispo dos Santos - O Mestre da Bahia

Sem dúvidas, esse é um texto especial para mim, haja vista que vou tentar discorrer um pouco sobre a história do Ògán que mais admiro na religião a qual pertenço, a dos Òrìsàs. Por outro lado, falar de Erenilton Bispo dos Santos é algo sobremaneira difícil, sendo que ele não é somente o meu ídolo, que aprendi a respeitar desde a minha infância, mas sim, o ícone admirado e querido por boa parte dos membros das Comunidades Kétu-Nàgó, da Bahia e do Brasil. Foto: Erenilton Bispo dos Santos, 2011.